VÍDEO: QUEM NUNCA PASSOU POR EXAUTÃO QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
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| (crédito: foto reprodução "IA" Intagram) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 6h57 desta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026.
Muitas vezes eu e você jungamos um ocorrido como esse sem se quer imaginar as cargas horárias que esses profissionais que arriscam as suas vidas pelo bem estar da sociedade - Quando somadas escalas extras e deslocamentos longos, muitas
vezes para unidades distantes da residência, a carga pode ultrapassar 270 horas
mensais, explica subtenente da corporação.
Um vídeo que circulou de forma viral ao longo nessa
segunda-feira, 26 de janeiro, reacendeu um debate sensível e recorrente no Rio
de Janeiro: os limites físicos e psicológicos impostos aos policiais militares
em um cenário de colapso da segurança pública. As imagens mostram dois agentes
do programa Segurança Presente dormindo dentro de uma viatura estacionada nas
proximidades da Avenida Presidente Vargas, na região da Central do Brasil, na
capital carioca.
O registro, amplamente compartilhado nas redes sociais,
provocou reações imediatas. Enquanto parte do público criticou a conduta dos
agentes, policiais militares, familiares e cidadãos solidários passaram a
defender os profissionais, apontando a exaustão extrema, escalas abusivas e
falta de efetivo como elementos centrais para compreender o episódio.
O flagrante e a resposta oficial
Nas imagens, os policiais aparecem acomodados nos bancos do
motorista e do carona, com a viatura parada. Um deles mantém a cabeça inclinada
para baixo; o outro, para trás, em posição típica de sono. Não há confirmação
oficial sobre a data exata da gravação.
Em nota, a Secretaria de Governo do Estado do Rio de Janeiro
(Segov), responsável pelo programa Segurança Presente, informou que a guarnição
retornou à base “para orientações quanto à postura dos agentes” e que o caso
foi encaminhado à Polícia Militar para adoção das medidas disciplinares
cabíveis. A PMERJ informou que a Corregedoria instaurou procedimento para
apurar as circunstâncias do fato.
A reação nas redes sociais em perfis que publicaram a
gravação dos policiais dormindo foi diversa, mas predominam as mensagens de
apoio e compreensão;
“Não costumo defender, mas nesse caso aí muitas vezes
passaram a noite em claro. Ninguém é de ferro. Nem mesmo aqueles que imaginam
ser”, opinou o perfil Zonaleste_1910 no Instagram em post feito pelo G1.
Na mesma postagem do G1, o usuário Jpso81 disse: “É fácil
demais postar um vídeo e falar desses servidores da segurança pública, busquem
saber a carga horária deles , o quanto de extras são obrigados a fazerem , alem
de toda pressão do comando o julgamento da sociedade, muitas vezes desleal”.
Outro usuário das redes sociais, Gracinha_Botafogo, mencionou
a jornada de trabalho dura: “E a carga horária deles? Sacanagem essa filmagem.
São trabalhadores exaustos”.
Exposição pública e inversão de valores
A forma como o episódio foi tratado por parte da mídia gerou
forte reação dentro da corporação. O subtenente da PMERJ Adamo Ferreira, em
declaração à Revista Sociedade Militar, criticou o tom de escárnio adotado em
algumas manchetes e a exposição irrestrita da imagem dos agentes.
Para ele, há uma clara inversão de valores no tratamento dado
a policiais e criminosos no Brasil. “Enquanto o marginal da lei tem seu direito
imagem garantido e preservado (Lei de Abuso de Autoridade (13.869/2019), onde
nem a polícia pode mais divulgar a imagem de presos e detidos, o Policial
Militar tem imagem, nome, RG e o que mais a mídia achar, divulgados”, escreveu.
O militar lembra que o direito de imagem é assegurado pela Constituição
Federal, pelo Código Civil e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD),
garantias que, segundo ele, parecem não se aplicar aos agentes de segurança
pública.
Jornadas que ultrapassam limites humanos
Mais do que justificar o ato de dormir em serviço, o
subtenente desloca o debate para o modelo de trabalho imposto à tropa, que leva
a exaustão policial. Segundo ele, a divulgação das imagens ignora um contexto
marcado por escalas extenuantes, serviços extraordinários compulsórios e
ausência de descanso adequado.
