JAQUE WAGNER DEIXA LIDERANÇA DO GOVERNO NO SENADO APÓS SER ALVO DA POLÍCIA FEDERAL; CONFIRA
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(crédito: Adriano Machado / Reuters) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada à 1h20 desta quinta-feira, 25 de junho de
2026.
Senador resistia a se afastar do posto, mas saída foi
consumada depois de reunião com Lula. Wagner é um dos aliados mais próximos do
presidente e nega envolvimento com caso
O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu nesta quarta-feira
(24) deixar o cargo de líder do governo no Senado. Ele estava pressionado a
sair do posto depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por
suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Wagner resistia à ideia de deixar a liderança do governo. Sua
saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente
Lula (PT). O chefe do governo estudava demitir seu aliado, mas preferia que o
próprio senador tomasse a iniciativa de se afastar.
Lula, que concorrerá à reeleição neste ano, quer evitar que
sua candidatura seja contaminada pelo escândalo do Banco Master.
Na última segunda-feira (22), a defesa de Wagner apresentou
recurso contra decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal
Federal), que autorizou a busca e apreensão nos endereços do senador. No
pedido, a equipe negou a acusação da PF de que Wagner tenha atuado em favor do
Master no Congresso Nacional e afirmou que há "erros graves" na
medida.
Com o recurso, a defesa procura, por exemplo, anular as
provas obtidas com a busca e apreensão em endereços do senador. Caso
Mendonça negue o pedido, os advogados devem recorrer à
Segunda Turma do Supremo.
A decisão de deixar o posto era esperada por parte dos
aliados de Wagner, como mostrou a Folha. O movimento é um gesto para tentar
preservar a gestão petista em meio a escândalo, que surpreendeu governistas.
Jaques Wagner ocupava o posto de líder do governo no Senado
desde o início do atual mandato de Lula. Foi anunciado ainda durante o governo
de transição, em dezembro de 2022. Ex-governador da Bahia, ele é um dos
principais nomes do PT no estado e um dos aliados mais próximos do presidente.
Lula e Wagner se conhecem há quase 50 anos e se tornaram
amigos ao longo dessas décadas. O senador foi um dos principais políticos que
mantiveram apoio ao hoje presidente da República quando ele foi preso, em 2018.
Interlocutores ouvidos pela Folha afirmam que o senador já
quis entregar a liderança duas vezes após derrotas do governo no Congresso, mas
Lula não teria deixado. A primeira tentativa de abandonar o cargo ocorreu com a
aprovação do PL da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL), e, depois, quando Jorge Messias teve sua indicação ao STF (Supremo
Tribunal Federal) rejeitada.
Agora, o governo teme que ação contra Wagner esvazie o efeito
de revelações sobre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que
também manteve relação com Vorcaro e chegou a pedir dinheiro ao ex-banqueiro
para financiar o filme sobre seu pai.
Lula já havia questionado Wagner, em reuniões privadas, sobre
notícias acerca de sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo
relatos, nessas ocasiões o senador tranquilizou o presidente, afirmando não
haver envolvimento com o caso.
A coluna Mônica Bergamo também apurou que o presidente já
estava preparado para a possibilidade de o escândalo do Banco Master atingir
pessoas do núcleo de seu governo, especialmente da Bahia, e já teria inclusive
ensaiado a resposta para dar.
A expectativa no Planalto é que Lula reitere discurso em
favor das operações iniciadas em seu próprio governo e faça um pedido de
explicações a Wagner.
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Com informações Folhapress.







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