DEPUTADOS DOS EUA DENUNCIAM RISCO DE INTERVENÇÃO NO BRASIL ENQUANTO USS NIMITZ CHEGA NA BAÍA DE GUANABARA



Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 6h10 desta quinta-feira, 07 de maio de 2026.

Documento de congressistas menciona 1964, eleições brasileiras e execuções extrajudiciais enquanto o USS Nimitz chega à Baía de Guanabara e Lula viaja para encontrar Donald Trump

A chegada do porta-aviões USS Nimitz à Baía de Guanabara ocorre no mesmo momento em que deputados democratas dos Estados Unidos cobram explicações do Departamento de Estado sobre a possibilidade de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e na véspera de encontro de Lula com Donald Trump. A carta enviada a Marco Rubio cita risco de uso político da medida, menciona o histórico de 1964 e alerta para precedentes envolvendo execuções extrajudiciais.

“… justificativa para cometer execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico Oriental, estamos preocupados com a forma como a Administração poderá utilizar tal designação…”.

O documento, ao qual a Revista Sociedade Militar teve acesso, enviado ao Secretário de Estado Marco Rubio nessa quarta-feira, 6 de maio de 2026, é assinado por lideranças influentes como James P. McGovern e Greg Casar. O texto condena frontalmente a intenção da Casa Branca de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), um movimento que mudaria as regras do jogo na segurança nacional.

O perigo das execuções extrajudiciais e a “arma” do status FTO

O ponto mais alarmante do documento revela o temor dos parlamentares de que leis de contraterrorismo sejam “transformadas em armas” para intervenções diretas. Os congressistas afirmam categoricamente que o governo Trump já utilizou tais designações para justificar execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico Oriental, criando um precedente perigoso para a soberania brasileira.

Ao elevar facções criminosas ao status de terroristas, Washington obteria, pelo prisma dos políticos, respaldo jurídico para operações que ignoram fronteiras e autoridades locais. Essa estratégia estaria visando apenas expandir o controle geopolítico sobre o Hemisfério Sul.


Nimitz no Rio de Janeiro: coincidência ou demonstração de força?

Enquanto o avião presidencial decola rumo aos EUA, o gigante nuclear USS Nimitz aporta nessa quinta-feira no Rio de Janeiro. Embora a versão oficial aponte para exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil, especialistas em geopolítica militar veem na chegada do porta-aviões uma demonstração de força nada sutil.

A presença da maior plataforma de guerra do mundo em águas territoriais brasileiras, exatamente no momento em que os EUA ameaçam rotular o crime organizado brasileiro como terrorismo, projeta uma sombra de coerção sobre a mesa de Lula. Não se trata apenas de diplomacia; trata-se de dissuasão militar em tempo real enquanto o destino da segurança pública brasileira é discutido na Casa Branca.

Interferência nas eleições de 2026 e o fantasma de 1964

Carta de congressistas dos EUA advertindo Marco Rubio sobre interferência dos EUA no Brasil

Carta de congressistas dos EUA advertindo Marco Rubio sobre interferência dos EUA no Brasil

O documento é incisivo: a designação das facções como grupos terroristas seria uma ferramenta para influenciar as eleições brasileiras daqui a seis meses. Os deputados citam as recentes sanções ao ministro Alexandre de Moraes, impostas por este governo e depois retiradas, como prova de uma postura agressiva e intervencionista na política interna.

“A Administração Trump já utilizou sanções para interferir nos assuntos internos do Brasil ao sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, após ele manter o Estado de Direito ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar subverter a vontade do povo brasileiro e as eleições de 2022. Embora as sanções contra De Moraes tenham sido levantadas após mediação diplomática, continuamos preocupados com a postura desta Administração em relação ao Brasil, onde as eleições nacionais serão realizadas em seis meses.

Preocupa-nos que a designação de organizações criminosas como FTOs (Organizações Terroristas Estrangeiras) seja utilizada para influenciar inadequadamente as eleições em direção a um resultado que a Administração considere politicamente favorável. Essa preocupação é amplificada pelo longo e perturbador histórico de intervenção dos EUA no Brasil, incluindo o apoio documentado dos EUA à ditadura militar após o golpe de 1964.”

A carta resgata o “longo e perturbador histórico de intervenção dos EUA no Brasil”, mencionando o apoio a implantação de um governo militar no Brasil em 1964. Para os signatários, o caminho eficaz contra o crime é o fortalecimento de instituições e da INTERPOL, e não o financiamento de uma “guerra ilegal” que pode mergulhar a região em um conflito sem precedentes.

Ultimato ao Departamento de Estado

Os congressistas encerraram o documento com uma exigência direta a Marco Rubio: o Departamento de Estado deve apresentar ao Congresso todas as provas de que o PCC e o CV cumprem os requisitos de terrorismo antes de qualquer anúncio oficial.

