MILITARES DESAFIAM “REGRA DE SILÊNCIO”, TROPA VAI DIRETO AO SENADO, SEM PASSAR PELOS COMANDOS E MINISTÉRIO DA DEFESA; CONFIRA
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| (Foto: militares levando petições ao Poder Legislativo/Imagem reprodução Socieddade Miliatar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 22h40 desta quinta-feira, 16 de julho
de 2026.
Embora a Constituição de 1988 proíba o Congresso de criar
leis de aumento para os militares, petição de 19 mil assinaturas no Senado abre
caminho para convocações ministeriais e propostas de isenção de Imposto de
Renda e financiamento imobiliário subsidiado.
Uma mobilização silenciosa, mas extremamente expressiva, está
sacudindo os alicerces do Ministério da Defesa e do Congresso Nacional. A Ideia
Legislativa nº 218378, protocolada no portal e-Cidadania do Senado Federal,
ultrapassou a marca histórica de 19.300 apoios e aproxima-se rapidamente de se
tornar algo realmente gerador de consequências.
O movimento digital, que exige um reajuste anual com correção
da inflação para as Forças Armadas, aproxima-se rapidamente do teto de 20 mil
assinaturas. Ao atingir esse índice, a proposta deixa de ser uma mera petição
virtual e passa a tramitar formalmente como Sugestão Legislativa na Comissão de
Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado.
O avanço desse projeto incomoda profundamente a cúpula das
Forças Armadas e a classe política. Tradicionalmente, as demandas de defesa são
tratadas de forma estrita pelos canais de interlocução entre os Comandantes de
Força (Marinha, Exército e Aeronáutica) e o Palácio do Planalto. Ao utilizarem
um canal de participação popular direta, as bases e pensionistas aplicaram um
verdadeiro drible institucional na alta hierarquia militar.
No governo passado o General Rego Barros, então porta voz do
presidente da república, em pronunciamento feito em 19 de março de 2019,
mencionou uma “regra de silêncio” que vigora na caserna, que especifica que as
categorias de base (estamentos mais inferiores) não podem se dirigir à
sociedade para esclarecer sobre questões relacionadas a remuneração dos
militares, disse que os “chefes militares” devem fazer isso por dever de
justiça e princípios de liderança.
“as Forças Armadas, elas são pautadas pela hierarquia e
disciplina.
E as nossas Forças Armadas historicamente se valem desses
dois pilares para a construção dessa confiabilidade que chega 80%. Os chefes
militares compreendem as necessidades dos seus subordinados e são os
interlocutores junto ao governo dessas demandas e dessas necessidades. Então,
não se faz necessário que os estamentos mais inferiores da nossa carreira
tenham a oportunidade de apresentar, de iluminar diretamente a sociedade. Os
chefes militares são responsáveis por isso, e fazem isso por dever de justiça e
por princípio de liderança “, disse o oficial general
Os 3 pilares da reivindicação e o fantasma da Lei 13.954/2019
A proposta protocolada no Senado sustenta-se em três pontos
considerados cruciais para frear o empobrecimento da família militar:
Garantia de reajuste anual inflacionário: aplicação
simultânea e equânime dos índices de aumento concedidos aos Servidores Públicos
Civis Federais;
Recuperação de perdas históricas: reajuste complementar
imediato que cubra as perdas inflacionárias acumuladas e não compensadas;
Piso real para as praças: garantia de que o soldo de recrutas
e soldados se mantenha com margem real acima do salário mínimo nacional.
O pano de fundo dessa revolta remonta à polêmica Lei nº
13.954 de 2019. Conhecida nos quartéis como a “reestruturação que dividiu a
tropa”, a legislação é duramente criticada pelas praças por ter, supostamente,
beneficiado o topo da carreira (oficiais-generais) com gratificações robustas,
enquanto achatou pensões e salários da base por meio de novas alíquotas de
desconto de previdência militar.
