BOAS NOVAS: ‘COM PILOTOS BRASILEIROS CAÇA GRIPEN F BIPOSTO DA FAB FAZ SEU PRIMEIRO VOO TESTE NA SUÉCIA’; CONFIRA


(foto reprodução 'Meta IA'/Crédito Sociedade Militar)



Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 21h20 deste sábado, 29 de agosto de 2026.

A versão para dois assentos do caça Gripen representa um novo marco no programa desenvolvido por Brasil e Suécia por acelerar a formação de pilotos unificando o treinamento operacional e a capacidade de combate em uma única plataforma

A fabricante sueca Saab atingiu mais um marco importante do programa do caça Gripen, aeronave escolhida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para compor o principal vetor da defesa aérea do país nas próximas décadas e desenvolvida em conjunto com a indústria brasileira. O caça Gripen F biposto, variante do Gripen E com capacidade de dois assentos, realizou o seu primeiro voo com sucesso na Suécia no dia 28 de agosto de 2026, comprovando a maturidade tecnológica do projeto enquanto o Brasil amplia a parceria com a Saab para produzir mais caças em solo nacional.

O voo foi realizado no aeródromo da Saab, em Linköping, pelo piloto-chefe de testes da companhia, Jakob Högberg, e pelo piloto de testes da Força Aérea Brasileira, tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos. Conforme comunicou a Saab, a missão inaugural confirmou com sucesso o funcionamento dos sistemas centrais da aeronave e seu desempenho inicial em voo. A aeronave já conta com a caracterização da FAB na fuselagem.

O voo inaugural representa o início da fase de testes em voo do caça e de sua campanha de ensaios. O primeiro caça Gripen F foi apresentado oficialmente pela Saab no início de junho. A variante de dois lugares foi desenvolvido em parceria do Brasil com a Suécia, com forte atuação da FAB e da Embraer, para unificar o treinamento operacional e a capacidade de combate em uma única plataforma.

Segundo a fabricante, mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram de atividades de treinamento relacionadas ao desenvolvimento, produção, testes em voo e manutenção do caça Gripen F.

Após os voos iniciais de aceitação da produção, o programa do Gripen F avançará para uma fase progressiva de ampliação do envelope de voo, na qual todos os limites de desempenho da aeronave — incluindo velocidade, altitude, carga G e ângulo de ataque — serão gradualmente validados, comunicou a Saab. Paralelamente, também serão avaliadas as capacidades táticas e as funções específicas do cockpit traseiro da configuração de dois assentos.

A campanha de ensaios será conduzida pelo Centro de Testes de Voo da Saab, na Suécia. Após a conclusão das atividades previstas e dos procedimentos de aceitação da aeronave, o Gripen F será preparado para ser entregue à Força Aérea Brasileira.

Versão biposto representa salto no progama Gripen

A versão biposto do caça Gripen representa um salto na maturidade operacional do programa da aeronave de combate, acelerando a conversão e treinamento preparatório de pilotos da FAB de maneira significativa em comparação aos prazos convencionais. A adição de um segundo cockpit totalmente independente permite a execução de missões orientadas por instrutores em um caça plenamente operacional, proporcionando aos pilotos condições reais de missão.

Ao mesmo tempo, a versão Gripen F amplia a eficácia operacional em ambientes de alta ameaça, graças à divisão da carga de trabalho e à maior capacidade de comando da missão. Isso pode ser particularmente relevante em cenários que envolvam gerenciamento de sensores, armas, guerra eletrônica, comando e controle e, futuramente, integração com sistemas não tripulados.

 

 

Como cliente lançador, o Brasil participou do codesenvolvimento da variante e da definição de requisitos, algo bastante diferente de simplesmente comprar uma aeronave pronta.

O Gripen F pode atingir velocidades de até 2,4 mil km/h, o equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som (Mach 2), e tem autonomia de até duas horas e meia de voo. O caça conta ainda com sistema de reabastecimento em voo (REVO), ampliando a autonomia, atuando em conjunto com o cargueiro multimissão KC-390, desenvolvido pela Embraer, que tem capacidade para fornecer abastecimento aéreo.

