NO SALÃO OVAL, LULA TENTARÁ FREAR INGERÊNCIA DE TRUMP NA DEMOCRACIA BRASILEIRA
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| (crédito: foto reprodução para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 8h05 desta quarta-feira, 06 de maio de
2026.
Delegação brasileira vai dizer que "não existem
terroristas" no país e Lula pedirá fim de investigação comercial contra
país
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrar no Salão
Oval da Casa Branca, nesta quinta-feira, sua missão será apenas uma: desenhar
um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a
prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do
país contra ataques externos.
O ICL Notícias apurou que não há a previsão de um anúncio de
acordos ou o lançamento de projetos comuns. A meta é a de manter aberto o canal
entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais
espaços para ataques contra a soberania brasileira.
Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer
uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e
EUA, e o que seria considerado como uma ingerência.
As prioridades de Lula: não existem terroristas no Brasil
Mas Lula irá levar a mensagem de que classificar grupos
criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as
investigações comerciais contra o país.
O governo dirá com todas as letras: “não existem terroristas
no Brasil”.
Durante o encontro, a delegação brasileira levará dados do
combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o
terrorismo. Os membros do governo vão insistir que o Brasil “não tem grupos
terroristas”.
Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de
construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de
autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência
do governo dos EUA.
A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que
Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do
Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para
a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs,
de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações
encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.
Temas sobre a mesa
Do lado do Brasil, pelo menos dois temas estarão sobre a
mesa: comércio e crime organizado.
Lula quer ocupar o espaço do debate e se apresentar como o
interlocutor de Trump para lidar com as prioridades políticas da Casa Branca.
Mas, ao mesmo tempo, o Brasil negocia um arcabouço político que impeça atos que
possam ser considerados como intromissões indevidas dos EUA na agenda política
doméstica.
No tema relacionado ao combate ao crime organizado, os EUA
enviaram uma proposta concreta de cooperação com o Brasil. Mas vinha sendo
protelada pelo Palácio do Planalto. Inicialmente, a ideia de que grupos
criminosos como o PCC e o Comando Vermelho fossem declarados como entidades
terroristas foi apresentada pelos EUA. O Itamaraty, a Polícia Federal e o
Ministério da Justiça foram contra.
Lula vai insistir que não existem justificativas nem práticas
e nem políticas para que esses grupos brasileiros sejam classificados como
“terroristas”.
Ainda que essa declaração possa ocorrer por parte dos EUA,
diplomatas indicam que a viagem de Lula poderia “constranger” Trump a seguir
nesse caminho e frear o ímpeto bolsonarista.
Ele, porém, não quer deixar que o tema da segurança –
considerado como prioridade para muitos brasileiros nas eleições de 2026 –
fique nas mãos dos bolsonaristas. Por isso, o presidente vai levar dados
concretos de como a cooperação já funciona e que pode ser ampliada.
Uma vez mais, Lula quer apresentar isso como um sinal de que
o Brasil se apresenta como parceiro. Mas nem como submisso aos interesses de
Trump ou como adversário.
O Brasil buscava ainda incluir na agenda o combate contra a
lavagem de dinheiro e contra o tráfico de armas.
Comércio
No comércio, Lula irá mostrar que existe uma assimetria
profunda no fluxo de bens entre os dois
países, com amplas vantagens para os EUA. A viagem, assim, tem um caráter
preventivo.
Sua ideia é a de mostrar dados e fatos para conter duas
investigações que existem contra o país e que, se concluídas em julho, podem
resultar na volta da imposição de tarifas contra produtos brasileiros.
Mas a ausência de uma ampla delegação do setor privado
aponta, segundo observadores, que não haveria ainda espaço para garantir um
novo acordo.
Terras raras: acordo ainda não maduro
Na pauta de terras raras, o governo dos EUA deve pedir uma
maior aproximação com o Brasil. Lula, segundo a reportagem apurou, está pronto
para lidar com o tema. Mas as negociações não estariam maduras ainda para se
falar em um acordo.
Washington já enviou duas propostas diferentes. A primeira
delas, revelada com exclusividade pelo ICL Notícias, previa um acerto para o
Brasil e toda a região que permitisse que os norte-americanos ficassem com uma
reserva de mercado para os minérios críticos da região. Argentina, Bolívia e
outros toparam. O Brasil se recusou a assinar.
Um pacto bilateral foi então proposto ao Brasil. Mas, de
acordo com a apuração da reportagem, tratava apenas de uma cooperação ampla,
sem qualquer tipo de engajamento por parte dos EUA no desenvolvimento de um
processo de maior valor agregado em território brasileiro.
Situação de Venezuela, Cuba e Irã
A situações de Venezuela, Irã e Cuba também podem ser
tratada. Mas o governo brasileiro já indicou que essa não será sua prioridade e
que a conversa terá seus limites. A meta é a de focar em assuntos bilaterais.
Ainda que a estabilização de Caracas seja um ponto de
interesse de Lula e Trump, a forma pela qual a retirada de Nicolas Maduro foi
realizada foi vista pelo Planalto como um sinal negativo sobre como os EUA
estão dispostos a agir na região.
Sobre a crise em Havana, não há uma perspectiva de uma
convergência na posição dos dois líderes. Mas, assim como ocorreu em 2023
quando Lula esteve com Joe Biden, o Brasil acredita que é seu dever apresentar
sua posição sobre a situação.
Lula ainda pode pedir que Trump considere um acordo de paz
com o Irã
Como será a reunião
O formato do encontro também chama a atenção de observadores.
Se em algum momento existiu a perspectiva de que o encontro fosse ser
transformado em um ato de aproximação concreta entre os dois líderes, a agenda
e o comportamento da Casa Branca revelam que a viagem está sendo tratada de uma
forma mais pragmática.
Washington descreve o encontro como uma “reunião de
trabalho”, o que dispensa atos de homenagem ao brasileiro ou a viagem com
equipes e delegações completas de ambas as partes.
A reunião no Salão Oval ocorrerá pela manhã de quinta-feira,
seguida por um almoço.
Os dois líderes devem falar com a imprensa ainda dentro do
escritório de Trump, como é tradicionalmente feito. Mas não há uma coletiva de
imprensa conjunta depois do encontro sendo planejada.
Lula, ainda assim, decidiu aceitar o formato oferecido. Sua
visão é de que, depois de um encontro com George W. Bush em 2003 e marcado por
suspense por conta da distância ideológica entre os dois líderes, agora será a
vez de traçar uma linha no chão sobre como o Brasil espera ser tratado por
Donald Trump até o final do ano.
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Com informações ICL Notícias.

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