Para a comunidade de Defesa e Inteligência, o cenário é de alerta máximo. A reunião entre Lula e Trump deixou de ser um encontro protocolar para se tornar uma batalha pela autonomia das Forças Armadas e das forças de segurança do Brasil frente a uma doutrina externa que flerta com o combate militarizado ao crime em solo estrangeiro.

Íntegra do documento enviado para Marco Rubio, traduzido para o português

6 de maio de 2026

Excelentíssimo Marco Rubio Secretário de Estado

2201 C Street, NW Washington, .C. 20520

Prezado Secretário Rubio,

Escrevemos com preocupação em relação aos relatos de que a Administração está considerando designar as duas maiores organizações criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Tal medida seria contraproducente e prejudicial às relações entre os EUA e o Brasil.

Compartilhamos de sua avaliação de que organizações criminosas transnacionais, incluindo o PCC e o CV do Brasil, representam uma séria ameaça à segurança regional, à governança democrática, ao meio ambiente e aos direitos humanos. O PCC e o CV expandiram-se ao longo da última década, inclusive através das fronteiras com a Colômbia, Peru e Bolívia. Eles estão implicados na destruição ambiental dentro da floresta amazônica e na violência contra comunidades locais e líderes sociais.

Por esse motivo, tememos que o uso excessivo e a “armamentização” das designações de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) pela Administração Trump, sem atingir o limiar legal claro para atividade terrorista, possa enfraquecer os esforços para frustrar o crime organizado em nosso hemisfério. Além disso, dado o uso de designações terroristas pela Administração como justificativa para cometer execuções extrajudiciais no Caribe e no Pacífico Oriental, estamos preocupados com a forma como a Administração poderá utilizar tal designação.

A Administração Trump já utilizou sanções para interferir nos assuntos internos do Brasil ao sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, após ele manter o Estado de Direito ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentar subverter a vontade do povo brasileiro e as eleições de 2022. Embora as sanções contra De Moraes tenham sido levantadas após mediação diplomática, continuamos preocupados com a postura desta Administração em relação ao Brasil, onde as eleições nacionais serão realizadas em seis meses.

Preocupa-nos que a designação de organizações criminosas como FTOs seja utilizada para influenciar inadequadamente as eleições em direção a um resultado que a Administração considere politicamente favorável. Essa preocupação é amplificada pelo longo e perturbador histórico de intervenção dos EUA no Brasil, incluindo o apoio documentado dos EUA à ditadura militar após o golpe de 1964. Acreditamos que a Administração pode reduzir de forma mais eficaz o impacto do crime transnacional na segurança das Américas utilizando canais diplomáticos e de aplicação da lei estabelecidos.

Não há dúvida de que o governo brasileiro tem a responsabilidade de garantir os direitos de seus cidadãos à vida, à liberdade e à segurança pessoal, tomando medidas significativas para enfrentar o crime organizado. O governo brasileiro deve ser incentivado a expandir seus esforços para cumprir essa responsabilidade por meio da fiscalização de fronteiras, investigações financeiras e cooperação reforçada com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos e a INTERPOL.

A Administração também deve tomar medidas para implementar plenamente a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, da qual tanto os Estados Unidos quanto o Brasil são Estados-partes, abordando as causas profundas que permitem o florescimento de economias ilícitas. Isso deve incluir esforços domésticos para conter o fluxo de armas dos EUA para a América Latina, prevenir o tráfico de pessoas e reduzir a demanda por entorpecentes investindo em tratamento de drogas e desenvolvimento econômico. Esses esforços devem ser reforçados pelo reinvestimento em programas para fortalecer as instituições democráticas e combater a corrupção no exterior.

Instamos o Departamento de Estado a garantir que as designações de Organizações Terroristas Estrangeiras sejam usadas para manter o povo americano seguro, e não para influenciar eleições ou travar uma guerra ilegal contra organizações criminosas. Solicitamos que o Departamento de Estado forneça ao Congresso todas as evidências relativas às atividades do PCC e do CV que atenderiam ao limiar para nomeá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras antes que o Departamento decida se o fará.

A cooperação dos EUA com as autoridades brasileiras, outros governos regionais e órgãos internacionais de direitos humanos representa o caminho mais eficaz para produzir resultados positivos no combate ao crime organizado, respeitando os princípios democráticos, o direito internacional e a integridade das autoridades de contraterrorismo.

Atenciosamente,

James P. McGovern Jan Schakowsky Greg Casar Sydney Kamlager-Dove Delia C. Ramirez Nydia M. Velázquez Rashida Tlaib Membros do Congresso.


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Com informações Revista Sociedade Militar.





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