PRESOS GENERAIS DO GOLPE RESENHAM LIVROS, FAZEM FISIOTERAPIA E ESTUDAM À DISTÂNCIAS; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 10h20 deste domingo, 30 de agosto de
2026.
Penas definidas pelo STF variam de 19 a 26 anos de prisão
--inferior apenas à do militar apontado como chefe do esquema, o ex-presidente
Jair Bolsonaro
Numa última investida para manterem a patente, os generais de
quatro estrelas condenados por tentativa de golpe de Estado mostraram como veem
a si próprios nas defesas apresentadas ao STM (Superior Tribunal Militar), que
julgará ações de expulsão definitiva da vida militar. É um passo seguinte à
condenação no STF (Supremo Tribunal Federal).
Walter Braga Netto, que chefiou o Estado-Maior do Exército, o
Comando Militar do Leste e o Ministério da Defesa, é descrito pelos advogados
como alguém que tem a admiração dos colegas e “enorme respeito” na Força. Paulo
Sérgio de Oliveira, ex-comandante do Exército e ex-titular da Defesa, teria um
histórico “impecável e distinto” como militar.
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, ingressou na Força
ainda criança, aos 10 anos, como aluno de uma escola industrial, e sempre se
destacou, segundo seus advogados.
Os três militares da reserva, da mais alta patente, cumprem
pena em regime fechado após terem sido condenados por crimes de tentativa de
golpe de Estado, de abolição violenta do Estado democrático de Direito,
organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio
tombado.
As penas definidas pelo STF variam de 19 a 26 anos de prisão
–inferior apenas à do militar apontado como chefe do esquema, o ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos e três meses de prisão. A condenação
completa um ano no dia 11 de setembro. Os generais estão em celas improvisadas
em unidades militares, desde o fim de novembro.
É a primeira vez que a democracia brasileira pune e encarcera
militares que alcançaram as quatro estrelas por tentativa de golpe. Entre os
condenados está o general Augusto Heleno, 78, que cumpre a pena em casa por
sofrer da doença de Alzheimer.
Motivos das condenações
Braga Netto foi condenado por coordenar um “gabinete”
golpista após a derrota na eleição e por ter apoiado um plano que incluía o
assassinato do presidente Lula (PT) e do vice, Geraldo Alckmin (PSB). A
condenação de Garnier foi por ter colocado tropas da Marinha à disposição de um
golpe. Paulo Sérgio teria pressionado comandantes a aderirem ao impedimento da
posse de eleitos. Heleno foi condenado por chefiar um “gabinete de crise” e
orientado discurso contra as urnas.
Os quatro militares encaram as penas com irresignação,
segundo o ex-vice de Bolsonaro e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Ele
visitou Braga Netto e Paulo Sérgio. “Eles manifestam um sentimento de revolta”,
diz Mourão, que também é general de Exército.
A cela improvisada de Paulo Sérgio, 68, tem quarto, sala e
banheiro privativo, segundo quem o visita, e está anexa a gabinetes de generais
do Comando Militar do Planalto, em Brasília.
A rotina do general é extensa: ele cadastrou 35 visitantes,
todos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, responsável pelos
processos de execução penal e por definir as condições das prisões. Em pelo
menos três dias da semana, o militar recebe visitas da mulher, dos filhos
oficiais do Exército, de noras, netos ou de amigos de farda.
Para presos comuns no Complexo da Papuda, no Distrito
Federal, são permitidos 11 cadastros de visitantes. As visitas regulares devem
ocorrer às quartas e quintas-feiras.
Nos banhos de sol, Paulo Sérgio, 68, faz fisioterapia e
atividades físicas. Uma vez por semana, recebe atendimento psicológico.
Um plano de trabalho foi desenvolvido pelo comando para o
general, de forma a garantir a remição da pena. Ele revisa, cataloga e faz
análise de obras da biblioteca do Exército.
À distância, com acesso a computador, Paulo Sérgio cursa
administração hospitalar. Moraes atendeu a um pedido do general e permitiu
ainda que ele faça o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Garnier, 65, que cumpre pena nas dependências do gabinete do
comandante de Operações Navais, na Estação Rádio da Marinha em Brasília, recebe
visitas semanais de dois médicos da Força, faz exames e recebe atendimento
odontológico no Hospital Naval.
A Garnier foi permitido ler os livros que já existiam na
biblioteca da unidade militar. Ele prefere livros religiosos: resenhou “O agir
invisível de Deus” e “Como Deus transforma tristeza em alegria”. Os capitães
que avaliaram suas resenhas descontaram poucos décimos das resenhas do
almirante que já comandou a Marinha, por erros de ortografia.
Negativas de Moraes
O comando do lugar queria que um soldado fosse autorizado a
cortar o cabelo do general, mas Moraes negou. A Força também quis emplacar uma
atividade nobre para o almirante, com análises sobre a capacidade defensiva do
país diante do “mutante cenário geopolítico”. O ministro negou esse tipo de
trabalho. Garnier passou, então, a fazer revisão gramatical e tradução.
Já com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência
em curso, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, pediu
autorização para visitar o almirante. Esses pedidos se deram em julho e agosto.
Marinho não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o teor das
visitas.
Na 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar, no Rio, Braga
Netto — ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e ex-candidato a vice na chapa
derrotada em 2022 — também recebeu visitas de bolsonaristas, ex-colegas de
Esplanada. Foram autorizados os ex-ministros da Saúde Marcelo Queiroga e
Eduardo Pazuello (general da reserva e deputado federal) e a senadora Damares
Alves (Republicanos-DF).
Braga Netto, 70, passou praticamente o primeiro semestre
inteiro sem trabalhar, sem ler e sem estudar. Fez pouca atividade física,
recebeu alguma assistência religiosa e não teve atendimento psicológico.
Em nota, o Exército disse que as condições de custódia são
definidas e fiscalizadas conforme orientação do STF, em respeito a “parâmetros
de segurança, salubridade e dignidade da pessoa humana”.
“Eventuais visitas e atendimentos de saúde, ressalvados os
casos emergenciais, dependem de prévia autorização judicial”, disse a Força. “A
assistência religiosa, o acesso à leitura, as atividades laborais e as demais
medidas observam estritamente a legislação e as decisões do juízo da execução
penal, sendo aplicadas a todos sob custódia.”
A Marinha e as defesas dos quatro militares não responderam
aos questionamentos. A reportagem pediu às defesas para entrevistar os quatro
generais. O advogado de Garnier disse que não há interesse. O de Heleno afirmou
que o general não está disponível para entrevistas. Os demais não responderam.
“Em termos de localização, Braga Netto é o que está em pior
condição. É longe e o deslocamento da esposa, que vive em Copacabana, e da
família, em Niterói, é inseguro”, diz o senador Mourão. O general afirma, no
entanto, que as instalações oferecidas aos dois generais de Exército são boas,
com quarto e sala e direito a horário de sol.
“Em algum momento, esse processo vai ser anulado, com ou sem
anistia”, diz o ex-vice-presidente. “Isso vai se dar por revisão no STF ou lei
de anistia no Congresso. E diante de um Congresso mais à direita, o próprio
presidente da República não vai bloquear isso.”
Sem anistia, generais terão direito ao regime semiaberto a
partir de 2031 ou 2032.
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Com informações Folhapress/Via Portal ICL Notícias.






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