Da Vida de concurso para o volante do Uber: uma evasão
silenciosa
A crise salarial militar não se resume a estatísticas frias;
ela deteriora a dignidade diária de quem jurou defender a Pátria com a própria
vida. Relatos frequentes na Revista Sociedade Militar evidenciam sargentos e
cabos recorrendo a atividades informais, como dirigir para aplicativos de
transporte (Uber) e realizar “bicos” de segurança privada nas horas de folga,
apenas para comprar comida e remédios.
Comparação recorrente e dolorosa para a tropa é o fato de
garis temporários do Rio de Janeiro, em certas circunstâncias de benefícios
acumulados, receberem vencimentos superiores aos de militares concursados de
carreira da Marinha do Brasil.
O Limite da CF/88: o legislativo não pode criar leis sobre o
soldo dos militares
Existe um obstáculo constitucional intransponível que impede
os senadores de transformarem essa petição diretamente em lei de reajuste. De
acordo com a Constituição Federal de 1988, a iniciativa de leis que disponham
sobre a remuneração, carreira e regime jurídico dos militares das Forças
Armadas é de competência privativa e exclusiva do Presidente da República.
O Poder Legislativo está juridicamente de mãos atadas para
iniciar qualquer projeto de lei que mexa na tabela de soldos. Essa regra da
reserva de iniciativa do Poder Executivo impede que o Congresso aprove
reajustes salariais por conta própria, justamente para preservar o equilíbrio
fiscal e o planejamento orçamentário da União.
Entretanto, se engana quem pensa que a regra anula a
magnitude da ideia legislativa, que tem tudo para em poucos dias passar dos 20
mil apoios necessários bem antes do prazo final, que é 27 de agosto de 2026. O
Senado possui ferramentas políticas e regimentais bastante poderosas capazes de
contornar a barreira jurídica e emparedar o Palácio do Planalto.
Convocação, indicação e socorro fiscal: as “armas” do Senado
Uma vez atingidos os 20 mil apoios e aprovada a sugestão na
CDH, o Senado Federal, após senadores se debruçarem sobre o tema, pode acionar
um arsenal de medidas de pressão política imediata que causarão forte desgaste
ao governo federal.
Notificação oficial e indicação parlamentar
A comissão do Senado pode formular uma Indicação Legislativa
direcionada ao Poder Executivo. Trata-se de uma notificação formal do
parlamento ao Governo Federal sugerindo, em caráter de urgência, o projeto de
reajuste e as mudanças salariais pleiteadas pelas praças.
Embora não seja impositiva, a medida força a Presidência da
República a se posicionar publicamente sobre a pauta da Defesa.
Convocação dos chefes militares e da Defesa
O Senado tem o poder de convocar o Ministro da Defesa e os
comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para prestarem depoimentos
em audiências públicas. Diante das câmeras e dos parlamentares, a alta cúpula
militar será obrigada a explicar os motivos que levaram milhares de militares
das Forças Armadas a se dirigirem diretamente aos senadores, ao invés de
aguardar que seus chefes providenciem a solução dos problemas que afligem a
tropa.
Medidas alternativas e paliativas de alívio
Como o Congresso não pode dar aumento direto, o Senado pode
propor e aprovar providências alternativas de mitigação para atenuar o peso da
inflação que recai sobre a tropa. Entre as medidas técnicas viáveis estão:
Redução ou Isenção do Imposto de Renda: benefício fiscal já
solicitado para outras categorias profissionais em vulnerabilidade
inflacionária;
Financiamentos Habitacionais Especiais: criação ou ampliação
de linhas de crédito imobiliário subsidiadas pelo governo para facilitar o
acesso à casa própria para sargentos, cabos, soldados e pensionistas;
Subsídios alimentares e assistenciais: fortalecimento de
programas de assistência social interna para conter o avanço do custo de vida.
O recado das bases
A união digital da família militar é uma evidência de que o
silêncio da tropa têm limites claros.
Mesmo cientes de que a caneta do aumento pertence
exclusivamente ao Presidente da República, militares, pensionistas e veteranos
encontraram no e-Cidadania o megafone ideal para expor ao país que a soberania
nacional não pode ser mantida sob o regime da miséria salarial.
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Com informações Revista Sociedade Militar.










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