VÍDEO: DEPOIS DE 13 ANOS SEGUINDO PISTAS E VASCULHANDO O FUNDO DO MAR MURGULHADORES ENCONTRAM BARCO ALEMÃO DA 2ª GUERRA DESAPARECIDO HÁ 83 ANOS; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução Sociedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada à 1h45 desta sexta-feira, 14 de agosto de
2026.
Depois de 13 anos seguindo pistas em arquivos militares e
vasculhando o fundo do mar, mergulhadores encontram a 96 metros de profundidade
raro barco alemão da Segunda Guerra desaparecido há 83 anos e considerado único
exemplar conhecido no mundo
Mergulhadores encontram na Grécia raro barco alemão da
Segunda Guerra, desaparecido por 83 anos e localizado após 13 anos de buscas.
(Imagem: Reprodução)
Por mais de oito décadas, uma pequena embarcação militar
permaneceu escondida no fundo do mar Jônico, coberta por organismos marinhos e
praticamente apagada da paisagem, enquanto sua localização sobrevivia apenas em
documentos de guerra, mapas e algumas pistas históricas.
A busca que começou em 2013 finalmente terminou em 1º de
agosto de 2026, quando mergulhadores da equipe técnica AegeanTec identificaram,
a cerca de 96 metros de profundidade na costa oeste da Grécia, os restos do LS
6, um raro barco rápido utilizado pela Kriegsmarine, a Marinha alemã, durante a
Segunda Guerra Mundial. Os pesquisadores acreditam que seja o único exemplar
conhecido de seu tipo ainda existente no mundo.
O naufrágio está próximo de Preveza, no mar Jônico, e
surpreendeu pelo estado de conservação. Em vez de um campo de destroços
espalhados pelo fundo, os mergulhadores encontraram uma embarcação praticamente
inteira, posicionada sobre o leito marinho como se tivesse simplesmente parado
ali.
Uma pista de 2013 levou ao fundo do mar
A história da descoberta começou 13 anos antes.
Em 2013, o historiador naval alemão Peter Schenk encontrou em
arquivos militares de Freiburg registros sobre a perda de uma pequena
embarcação alemã no mar Jônico e repassou as informações ao pesquisador e
mergulhador Vasilis Mentogiannis.
Entre as pistas estavam uma posição aproximada e a indicação
de que o barco teria desaparecido em uma área com mais de 90 metros de
profundidade.
O historiador grego Giorgos Karelas aprofundou a pesquisa
documental, enquanto Dimitrios Giannoulatos conseguiu localizar um alvo de
sonar a 96 metros, justamente dentro da região indicada pelos registros
históricos.
Ainda faltava responder à parte mais difícil: descobrir o que
realmente estava lá embaixo.
A AegeanTec organizou então a operação de mergulho. Marinos
Giourgas e o fotógrafo subaquático Vasilis Spyropoulos utilizaram equipamentos
de circuito fechado, necessários para permanecer mais tempo em uma profundidade
na qual cada minuto precisa ser cuidadosamente planejado.
Depois de poucos minutos de descida, a silhueta começou a
aparecer.
Cabo preso à proa ajudou a resolver o mistério
A identificação não aconteceu por uma placa com o nome LS 6.
Os pesquisadores precisaram comparar aquilo que viam no fundo
do mar com desenhos, fotografias e documentos produzidos mais de 80 anos antes.
O tamanho do casco, detalhes da popa, a distribuição dos
equipamentos e os motores Junkers Jumo 205 visíveis através de uma abertura
estavam entre as evidências.
Mas uma pista chamou especialmente a atenção.
Um cabo de reboque continua preso à proa da embarcação,
enquanto parte dele repousa sobre o fundo arenoso.
O detalhe combina diretamente com os registros do último
deslocamento do LS 6: o barco estava sendo rebocado quando afundou, em setembro
de 1943.
A embarcação havia sofrido danos durante ataques aéreos na
região de Igoumenitsa e perdeu capacidade de manobra.
Os documentos analisados pelos pesquisadores não permitem
atribuir de maneira definitiva o ataque a uma única força. O estudo cita como
possibilidades aeronaves britânicas Bristol Beaufighter ou aviões italianos que
passaram a combater os alemães após o armistício da Itália.
Ao ser rebocado em direção a Pireu para reparos, as fissuras
no leve casco de alumínio teriam aumentado com o esforço mecânico. A água
entrou e a pequena embarcação acabou desaparecendo próximo a Preveza.
Um barco de apenas 12,5 metros
O tamanho do LS 6 também ajuda a tornar sua história incomum.
A embarcação media apenas 12,5 metros de comprimento,
aproximadamente o tamanho de um ônibus urbano, tinha deslocamento inferior a 12
toneladas e tripulação de apenas sete homens.
O casco era construído em alumínio pela Dornier, empresa
muito mais conhecida por sua ligação com a indústria aeronáutica.
Dois motores diesel Junkers Jumo 205M, com 1.400 cavalos
cada, permitiam ao pequeno barco atingir cerca de 37 nós, aproximadamente 69
km/h.
A leveza tinha uma vantagem evidente: velocidade.
Mas também contribuiu para sua vulnerabilidade após os danos
sofridos em 1943.
Torpedos eram lançados de um jeito nada convencional
O projeto original da classe tinha outra característica
curiosa.
Como o barco era extremamente compacto e a distribuição dos
motores deixava pouco espaço na proa, os engenheiros alemães desenvolveram um
sistema no qual os torpedos eram lançados pela parte traseira.
A embarcação se aproximaria do alvo, posicionaria a popa na
direção pretendida, faria o disparo e aceleraria para escapar, evitando
precisar realizar uma grande curva sob fogo inimigo.
Há, porém, uma diferença importante no caso específico do LS
6.
Quando o LS 5 e o LS 6 foram enviados para a Grécia em 1943,
eles haviam sido adaptados para funções antissubmarino. Segundo a pesquisa da
própria equipe responsável pela descoberta, os tubos de torpedo originais deram
lugar a um mecanismo para lançamento de cargas de profundidade.
Os dois barcos deveriam caçar submarinos aliados, mas o
equipamento especializado de sonar necessário para a missão acabou direcionado
para outra região.
Com isso, passaram a ser empregados principalmente em
reconhecimento rápido e transporte de oficiais.
Pequeno demais até para chegar à Grécia pelo mar
Outra peculiaridade estava no transporte.
Os LS eram tão pequenos que foram concebidos para acompanhar
navios maiores e atuar a partir deles. Como o estreito de Gibraltar estava sob
controle aliado, o LS 5 e o LS 6 não chegaram à Grécia navegando desde a
Alemanha.
Foram transportados por terra, utilizando ferrovias,
plataformas especiais e veículos rodoviários até alcançar o Mediterrâneo
oriental.
A carreira grega dos dois barcos seria extremamente curta.
O LS 5 foi destruído em outubro de 1943 durante os combates
da campanha do Dodecaneso. O LS 6 já estava no fundo do mar desde o mês
anterior.
Agora, 83 anos depois, seu casco de alumínio, os motores,
partes do sistema antissubmarino e até o cabo utilizado na tentativa de
salvá-lo continuam reunidos no mesmo ponto.
Para os pesquisadores, isso transforma o naufrágio em uma
espécie de cápsula do tempo da engenharia naval alemã, especialmente porque,
com base nas evidências históricas disponíveis atualmente, não se conhece outro
Leichte Schnellboot preservado como ele.
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Com informações Revista Sociedade Militar.
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