ABIN ABRE PROCESSO CONTRA AGENTE DE INTELIGÊNCIA AFASTADO QUE VIROU YOUTUBER, SOMA MILHÕES E PUBLICA CRÍTICAS A POLÍTICOS E À SEGURANÇA PÚBLICA

(crédito: foto reprodução "IA" YouTuber G1/Sociedade Militar)


Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 2h05 desta quinta-feira, 05 de fevereiro  de 2026.

Processo interno avança enquanto servidor afastado mantém rotina intensa de vídeos, amplia audiência digital, enfrenta questionamentos funcionais e reacende discussão sobre limites entre exposição pública, atividade paralela e deveres institucionais no serviço público brasileiro contemporâneo marcado por redes sociais massivas

Nos últimos anos, agentes e ex-servidores de segurança passaram a ocupar as redes sociais, transformando experiências profissionais em conteúdo de alto alcance.

Esse movimento, porém, levanta questionamentos sobre limites institucionais, ética funcional e compatibilidade entre função pública e exposição digital.

O debate ganhou novos contornos após a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) instaurar um processo administrativo disciplinar contra um de seus servidores afastados, que se tornou uma figura popular no YouTube enquanto permanece licenciado do cargo.

Processo disciplinar envolve agente afastado e atuação intensa nas redes

A Abin abriu um processo administrativo disciplinar contra o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça, servidor que está afastado de suas funções por licença médica.

Mesmo fora do trabalho, ele mantém uma presença ativa nas redes sociais, especialmente no YouTube, onde comanda o canal “Fala, Glauber”, que ultrapassa 3 milhões de inscritos.

Segundo informações reveladas pelo portal g1, o servidor segue recebendo salário normalmente durante o período de afastamento, ao mesmo tempo em que produz vídeos de forma contínua e profissionalizada.

Esse conjunto de fatores motivou a abertura do procedimento interno.

De acordo com a apuração, Mendonça foi formalmente notificado na semana anterior à divulgação do caso, passando a contar o prazo legal para apresentar sua defesa administrativa.

Investigação avalia descumprimento de normas internas

O processo busca esclarecer se houve descumprimento de normas internas da Abin, especialmente no que diz respeito ao exercício de atividade pública durante licença médica.

A Corregedoria também analisa possível incompatibilidade entre o conteúdo produzido e as atribuições do cargo ocupado pelo servidor.

Nos vídeos publicados, Glauber Mendonça se apresenta como policial penal federal e afirma que o canal tem como objetivo orientar concurseiros da área de segurança pública.

Na prática, porém, o conteúdo vai além do caráter educativo.

Conteúdo político e críticas diretas chamaram atenção da Corregedoria

Grande parte dos vídeos publicados pelo youtuber é composta por críticas a políticos, análises sobre segurança pública e comentários sobre o cenário institucional do país.

Em um dos conteúdos citados no processo, o próprio Mendonça afirma que o foco do canal é “bater em político, deixar político constrangido” e mostrar “a realidade da política e da segurança pública”.

Essas declarações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela Corregedoria da Abin, sobretudo por envolverem exposição pública intensa e posicionamentos políticos explícitos.

Histórico judicial entra na análise administrativa

O histórico do canal também pesa na investigação.

Segundo informações do g1, parte do conteúdo publicado em 2024 foi alvo de decisão judicial, que determinou a suspensão de alguns vídeos.

Na ocasião, a Justiça entendeu que houve disseminação de discurso de ódio e abuso do direito à liberdade de expressão em determinadas publicações.

Esses episódios passaram a constar formalmente no processo administrativo instaurado pela agência.

Estrutura profissional do canal também é analisada

Outro ponto que chama atenção no procedimento é a estrutura profissional do canal “Fala, Glauber”.

Em publicações nas próprias redes sociais, o servidor afirma gravar até 16 horas por dia e relata que mantém uma verdadeira “máquina” de produção.

Segundo ele, há outros trabalhadores envolvidos na edição, organização e publicação dos vídeos, o que reforça o entendimento de que a atividade não ocorre de forma esporádica ou amadora.

Esse aspecto é considerado relevante para avaliar se houve exercício de atividade incompatível com o cargo público, mesmo durante o período de afastamento médico.

Possíveis infrações funcionais em avaliação

Entre as acusações analisadas no processo estão falta de zelo e dedicação às funções públicas, além do exercício de atividade considerada incompatível com o cargo e com o horário de trabalho.

A Corregedoria da Abin avalia se essas condutas configuram infração funcional passível de sanção administrativa.

As punições, caso confirmadas as irregularidades, podem variar conforme a gravidade dos fatos apurados e o entendimento final da comissão disciplinar.

Abin afirma que cargo não exige dedicação exclusiva

Procurada para comentar o caso, a Agência Brasileira de Inteligência informou que a Lei nº 11.776 não impõe dedicação exclusiva aos ocupantes do cargo de oficial técnico de inteligência.

A agência, no entanto, reforçou que não comenta procedimentos correcionais em andamento.

Em nota oficial, a Abin declarou que os processos disciplinares tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação vigente e nas orientações da Controladoria-Geral da União (CGU).

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Jefferson Silva

“A Corregedoria da Abin informa que os processos disciplinares instaurados no âmbito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, especialmente no que se refere à proteção da intimidade, da imagem e dos direitos das pessoas envolvidas”, afirmou o órgão.


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Com innformações Revista Sociedade Militar. 

 

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