ATENÇÃO: 'PROPOSTA DE REAJUSTE ANUAL PARA MILITAR DAS FORÇAS ARMADAS E PENSIONISTAS CORRE RISCO DE NÃO AVANÇAR POR FALTA DE APOIO'; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução Sociedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 21h55 desta terça-feira, 22 de junho de 2026.
Ideia legislativa busca restabelecer periodicidade que existia antes da Emenda Constitucional 19/1998 e prevê recomposição de perdas salariais acumuladas, mas adesão popular ainda é baixa
Uma ideia legislativa que propõe reajuste anual e periódico
para militares das Forças Armadas e pensionistas militares está disponível no
portal de participação popular do Senado Federal — e até agora reuniu apenas
4.300 apoios. O número chama atenção porque, segundo o advogado Augusto Leitão,
especializado em direito militar, em transmissão ao vivo em seu canal no
YouTube, a proposta é tecnicamente bem construída, mas carece quase por
completo de mobilização.
O texto da iniciativa, batizada de “Valorização do soldo dos
militares das Forças Armadas e reajuste anual inflacionário”, trata de duas
frentes distintas. A primeira é a criação de um mecanismo de atualização
periódica do soldo base, com um reajuste complementar que cubra a inflação
acumulada e não compensada por reajustes parciais anteriores nos últimos anos.
A segunda frente é mais ambiciosa: garantir que qualquer
índice de aumento concedido aos servidores públicos civis federais seja
aplicado, na mesma ocasião, aos militares das Forças Armadas. Na prática, isso
significaria recuperar uma regra que existiu no passado — quando o artigo 37,
inciso X, da Constituição Federal determinava que toda revisão geral de
remuneração fosse feita na mesma data, sem distinção entre categorias.
Essa equivalência terminou com a Emenda Constitucional nº 19,
de 1998, que retirou os militares da categoria de servidores públicos e os
passou a tratar como categoria própria. Desde então, segundo Augusto Leitão, os
reajustes dos servidores civis seguiram em ritmo mais frequente e mais alto que
os das Forças Armadas — um descompasso que a proposta tenta reverter.
A defasagem que a proposta quer corrigir
Há ainda um terceiro elemento no texto, talvez o mais
sensível: a recomposição de perdas salariais dos últimos anos, não apenas o
reajuste daqui para frente. Em vídeo anterior, Augusto Leitão calculou uma
defasagem de pelo menos 53% nos soldos militares e nos valores que compõem as
pensões militares, acumulada justamente pela ausência dessa periodicidade.
A proposta também especifica um ponto que afeta diretamente a
base da hierarquia: pede que o soldo de recrutas e soldados — os praças das
graduações iniciais, hoje entre os que recebem menos dentro da estrutura
militar — mantenha uma margem real acima do salário mínimo nacional, e não
apenas acompanhe seu reajuste.
Não é a primeira vez que uma pauta corporativa nasce
tecnicamente sólida e murcha por falta de pressão popular — o problema
raramente está no texto, está em quem aparece para apoiá-lo antes que vire
projeto de lei.
Por que o número de apoios importa tanto quanto o conteúdo
O modelo de iniciativa popular do Senado funciona de forma
escalonada: uma ideia legislativa precisa reunir apoios suficientes para se
tornar sugestão legislativa, ganhar texto formal, passar por comissão e só
então se transformar em projeto de lei numerado, pronto para tramitar no
Congresso Nacional. É exatamente o caminho que o PL 2557/2025 — que trata da
isenção de imposto de renda para militares, policiais militares e bombeiros —
já percorreu, somando hoje cerca de 79 mil apoios favoráveis e 47.927 contrários,
de acordo com o Senado Federal.
A proposta de reajuste anual, em contraste, ainda está no
primeiro degrau dessa escada. Sem volume de apoios, ela não avança para a fase
de sugestão legislativa, não ganha texto formal e não chega a tramitar como
projeto de lei — o que, na prática, mantém qualquer chance de mudança travada
antes mesmo de começar a ser discutida pelos parlamentares.
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A diferença entre os dois números — 4.300 contra quase 127
mil somando os dois lados do debate sobre o IR — ilustra um padrão recorrente
em pautas de categorias específicas: medidas que envolvem o bolso do
contribuinte de forma mais visível tendem a mobilizar rapidamente, enquanto
reivindicações técnicas, mesmo bem fundamentadas, dependem de quem já está
dentro da categoria afetada decidir se manifestar.
O que vem a seguir
Por ora, a proposta permanece na fase de ideia legislativa,
sujeita ao prazo e ao volume de apoios necessários no portal do Senado para
avançar à etapa de sugestão legislativa. Enquanto isso não ocorre, ela não tem
data, número de projeto, nem garantia de apreciação pelo Congresso Nacional. O
avanço — ou o arquivamento por falta de adesão — depende do volume de apoios
que a iniciativa conseguir reunir nas próximas semanas.
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Com informações Revista Sociedade Militar.







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