EM ENTREVISTA PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA, BRIGADEIRO DA FAB DISPARA CONTRA MILITARES ELEITOS E QUESTIONA PAPEL DAS FORÇAS ARAMADAS NA POLÍTICA
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| (crédito: foto reprodução para ilustração do texto) |
Por Alvaro Neves.
Postagem publicada às 8h15 desta domingo, 22 de fevereiro de 2026.
Declarações de Átila Maia ao Sociedade Militar miram atuação
parlamentar, rejeitam a PEC dos militares e reacendem discussão sobre limites
entre Forças Armadas e política.
Durante entrevista concedida ao portal Sociedade Militar em 5
de fevereiro, o Brigadeiro da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e
pré-candidato à presidência da República, Átila Maia, adotou um tom contundente
ao avaliar a atuação de militares das Forças Armadas já eleitos no Brasil.
A fala surgiu quando o militar foi questionado sobre uma
suposta “divisão” entre praças e oficiais e se essa estratificação poderia
prejudicar sua pretensão eleitoral. A resposta veio sem rodeios:
“Não me preocupa de jeito nenhum. Tivemos no Parlamento
generais e suboficiais como deputados, e nenhum deles fez absolutamente nada
pelo segmento”.
Na avaliação de Átila Maia, o ponto central não é a
hierarquia interna das Forças Armadas, mas o compromisso político assumido após
a eleição. Segundo ele, quem chega ao Parlamento deveria manter fidelidade aos
grupos que contribuíram para sua vitória.
O Brigadeiro sustenta ainda que militares que alcançaram
cadeiras no Congresso não o fizeram por um projeto das Forças Armadas, mas
vinculados ao então candidato Jair Bolsonaro.
“Isso é uma falha estrutural, de falta de adaptação à
democracia. As polícias militares avançaram um pouco mais em relação às Forças
Armadas, porque sempre tiveram representação no Congresso. As Forças Armadas,
não”.
Brigadeiro da reserva da Força Aérea Brasileira, Átila Maia.
Foto: Arquivo pessoal
Rejeição frontal à chamada à PEC idealizada por ministro e
Comandantes das Forças Armadas
Questionado sobre a proposta idealizada e defendida pelo
ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e pelos Comandantes das Forças Armadas
— que previa transferir para a reserva militares que decidissem disputar
eleições — Átila Maia posicionou-se de forma categórica contra a medida.
A PEC 42/2023 tinha como justificativa oficial reduzir a
politização nas tropas e prevenir riscos à hierarquia e à disciplina. Para o
Brigadeiro, porém, a iniciativa representaria uma restrição indevida de
direitos civis.
“Todos os militares são cidadãos como qualquer outro cidadão
brasileiro. Se prostitutas podem ter representação, se policiais civis,
militares, empresários, advogados, médicos podem ter representantes, por que os
militares não podem? Isso é um absurdo. Eu sou radicalmente contra isso”.
A declaração reforça um dos eixos centrais de seu discurso: a
defesa da plena cidadania política dos integrantes das Forças Armadas.
Sem apoio decisivo do governo Lula, a PEC acabou sendo, por
ora, abandonada. Em entrevista recente ao jornal O Globo, José Múcio Monteiro
reconheceu o ambiente adverso enfrentado pela proposta.
Segundo o ministro, a oposição foi radicalmente contrária ao
projeto.
8 de janeiro: distinção entre militares da ativa e da reserva
Ao abordar episódios recentes da política nacional, incluindo
os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, Átila Maia atribuiu
responsabilidades exclusivamente a militares da reserva.
Ele ainda fez questão de separar condutas individuais da
imagem institucional da força ativa.
“Todos os problemas que nós tivemos com militares na política
foram com militares que já estavam na reserva, que, lamentavelmente, venderam
sua consciência. Nós não tivemos nenhum problema com militares da ativa. A lei
é muito clara”.
Trajetória e histórico eleitoral de Átila Maia
Átila Maia da Rocha integra a reserva da FAB desde setembro
de 2010. Posteriormente, entre 2012 e 2014, ocupou cargo especial no Ministério
da Pesca e Agricultura, onde permaneceu por 2 anos e 5 meses.
Em 2018, lançou candidatura ao Senado pelo PRTB no Distrito
Federal. Obteve pouco mais de 135,5 mil votos. Segundo ele, com gastos totais
de apenas R$ 3,5 mil.
O desempenho serviu de impulso para tentar viabilizar uma
pré-candidatura à Presidência em 2022. Entretanto, decisões partidárias
alteraram o rumo do projeto.O partido optou por compor a chapa que lançou
Hamilton Mourão como vice-presidente de Jair Bolsonaro, levando o Brigadeiro a
buscar nova legenda.
Átila Maia afirma que tentou disputar o cargo pelo AGIR, mas
novamente enfrentou barreiras políticas internas. Naquele pleito, acabou
concorrendo a deputado federal, obtendo 377 votos (0,02% dos válidos).
Ele atribui a queda ao fato de ter ficado chateado com o
partido e não ter realizado campanha.
“Não fiz campanha, não fiz nada. Também não recebi ajuda
nenhuma deles”.
“Não estou à procura de emprego”
Ao ser questionado se outros cargos eletivos estariam em seus
planos, Átila Maia foi taxativo ao afirmar que apenas a Presidência da
República lhe interessa.
“Tenho plena convicção de que só o presidente da República, e
não é qualquer um que chegue lá, mas alguém que tenha capacidade de
articulação, diálogo e o mínimo de habilidades de conversar e interagir com os
demais segmentos, tem condições de conduzir o Brasil ao destino que nós
merecemos. Não tenho interesse em nenhum outro cargo porque não estou à procura
de emprego”.
Segundo dados do Portal da Transparência referentes a
dezembro de 2025, o Brigadeiro possui salário bruto de R$ 34.718,32. Após
descontos, o valor líquido gira em torno de R$ 30.100,80.
Ele argumenta que cargos legislativos possuem alcance
limitado dentro da estrutura decisória nacional.
“Um senador é 1/81 avos. Um deputado federal, 1/513 avos. Por
mais habilidoso que seja o senador ou deputado, ele não consegue mover aquilo
ali sozinho. Não tenho por que disputar outro cargo”.
Partido e cenário atual
Até o momento, o militar da reserva das Forças Armadas
declara intenção de disputar a Presidência da República pelo Democracia Cristã.
Ainda assim, admite que o cenário político pode evoluir.
“Ainda não sei se permanecerei [no partido]. Vamos ver se
surgirem outras oportunidades. Se não surgirem, provavelmente teremos que
disputar a vaga na convenção. O que não é nenhum problema”.
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Com informações Sociedade Militar.







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