TRUMP ANUNCIA MEDIDA CONTRA MONOPÓLIO DA CARNE APÓS CRÍTICAS ÀS EMPRESAS BRASILEIRAS; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 20h30 deste sábado, 29 de agosto de
2026
As quatro maiores processadoras de carne bovina nos EUA são
JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem,
sexta-feira (28) que prepara medidas para permitir que agricultores e
pecuaristas processem a própria produção, em uma nova ofensiva contra a
concentração do setor de carnes no país — setor que tem entre seus principais
atores duas empresas de origem brasileira.
O anúncio ocorre dois dias depois de Trump afirmar em um
podcast que existe um monopólio no processamento de carne bovina nos Estados
Unidos e pouco mais de duas semanas após seu conselheiro comercial, Peter
Navarro, acusar quatro grandes empresas do setor de formar um cartel.
“Há, essencialmente, quatro delas, um número nada
competitivo, e elas tornam horrível a vida dos nossos maravilhosos agricultores
e pecuaristas”, escreveu Trump nesta sexta-feira, sem citar nominalmente as
companhias.
O movimento também ocorre na esteira da disparada dos preços
de proteínas de origem animal nos Estados Unidos e da redução do rebanho. Um
quilo de carne moída chegou a US$ 6,759 (R$ 35,10) em janeiro deste ano, de
acordo com o Federal Reserve Economic Data, um aumento de 18% em comparação com
o ano passado.
Em números oficiais, a inflação da carne foi de 9,4% nos 12
meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor divulgado
pelo Departamento do Trabalho.
As quatro maiores processadoras de carne bovina nos Estados
Unidos são JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef e, juntas, controlam cerca
de 85% do mercado. Duas têm ligação com o Brasil: a JBS tem origem brasileira,
enquanto a National Beef é controlada pela MBRF. A reportagem procurou ambas as
empresas por meio da assessoria de imprensa por volta das 19h, mas não obteve
retorno até a publicação deste texto.
Trump afirmou que parte significativa da propriedade das
grandes processadoras está fora dos Estados Unidos e disse ter autorizado a
preparação de documentos jurídicos para que produtores tenham “o direito de
processar seus próprios alimentos”. O presidente não detalhou quais regras
pretende alterar.
A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que o
governo prepara uma série de anúncios a partir de segunda-feira (31) para
fortalecer produtores e pequenos processadores de carne, incluindo redução de
burocracia no processamento, ampliação das vendas entre estados, revogação de
orientações consideradas ultrapassadas, além de financiamento e
desregulamentação para pequenos processadores.
A iniciativa dá continuidade a uma discussão iniciada
publicamente nesta semana durante uma entrevista de Trump ao apresentador
conservador Glenn Beck. Dono de um rancho, Beck disse ao presidente que as
regras federais dificultavam que pecuaristas processassem os próprios animais e
que isso os tornava dependentes das grandes companhias.
Trump respondeu que analisaria se havia regulamentação
excessiva no setor.
A legislação impede que pecuaristas comercializem carne de
animais abatidos e processados por eles próprios sem inspeção federal, embora
existam exceções. A fiscalização é realizada pelo Serviço de Inspeção e
Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura.
A possibilidade de flexibilizar essas regras já provocou
reação de representantes do setor. O Meat Institute, que representa empresas
processadoras, afirmou que permitir a comercialização de carne sem inspeção
pode colocar em risco a segurança alimentar. Já a National Cattlemen’s Beef
Association, representante de pecuaristas, afirmou apoiar a redução de
regulamentações e a criação de oportunidades para pequenos processadores, mas
defendeu a manutenção dos padrões de inspeção.
A ofensiva da Casa Branca contra as grandes processadoras
ganhou força neste mês. Em entrevista a jornalistas no último dia 11, Navarro
afirmou que as quatro maiores empresas constituem um “cartel” e destacou
especificamente a presença brasileira no setor.
“E fica pior porque duas das quatro empresas são de
propriedade brasileira e estão envolvidas até o pescoço com os chineses”,
afirmou na ocasião.
Navarro também acusou as empresas de exercer pressão dos dois
lados da cadeia, pagando menos aos pecuaristas pelo gado e cobrando preços mais
altos dos supermercados.
“O que a parte brasileira do cartel faz, como qualquer cartel
faria, é maximizar seus preços globalmente, e os americanos estão pagando a
conta por isso”, disse.
Na época, a MBRF afirmou que opera “em estrita conformidade
com as leis de defesa da concorrência e antitruste e mantém políticas robustas
de governança e integridade”.
A empresa afirma que o modelo de operação da National Beef é
único nos EUA e que possui uma parceria de longa data com aproximadamente 700
produtores locais, que, juntos, detêm cerca de 18% do capital da companhia. A
JBS não se pronunciou.
Na quarta-feira (26), Trump também assinou uma medida para
ampliar temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de carne bovina magra
que pode entrar no país sob uma cota com tarifa reduzida, numa tentativa de
diminuir os preços pagos pelos consumidores.
A estratégia provocou críticas de representantes dos
pecuaristas americanos, que temem que o aumento das importações pressione os
preços recebidos pelos produtores locais.
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Com informações Folhapress/Via Portal ICL Notícias.






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