TRABALHADOR RECEBE VERBA DE GASTO APRESENTA NOTINHAS E DEVOLVE SOBRA AO EMPREGADOR, BRECHA PERMITE A SENADOR EMBOLSAR ; CONFIRA
![]() |
| (crédito: fotomontagem para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 20h22 deste domingo, 21 de junho de
2026.
Os trabalhadores brasileiro recebe verba de gasto para viagens e outros afazeres fora do seu domicílio; ao retornar a empresa apresenta nota e devolve sobra; senado não tem regras para devolução de dinheiro repassado aos parlamentares para custear viagens oficiais em caso de despesas não realizadas.
Ao explicar os US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em
valores atuais) em espécie encontrados pela Polícia Federal em sua residência
em nova fase do caso Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que os
valores são sobras de diárias recebidas por missões oficiais.
“Não há disposição normativa sobre a devolução de valor não
utilizado de diárias”, afirmou o Senado à reportagem. A única hipótese de
devolução prevista no regramento é em caso de cancelamento ou retorno
antecipado de viagem prevista. Nesse caso, a devolução do valor extra é
obrigatória.
O Senado também afirmou que o pagamento pode ser feito em
espécie, a critério do beneficiário.
“Os valores são disponibilizados ao beneficiário mediante
ordem bancária (OB), com repasse ao Banco do Brasil, responsável por efetuar o
crédito em conta ou, a critério do interessado, o pagamento em espécie”, disse
o Senado, em resposta a questionamentos da reportagem.
As diárias têm como objetivo cobrir custos com deslocamento
para fora de Brasília ou estado de origem do parlamentar, como hospedagem,
alimentação e locomoção. Como não há regra sobre devolução, os congressistas
podem ficar com o que sobra.
O regramento diz que a verba tem caráter indenizatório. Dessa
forma, não há cobrança de Imposto de Renda.
Em 2026, o valor da diária é de US$ 656,46 para senadores em
missão oficial a países fora da América do Sul — o valor equivale a R$ 3.388 na
cotação atual, com o dólar a R$ 5,16. Em viagens a outros países, o valor pago
é de US$ 557,03, o equivalente a R$ 2.875.
Já em missões domésticas, são pagos R$ 916,80 para viagens a
cidades grandes e R$ 726,83 a municípios com até 200 mil habitantes. Os valores
são ajustados anualmente.
Além de senadores, outros servidores recebem diárias, mas o
pagamento varia de acordo com o cargo. Considerando-se apenas os gastos em
viagens internacionais e excetuadas as missões de proteção a autoridades, o
Senado pagou, entre janeiro e 18 de junho deste ano, mais de R$ 1 milhão em
diárias para senadores e servidores.
Segundo levantamento da reportagem no portal da transparência
da Casa, Jaques Wagner recebeu R$ 336,9 mil em diárias desde o início do
mandato, em 2019, valor menor que o encontrado em endereços ligados ao
parlamentar. O líder do governo no Senado afirma que a diferença se deve ao
fato de ele ter comprado parte do dinheiro por conta própria.
No histórico de Jaques Wagner, há uma viagem à China em maio
deste ano. Ele recebeu R$ 15 mil por nove meias diárias para uma visita técnica
à fábrica da BYD na cidade de Shenzen. Em julho de 2025, foram quase R$ 25 mil
por sete diárias em Washington (EUA), para interlocução sobre relações
bilaterais.
O senador fez 30 viagens em missão oficial para o exterior
durante o mandato. Visitou países como Japão, Portugal, Emirados Árabes Unidos
e Egito.
A PF apura suspeitas de que ele tenha recebido pagamentos
ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, além de um apartamento em Salvador
avaliado em R$ 2,5 milhões.
A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões
de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao “núcleo familiar” de Jaques
Wagner, o que segundo o ministro André Mendonça, relator do caso, é uma das
evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.
Augusto Lima foi preso na Operação Compliance Zero, que
investiga a suspeita de fraudes em carteiras de créditos que o Master vendeu ao
BRB (Banco Regional de Brasília).
O senador afirmou à Band News TV que nunca recebeu dinheiro
do Banco Master, mas admitiu ter pedido para Augusto Lima comprar um
apartamento, sob a condição de que ele recompraria o imóvel posteriormente.
“Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar
um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a
ele: ‘você pode comprar? Depois eu vou recomprar’ porque o apartamento está em
construção. E eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder
complementar o apartamento ou ela financiar”, afirmou o parlamentar.
A reportagem revelou que o gasto do Senado com diárias para
policiais legislativos que fazem a escolta de senadores em viagens saltou de R$
1,1 milhão para R$ 1,8 milhão nos primeiros cinco meses do ano. O principal
motivo é o aumento de viagens durante o ano eleitoral, como as de Flávio
Bolsonaro (PL) para angariar apoio no exterior.
*******
Com informações Folhapress/Via ICL Notícias.









.png)

Comentários