De acordo com o relato, policiais na escala 24×48 podem
chegar a cumprir até 240 horas mensais apenas no serviço ordinário. Quando
somadas escalas extras e deslocamentos longos, muitas vezes para unidades
distantes da residência, a carga pode ultrapassar 270 horas mensais, número
muito acima do padrão observado em profissões de alto risco em países
desenvolvidos.
Dormir em serviço já levou policiais à prisão no passado
O episódio não é um caso isolado na história recente da
Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em situação semelhante, três policiais
militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Kennedy, na Zona
Oeste, foram punidos após serem flagrados dormindo dentro de uma viatura. O
caso, ocorrido por volta de 1h do dia 7 de janeiro de 2014, foi registrado no
Boletim Disciplinar Reservado (BDR) nº 030 e resultou em medidas imediatas:
recolhimento das identidades funcionais, revogação do porte de armas e prisão
em flagrante dos agentes, que permaneceram quatro dias no Batalhão Especial
Prisional (BEP), em Benfica.
Segundo o boletim disciplinar, os soldados V. de Oliveira E.,
A. C. de Souza e D. R. de Araujo estavam na viatura quando foram surpreendidos
pelo comandante da unidade, capitão G. Wagner.
O documento afirma que a conduta demonstraria “desinteresse
com as missões destinadas às UPPs e à própria Polícia Militar, bem como o
menosprezo pelas suas próprias vidas em função das ações criminosas que assolam
a população do Rio”. Na época a notícia foi veiculada por diversos sites, entre
eles o Extra – RJ
Adoecimento da tropa e risco permanente
O impacto desse modelo, segundo o subtenente, vai além do
cansaço físico. “A arbitrariedade na adoção de serviço extraordinário de forma
compulsória está adoecendo a tropa. O cansaço e a fadiga crônica levam à
depressão, que levam ao suicídio”, explica.
Ele também aponta que a ausência de convivência familiar,
causada por escalas sucessivas e imprevisíveis, agrava quadros de transtornos
de humor e ansiedade. O resultado é uma tropa emocionalmente esgotada, atuando
em um dos ambientes mais violentos do país.
Uma “fábrica de viúvas e órfãos”
O debate ganha contornos ainda mais dramáticos quando
confrontado com os números da violência. Segundo Adamo, apenas nos primeiros
meses de 2025, 35 agentes de segurança pública foram assassinados no Estado do
Rio de Janeiro, uma média de uma morte a cada 5,6 dias.
Diante desse cenário, o subtenente faz uma afirmação dura,
mas que ecoou entre colegas de farda: “O Estado do Rio de Janeiro se tornou uma
verdadeira fábrica de viúvas e órfãos da Segurança Pública”.
Para ele, que também é especialista em segurança pública, a
naturalização dessas mortes e a ausência de respostas estruturais do poder
público reforçam a sensação de abandono. “tratar esses fatos com naturalidade e
normalidade é um erro crasso e que não encontra similaridade em nenhum lugar do
mundo”, escreveu, apontando que a população, ao ver seus protetores sendo
dizimados, passa a sentir que “a guerra foi perdida”.
Sintoma de um sistema em colapso
Embora dormir em serviço seja passível de sanção disciplinar,
o episódio registrado na Central do Brasil passou a ser visto por muitos
policiais e cidadãos como um sintoma de um sistema em colapso, e não como um
ato isolado de negligência individual.
A viralização do vídeo escancarou uma realidade conhecida nos
bastidores da segurança pública fluminense: falta de efetivo, escalas abusivas,
risco permanente e uma política de exposição pública que recai quase
exclusivamente sobre a base da corporação.
No Rio de Janeiro, onde a violência se tornou parte do
cotidiano, o episódio deixa uma pergunta incômoda: até que ponto é possível
exigir vigilância constante de profissionais submetidos a jornadas que
ultrapassam os limites físicos e humanos?
Confira no vídeo abaixo é o retrato de momento de exautão de profissionais que dão tudo de sí para protejer a nossa sociedade:

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