Brasil assume protagonismo na produção do caça

O programa Gripen começou como uma encomenda feita em 2014 de 36 aeronaves (28 Gripen E e 8 Gripen F) para a FAB, com entregas iniciadas em 2020, mas evoluiu para algo muito maior: transferência de tecnologia, capacitação de engenheiros brasileiros, produção local e participação da Embraer em uma cadeia tecnológica de alto nível.

O ano de 2026 representa um marco importante para o programa, com a entrega do primeiro Gripen E totalmente fabricado no Brasil, no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto (SP). A entrega representou o início de uma nova era para a indústria aeroespacial de defesa no Brasil, com a primeira aeronave de combate supersônica montada e fabricada totalmente em solo brasileiro. O Brasil é o único país, além da Suécia, a adquirir a capaciade de fabricar a série Gripen.

Com o isso, o Brasil passa de cliente do Gripen a parceiro de desenvolvimento e produção, posição muito mais relevante para futuras encomendas e para a eventual participação brasileira em novas evoluções da família.

Produção pela Embraer será ampliada

Em julho, a Embraer fechou um acordo com a Saab para produzir mais 20 caças Gripen na fábrica em Gavião Peixoto. As aeronaves serão montadas no interior de São Paulo para complementar a linha de produção sueca, e atender à demanda global pelo modelo.

O complexo industrial de Gavião Peixoto é considerado um dos principais polos aeroespaciais do país e reúne atividades de fabricação, montagem e testes de aeronaves, tornando-se estratégico para a Saab em sua expansão global visando novos clientes para a plataforma Gripen.

Versão biposto do Gripen amplia a capacidade de treinamentos da plataforma. Foto: Saab

Além do Brasil e Suécia, lançadores do programa Gripen, Tailândia e Colômbia já possuem encomendas para novas unidades do caça, demanda que o Brasil poderá ajudar a suprir com a fabricação nacional em parceria com a Saab.

Tailândia: encomenda para três aeronaves Gripen E e uma Gripen F (US$ 550 milhões).

Colômbia: contrato para 15 aeronaves de combate Gripen E monoposto e duas aeronaves de combate Gripen F (US$ 3,9 bilhões).

Recentemente, a Ucrânia firmou um acordo com a Suécia para adquirir até 20 Gripen E/F e receber outras 16 aeronaves mais antigas (Gripen C/D) doadas como ajuda militar enquanto os novos jatos não são entregues. A encomenda do governo ucraniado coloca o Gripen em destaque como plataforma madura para operação em um ambiente de guerra, diante do conflito iniciado com a invasão russa em 2022, e pode abrir portas para que outros paíeses europeus avaliem a aquisição do caça.

Gripen é destaque na América do Sul

Até o momento 11 aeronaves Gripen E já foram entregues para a FAB. O novo caça da FAB comprovou sua maturidade operacional em destacamentos com o Exercício Salitre 2026, realizado no Chile entre 29 de junho e 11 de julho, que marcou a estreia internacional da aeronave em manobras multinacionais fora do Brasil.

O Gripen é amplamente considerado o caça mais avançado e moderno em operação na América do Sul, contando com aviônica avançada, radar AESA de varredura eletrônica e alta capacidade de fusão de dados em tempo real, preparado para os cenários de guerra eletrônica com o avanço das ferramentas de Inteligência Artificial.

Durante o Exercício Salitre 2026 no Chile, os Gripen da FAB consolidaram o papel estratégico do Brasil no cenário de defesa latino-americana, colocando-a como uma força aérea em processo de modernização tecnológica, capaz de integrar seus caças de última geração a operações aéreas multinacionais de alta complexidade e destacar-se na interoperabilidade com as forças aliadas.

O caça brasileiro testou sua capacidade de combate junto aos F-16 Fighting Falcon da Força Aérea dos Estados Unidos e da Força Aérea do Chile, além dos F-5 Tigre III chilenos, IA-63 Pampa III argentinos e A-29 Super Tucano empregados por Chile, Colômbia e Paraguai.

O desenvolvimento do Gripen F com seu primeiro voo de teste realizado na Suécia traz uma nova dimensão ao programa e permitirá à FAB continuar avançando na consolidação da aeronave com a preparação de pilotos ao mesmo tempo em que aprimora a transferência tecnológica que marca um salto na capacidade de defesa do país com a produção de um caça supersônico com a assinatura brasileira.


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Com informações Revista Sociedade Militar. 


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