SOB PRESSÃO POLÍTICA E POPULAR STM REFORÇA SEGURANÇA COM PROXIMIDADE DOS JULGAMENTOS DOS GANERAIS
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| (crédito: foto reprodução "IA" Sociedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 16h57 desta quarta-feira, 11 de Janeiro de 2026.
Exposição inédita do STM, julgamentos de generais e polarização política levam a Justiça Militar da União a reforçar sua segurança institucional.
A Justiça
Militar da União saiu da sombra e entrou no centro do debate político nacional.
Julgamentos envolvendo oficiais já condenados pelo STF colocaram o Superior
Tribunal Militar sob atenção inédita e pressão de lados opostos do espectro
político brasileiro.
O
julgamento, no âmbito militar, de oficiais já condenados pelo Supremo Tribunal
Federal é visto por parte da opinião pública como uma espécie de revisão
indireta das condenações que atingiram figuras centrais do último governo, como
Jair Bolsonaro, Almirante Garnier, Braga Netto, Augusto Heleno e outros nomes
ligados ao alto comando.
Caso esses
oficiais não sejam considerados indignos do oficialato, a decisão tende a ser
interpretada, por muitos observadores, como um endosso implícito, não apenas da
Justiça Militar, mas também da cúpula das Forças Armadas, às atitudes adotadas
durante o governo anterior e em relação aos resultados das eleições de 2022, o
que pode atrair a ira da classe política e sociedade posicionado no extremo à
esquerda.
No outro
viés, um resultado negativo para os oficiais julgados, com a cassação de seus
postos, patentes e até pagamentos, pode ser interpretada de forma negativa pela
classe política e sociedade posicionadas no extremo direito do espectro
político.
Em meio a
toda essa polarização e discussões acaloradas sobre julgamentos envolvendo
generais condenados, pressões políticas crescentes, embates nas redes sociais e
episódios recentes de hostilidade contra instituições do Judiciário recolocaram
em evidência um tema sensível: a segurança física e institucional das cortes.
É nesse
contexto que a Justiça Militar da União anunciou o reforço de sua estrutura de
proteção. O Superior Tribunal Militar (STM) realizou, nesta quinta-feira (5), a
cerimônia de posse de novos agentes de Polícia Judicial, aprovados no último
concurso público, que passam a atuar diretamente na Assessoria de Segurança
Institucional (Asseg).
Reforço na
segurança dos tribunais
Embora a
Justiça Militar da União tradicionalmente opere longe dos holofotes, o aumento
da tensão política e jurídica no país reposicionou a segurança dos tribunais
como um tema estratégico. O prédio do STM, em Brasília, concentra diariamente
magistrados, servidores, advogados, militares e autoridades civis, o que exige
um elevado grau de controle e monitoramento.
Desde a
entrada, o acesso é rigidamente controlado. Sistemas de vigilância com
tecnologia de ponta monitoram cada ponto sensível do tribunal, enquanto uma
central avançada de câmeras acompanha, em tempo real, toda a movimentação
interna e externa. A vigilância é permanente, funcionando 24 horas por dia,
sete dias por semana.
Uma polícia
discreta, mas permanente
O reforço do
efetivo da Polícia Judicial amplia um trabalho que, segundo o próprio STM, é
silencioso, mas essencial. A atuação dos agentes vai além da proteção
patrimonial. Outro eixo central da Asseg é a proteção pessoal de magistrados,
incluindo escoltas e segurança em eventos institucionais.
Essa atuação
é marcada pela discrição. O objetivo é permitir que ministros e demais
autoridades exerçam suas funções com tranquilidade, mesmo em um ambiente de
crescente tensão política e exposição pública do Judiciário.
Treinamento
contínuo e atuação multifuncional
Os novos
servidores passam a integrar um quadro altamente especializado. De acordo com
informações oficiais do tribunal, os agentes da
Polícia
Judicial participam de treinamentos periódicos que incluem:
Técnicas de
tiro e armamento, com foco em precisão e resposta proporcional;
Direção
defensiva e evasiva, voltada à segurança em deslocamentos e escoltas;
Brigada de
emergência, com capacitação em primeiros socorros e resposta rápida a situações
críticas.
Além disso,
brigadistas treinados permanecem de prontidão para o atendimento imediato em
casos de emergência médica ou acidentes dentro das dependências do tribunal.
Discurso
institucional e clima externo
Em vídeo
institucional divulgado pelo STM, a Assessoria de Segurança Institucional é
descrita como “a guardiã da Justiça Militar da União”. A narração reforça a
ideia de vigilância contínua e preparo técnico: “Durante o dia ou a noite, a
proteção nunca dorme”, afirma um dos trechos.
O material
também destaca que a Polícia Judicial está presente em todos os pontos sob
responsabilidade do tribunal, garantindo a integridade do patrimônio público e
das pessoas que circulam pelo espaço.
Judiciário
sob pressão
O reforço da
segurança no STM ocorre em um momento em que o Judiciário brasileiro, como um
todo, enfrenta questionamentos públicos, críticas diretas e episódios de
intimidação, especialmente após julgamentos envolvendo militares de alta
patente, temas sensíveis à hierarquia das Forças Armadas e decisões de forte
repercussão política.
Ainda que o
STM não esteja diretamente no centro das decisões mais recentes do STF, a
medida sinaliza uma leitura institucional clara: em tempos de radicalização e
desinformação, a proteção física e institucional dos tribunais deixou de ser
apenas uma questão administrativa e passou a integrar a agenda estratégica do
Estado.
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Com informações da Revista Sociedade Militar.

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