MARINHA DO BRASIL: DECLARAÇÃO DE QUE A MARINHA COMPRA NAVIOS VELHOS E DESVIA VERGA PARA PINTÁ-LOS LEVA A PROCESSO CONTRA DOIS CABOS
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| (crédito: imagem confeccionada por Meta IA para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicadas às 7h20 desta quinta-feira, 16 de julho
de 2026.
MPM aponta acusação de peculato envolvendo reforma de navios
usados
Declaração de que a Marinha compra navios velhos e desvia
verba para pintá-los leva a processo contra dois cabos
Navios de guerra da Marinha do Brasil docados para reparo no
Arsenal de Marinha
A Justiça Militar da União aceitou a denúncia do Ministério
Público Militar (MPM) e tornou réus dois cabos reformados da Marinha por
publicações com críticas severas a comandantes da instituição. O cabo reformado
e advogado Adriano Carvalho da Rocha e o cabo reformado Marcelo Luiz Martins
responderão por crimes como calúnia e ofensa às Forças Armadas.
A primeira audiência do caso, designada como de instrução,
com o depoimento de testemunhas e o interrogatório dos réus, foi marcada pelo
juiz federal Carlos Henrique Reiniger para o dia 5 de agosto de 2026, no âmbito
da Ação Penal Militar – Procedimento Ordinário Nº 7000871-77.2026.7.01.0001/RJ.
Adriano Rocha responderá por calúnia, difamação, injúria e
ofensa às Forças Armadas. Marcelo Martins é réu por calúnia e ofensa às Forças
Armadas.
“Designo o dia 05 de agosto de 2026, com início previsto para
às 13h45, para audiência de declarações dos ofendidos, oitiva de testemunha
arrolada pelo Ministério Público Militar, da Defesa, se houver, e
interrogatórios. – Oitiva do Alte.
Marcos Sampaio Olsen, às 14h; e – Oitiva do Alte. Carlos Chagas Vianna Braga,
às 14h30″.
A denúncia é assinada pela procuradora de Justiça Militar
Hevelize Jourdan. Segundo o MPM, as postagens “extrapolam a liberdade de
expressão” e imputam falsamente práticas criminosas e esquemas de desvio de
verbas sem comprovação.
A defesa invoca a Lei nº 7.524/1986, que assegura aos
militares inativos a manifestação de pensamento e opinião políticos ou
filosóficos. Caberá à Justiça decidir se as publicações permaneceram no campo
da crítica protegida ou se configuraram os crimes apontados pelo MPM.
O “X” da questão: compra de navios de segunda mão no exterior
A acusação de calúnia contra os militares decorre
principalmente de um vídeo publicado em dezembro do ano passado. Na gravação,
um dos cabos, Marcelo Martins, afirma que um navio que a Marinha comprou na
Inglaterra é “velho” e que o grupo de recebimento enviado ao exterior serve
apenas para “pintar ferrugem”.
No mesmo vídeo, Martins afirma: “Almirante Olsen, é mentira,
é navio velho! Não engana a população não, que é feio. Gasta milhão de dólares,
paga salário alto, porque lá é libra, mas tem que pagar a guarnição para ir
buscar navio velho. É uma vergonha! Tem aqui ó estaleiro para fazer navio novo
aqui, mas vocês não querem, vocês querem navio velho, para depois ficar
desviando verba para pintar navio velho aí, reformar um montão de empresa
terceirizada aí que faz essa reforma desse navio aqui tudo de máfia, tudo
mentira, viu“.
As declarações, apesar de polêmicas, trazem à tona um debate
técnico e de planejamento estratégico há muito discutido nos bastidores da
Defesa. Militares ouvidos pela reportagem da Revista Sociedade Militar sob
condição de anonimato mencionam que de fato a Marinha incorporou nas últimas
décadas navios com longo período anterior de utilização. O NAe São Paulo, por
exemplo, tinha cerca de 37 anos quando foi incorporado pelo Brasil.
NDCC Mattoso Maia: o ex-USS Cayuga tinha aproximadamente 24
anos de serviço quando foi incorporado à Marinha do Brasil, em 1994.
NAe São Paulo: o antigo porta-aviões francês Foch tinha cerca
de 37 anos quando foi incorporado pelo Brasil, em novembro de 2000.
Almirantes rebatem críticas de peculato e termos
depreciativos
Segundo reportagem do G1, Martins manteve suas declarações,
alegando que esses navios exigem reformas caras e geram lucros para empresas
terceirizadas.
Segundo o Ministério Público Militar, ao falar em desvio de
verba para pintar navios usados e em um suposto esquema irregular, as
publicações imputaram falsamente o crime de peculato ao comandante da Marinha,
almirante de esquadra Marcos Olsen.
Adriano Rocha responde ainda por difamação e injúria devido a
outra publicação que satiriza o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais,
almirante de esquadra Carlos Chagas Vianna Braga. De acordo com o MPM, Rocha
divulgou uma foto do oficial ao lado da cantora Jojô Todynho durante uma
formatura, referindo-se a ele como “anão festeiro” e acusando a Marinha de
viver sob uma “ditadura macabra”.
Postagem no Perfil Adriano Rocha no Instagram - captura de
tela em 15 de julho de 2026
Postagem no Perfil Adriano Rocha no Instagram – captura de
tela em 15 de julho de 2026
Caso da Filmagem no 1º Distrito: testemunha da Marinha
considera “forte” falar em risco externo
Paralelamente a essa nova denúncia, Adriano Rocha responde a
uma ação penal militar ainda em curso, na qual é acusado de colocar a segurança
nacional em risco. O processo decorre de um episódio em que o cabo e advogado
realizou gravações em vídeo no entorno do prédio do Comando do Primeiro
Distrito Naval, no Rio de Janeiro.
“RECURSO EM SENTIDO ESTRITO N.º 7000864-52.2025.7.00.0000 –
DIREITO PENAL MILITAR, CRIMES CONTRA A SEGURANÇA EXTERNA DO PAÍS, ART. 147, CPM
– DESENHO OU LEVANTAMENTO DE PLANO OU PLANTA DE LOCAL MILITAR”.
Entretanto, episódio curioso no decorrer do processo, o
depoimento de uma testemunha central da acusação, o oficial superior que atuava
como chefe do departamento de segurança orgânica do distrito na ocasião, acabou
por beneficiar a tese defensiva:
Inexistência de risco externo: Questionado formalmente pela
autoridade judicial se a filmagem representava uma ameaça à defesa ou soberania
do país frente a potências estrangeiras, o oficial superior minimizou a
gravidade e descartou a hipótese de risco à soberania nacional.
Segurança Orgânica Local: A testemunha explicou que, embora
existissem placas proibindo registros de imagem devido à proximidade de uma
escoteria com armamentos e salas de reuniões, haveria risco para a segurança
interna ou “orgânica” daquela organização militar específica.
“Segurança externa do país, eu acho um pouco… um pouco forte,
mas, há um risco para a segurança interna, segurança orgânica do… do Comando do
Primeiro Distrito”, declarou o oficial superior em juízo.
Como as imagens captadas de dentro do perímetro também podem
ser registradas a partir da calçada pública externa, que dá acesso ao Museu do
Amanhã, por onde passam milhares de pedestres todos os dias, o testemunho
técnico é bastante relevante diante da acusação formulada contra o advogado.
Ouvido pela Revista Sociedade Militar, o advogado e cabo da
Marinha reformado, Adriano Rocha, mencionou que há um “lawfare” contra ele, uma
perseguição por conta de sua atuação voltada a defesa de direitos da categoria
militar.
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Com informações Revista Sociedade Militar.










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