VÍDEO: RESPALDADO POR GENERAIS NA RESERVA, PRÉ-CANDIDATURA DE ALDO REBELO PODE REAQUECER DEBATE SOBRE MILITARES E POLÍTICA

(crédito: foto: pré-candidatura de Aldo Rebelo - reprodução "IA" para ilustração do texto)


Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 21h22 deste sábado, 31 de janeiro de 2026.

Um evento político realizado nesse sábado, 31 de janeiro de 2026, reuniu alguns dos nomes mais influentes da cúpula civil-militar que marcou o governo de Jair Bolsonaro. A ocasião foi o lançamento da pré-candidatura de Aldo Rebelo à

Presidência da República, pelo partido Democracia Cristã, e funcionou, também, na prática, como uma demonstração pública de apoio de setores relevantes das Forças Armadas ao projeto político do ex-ministro.

Entre os presentes estavam dois dos oficiais-generais mais destacados da última década: o general de Exército Fernando Azevedo e Silva, que comandou o Ministério da Defesa no início do governo Bolsonaro, e o almirante Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia. Ambos tiveram protagonismo direto na relação entre governo, Defesa e áreas estratégicas do Estado brasileiro.

Um palanque que uniu militares e lideranças políticas

O evento também contou com a presença de figuras expressivas da política nacional, como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, Gilberto Kassab, presidente do PSD, considerado um dos mais influentes articuladores políticos do país, e João Goulart Filho, do PCdoB. A diversidade dos presentes reforçou o caráter transversal do encontro, que buscou projetar Aldo Rebelo como uma candidatura capaz de dialogar com diferentes campos ideológicos.

Amazônia, fronteiras e confiança militar

Em sua fala, o general Fernando Azevedo fez um elogio direto à trajetória de Aldo Rebelo, destacando sua familiaridade com temas estratégicos, em especial a Amazônia e as fronteiras nacionais. Segundo ele, poucos políticos conhecem a região amazônica de forma tão profunda:

“O Aldo conhece o Brasil. Visitamos vários pelotões de fronteira pela Amazônia. Poucos conhecem a Amazônia como o Aldo, poucos. E é exatamente a Amazônia que o mundo está de olho.”

A declaração não passou despercebida. Ao mencionar visitas conjuntas a pelotões de fronteira, Azevedo sinalizou uma relação construída no terreno, longe apenas dos gabinetes de Brasília, algo altamente valorizado no meio militar.

No próprio discurso, Aldo Rebelo reforçou essa proximidade ao afirmar que mantém os generais não apenas como aliados políticos, mas como amigos e conselheiros, deixando claro que pretende ouvir militares da reserva e da ativa na formulação de políticas de Estado, especialmente nas áreas de defesa, soberania e segurança.

Crime organizado e colapso da autoridade estatal

Outro eixo central do discurso de Aldo Rebelo foi o avanço do crime organizado, especialmente nas regiões de fronteira. O ex-ministro traçou um diagnóstico duro da situação atual do país, afirmando que, em diversas cidades brasileiras, o crime já atua como poder paralelo:

“O crime organizado tomou conta das fronteiras. Em várias cidades, o maior empregador é o crime organizado. Ele prende, executa, dá sentença.”

Na avaliação do pré-candidato, a erosão da autoridade do Estado passa diretamente pela fragilização das forças de segurança pública. Aldo foi enfático ao defender apoio irrestrito às polícias estaduais:

“Ou nós apoiamos a Polícia Militar e a Polícia Civil, ou não vamos ter segurança no nosso país.”

A fala dialoga com uma visão compartilhada por setores militares que enxergam a segurança pública como extensão direta da estabilidade nacional, sobretudo diante da expansão de facções transnacionais ligadas ao tráfico e ao contrabando.

Aldo Rebelo dedicou parte relevante de seu discurso à economia, com críticas diretas ao que denominou de desindustrialização acelerada do Brasil. Segundo ele, o país só não estaria em situação ainda mais grave graças à força da agroindústria e da exploração de recursos naturais.

O pré-candidato listou setores que ainda sustentam a economia nacional, como carne, grãos, proteínas, minério de ferro, petróleo, etanol, açúcar, algodão e milho, e alertou para o impacto da insegurança jurídica sobre investimentos:

“Como alguém vai investir em um país onde uma licença pode sair em cinco ou em cinquenta anos? Ninguém pode oferecer garantias de nada… Investimento bloqueado é emprego bloqueado, é tributo bloqueado, é divisa bloqueada.”

Ao citar diretamente o bloqueio de projetos na margem equatorial, Aldo trouxe o debate para o Norte do país, afirmando que impedir a exploração de petróleo afeta diretamente o emprego na região norte do país. Mencionou jovens que se formam em engenharia de petróleo e gás, especialmente no Pará.

Um sinal claro para 2026

Embora o evento tenha sido oficialmente o lançamento de uma pré-candidatura, a presença de generais que ocuparam cargos estratégicos no governo Bolsonaro, aliada ao tom das falas e à ênfase em soberania, segurança e desenvolvimento nacional, é interpretada por muitos observadores como um sinal claro de alinhamento de setores militares da reserva em torno de um nome para 2026, o que se amplifica com o conhecimento público de que Aldo Rebelo tem como um de seus admiradores o ex-comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, reconhecido como um dos nomes mais influentes nas Forças Armadas brasileiras.

Em um cenário político fragmentado e ainda marcado pelas consequências da crise institucional dos últimos anos e participação excessiva dos militares no ambiênte político, o gesto reforça a leitura de que parte expressiva do establishment militar busca ainda manter influência sobre o debate nacional, agora, por meio de uma candidatura civil com histórico de diálogo estreito com as Forças Armadas.

Confira a pré-candidatura de Aldo Rebelo na ìntegra no vídeo abaixo:




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Com informações Revista Sociedade Militar. 


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