ELEIÇÕES 2026: MULHERES NEGRAS DIVULGAM MANIFESTO PARA CANDIDATURA; ENTENDA
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| (crédito: foto reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 8h10 desta sexta-feira, 28 de agosto de 2026.
“Levanta povo, cativeiro já acabou!". O chamado é um dos
versos da canção "Cangoma me Chamou", gravado pela cantora Clementina
de Jesus, e que, nesta quarta-feira (26), mobilizou ativistas e lideranças
negras, em Brasília, no lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do
Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026, coordenado pela Articulação de
Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).
O documento propõe a construção de um sistema político focado
no Bem
Viver, com justiça, equidade, solidariedade e vida digna no
centro das decisões e da formulação de políticas públicas efetivas.
A proposta do feminismo negro, voltada para a emancipação, a
inclusão e o exercício da cidadania, coloca as mulheres pretas e pardas no
centro do processo político, como cidadãs, eleitoras, lideranças em seus
territórios e candidatas a cargos políticos e outros espaços de poder.
O manifesto defende que é preciso que as mulheres negras não
sejam vistas apenas como sujeitas destinatárias das ações voltadas para a
diminuição das desigualdades. Elas querem ir além.
“É fundamental que a nossa importância na vida política seja
vista no âmbito da nossa capacidade de gestão e de imaginação, o que torna
nossa presença nas casas legislativas e no executivo prioridade absoluta”, diz
o texto do manifesto político.
Cientes do peso decisivo das mulheres negras nas eleições
deste ano, elas querem amplificar a voz coletiva em defesa das causas das
pessoas pretas e pardas, como relata Isabel Faroni, diretora do Instituto
Akanni. A instituição é focada em direitos humanos, gênero e raça, de Porto
Alegre, que representa a coordenação da Região Sul junto à articulação.
“Precisamos ter voz, sermos ouvidas. O manifesto é uma
proposta de sociedade maravilhosa, porque a gente gosta da partilha justa e do
cuidado mútuo.”
Pacto do Bem Viver
Na reafirmação do Pacto do Bem Viver, a coordenadora nacional
da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Jolúzia Batista, explica que a
luta do manifesto é por igualdade, justiça e reparação, a fim de corrigir
desigualdades estruturais originadas por mais de três séculos de escravidão no
Brasil.
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Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras
lança o manifesto "Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem
Viver". Foto - Marcelo
Camargo/Agência Brasil. |
Candidatas negras e representatividade
O documento enfatiza que o racismo e o sexismo ainda
influenciam as disputas eleitorais e propõe medidas para enfrentar essas
desigualdades estruturais.
Em Brasília, o grupo criticou a desvalorização das mulheres
pelos partidos políticos e a baixa destinação de recursos do Fundo Partidário e
do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo
Eleitoral.
As representantes divulgaram a hashtag #EuVotoEmNegra, da
campanha nacional, com mesmo nome de incentivo à representatividade e à
presença de mulheres negras na política brasileira.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas
Eleições Gerais de 2026, do total de candidaturas (20.560), no recorte de raça
e cor, as mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, equivalentes a 6% do total
e 2.485 (12,2%) são candidatas pardas.
Os percentuais contrastam com a composição da população
brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
Anual (Pnad Contínua) de 2021, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), 28,2% da população brasileira, ou cerca de 58 milhões de
pessoas, eram mulheres negras.
Ao público, a coordenadora de Combate ao Racismo e Todas as
Outras Formas de Discriminação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais
e promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus lamentou que a participação
de servidoras negras nos quadros do Ministério Público também seja
desequilibrada.
De acordo com Perfil Étnico-Racial do Ministério Público
Federal, entre 13 mil membros do MP de todo o país, apenas 0,7% (81 mulheres)
são procuradoras e promotoras pretas.
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Secretária-executiva da Articulação de Organizações de
Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré. Foto: Marcelo Camargo/Agência
Brasil. |
Segundo Nádia Estela, a publicação do manifesto político é
uma convocação para a transformação da sociedade.
“Falar em reparação, em justiça racial e bem viver, é falar
sobre a democracia, sobre direitos instituídos na nossa Carta Magna
[Constituição Federal de 1988] e sobre quais vidas e quais sujeitos queremos
colocar à frente da construção do nosso país”, disse a promotora de Justiça.
Guerra híbrida
Durante a apresentação da lista de compromissos, as mulheres
contextualizaram o cenário político das eleições em outubro deste ano e
apontaram a existência de uma guerra híbrida, em nível global e nacional, para
desconstruir direitos humanos e sociais, atacando diretamente grupos
historicamente marginalizados (mulheres negras, população LGBTQIA+, comunidades
tradicionais e periféricas).
A coordenadora executiva da Articulação de Mulheres Negras
Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, ressaltou o direcionamento tendencioso do
debate público na internet. “Chamamos essa estratégia ‘tecno autoritarismo’,
porque perpassa a gestão das big techs sobre o que é entregue ou não de
informações políticas.”
Brasília (DF),
26/08/2026 - A secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres
Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, durante o ato de lançamento do
Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
Segundo Janira, a guerra híbrida vende a perda de garantias
históricas como se fosse um avanço social. Como exemplo, ela citou a defesa do
fim do emprego formal como uma suposta vantagem para o trabalhador. Para ela,
essa narrativa contribui para enfraquecer conquistas sociais.
“É o ataque da ultradireita em relação a um projeto de bem
viver, que é o bem-estar social. Essa é a construção que a gente almeja e
sonha. Tem setores que são contrários, na verdade, odiosos, em relação aos
direitos dessas populações diversas e múltiplas”, afirmou Janira Sodré.
Além da promoção do discurso de ódio no ambiente virtual, a
ativista negra destaca os ataques presenciais a serviços públicos (escolas,
universidades, postos de saúde) e a servidores que garantem direitos sociais
coletivos; e a atuação da milícia, do narcotráfico e de civis armados
[paramilitares] nos territórios urbanos vulnerabilizados, onde a maior parte da
comunidade é negra.
Janira Sodré também cita a estratégia de disputa pelas
comunidades pobres utilizando modelos teológicos e pastorais para construir uma
base social de apoio.
Para contrapor-se à estratégia, a coordenadora executiva da
AMNB explica o que espera dos eleitos nas urnas. “Espero que o Estado chegue
com uma presença de bem-estar e de oferta de bens e de serviços de cidadania
para garantia de direitos, tomando decisões, inclusive orçamentárias, e de
equipe que façam incidência em políticas públicas para nossa comunidade.”
Construção coletiva de geraçõesO lançamento do manifesto
promovido pela AMNB reuniu mulheres negras pioneiras, de meia-idade e jovens
para firmar um pacto intergeracional com o objetivo de fortalecer a ocupação de
espaços estratégicos de decisão.
Uma das participantes foi a mestranda e engenheira ambiental
e sanitarista, Caiene Reinier Freitas, bolsista do programa Marielle Franco, do
Fundo Baobá, que trabalha pela equidade racial.
Essa população tem a expectativa de vida de apenas 35 anos,
metade da longevidade de pessoas cis, segundo mapeamento da Associação Nacional
de Travestis e Transexuais (Antra). Mesmo diante do risco, Caiene Reinier
celebra o fato de que jovens mulheres trans negras e travestis ocuparem
universidades, parlamentos e disputas políticas.
“Ocupar os espaços de decisão é o que realmente materializa
essas representatividades, essas ‘mulheridades’ [diferentes formas de vivenciar
a experiência de ser mulher] tão potentes.
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Com informações Portal Agência Brasil.









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