CAPITÃO DE FRAGATA ALERTA: 'EUA E ISRAEL PODEM USAR ARMAS NUCLEARES EM CONFLITO COM IRÃ SAUSANDO EFEITOS ECONÔMICOS E ESTRATÉGICOS AO BRASIL'; CONFIRA

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Por: Alvaro Neves. 

Postagem publicada às 4h30 desta terça-feira, 07 de abril de 2026.

Um alerta vindo de um oficial da própria Marinha do Brasil reacende um debate que parecia restrito aos bastidores da geopolítica: o risco real de uso de armas nucleares em um confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A avaliação parte de um Capitão de Fragata aponta para um cenário de escalada que pode ir muito além do Oriente Médio, com reflexos diretos no Brasil.

Na análise do oficial, o atual equilíbrio de forças já não segue a lógica das guerras do passado. O avanço tecnológico do Irã em mísseis e drones, aliado à sua geografia e capacidade de resistência, teria alterado o cálculo estratégico das potências ocidentais. Nesse contexto, cresce o risco de decisões mais radicais diante de uma eventual perda de superioridade no campo convencional.

O colapso da dissuasão: Por que o Irã não é o Iraque

Muitos analistas e cidadãos comuns questionam se a Terceira Guerra Mundial é inevitável. Farinazzo prefere uma abordagem mais refinada: não haverá necessariamente uma guerra de massas como em 1939, mas os efeitos transformadores já estão em curso. O oficial destaca que o Irã hoje possui o que os americanos chamam de upper hand (a vantagem estratégica) no Oriente Médio, algo que 13 mandatos presidenciais nos EUA não conseguiram resolver.

O erro de cálculo ocidental, segundo o comandante, reside em subestimar a resiliência persa. O Irã é cinco vezes maior que o Vietnã, possui um território extremamente montanhoso e uma tradição milenar de engenharia que se traduz em complexas redes de túneis e na melhor tecnologia de mísseis e drones da região. A ideia de que um poderoso porta-aviões ou bombardeios cirúrgicos podem dobrar Teerã é classificada pelo oficial como uma “fantasia” perigosa que estaria ignorando a realidade do campo de batalha.

Armas de Wall Street contra mísseis de eficácia real

Um dos pontos mais contundentes da entrevista toca na ferida da indústria de defesa dos Estados Unidos. Farinazzo explica que na sua visão o poderio militar americano está sendo “humilhado” por tecnologias mais simples, porém mais eficientes.

Na entrevista, no canal do jornalista Juca Kfouri, isso não é explicado de forma detalhada. Mas, quem acompanha de perto os fronts de batalha hoje existentes no planeta sabe muito bem que os EUA frequentemente utilizam mísseis de milhões de dólares para destruir veículos não tripulados que custam apenas algumas dezenas de dólares que se aproximam de seus navios de guerra.

O motivo não é necessariamente técnico, mas econômico e político. A indústria de defesa dos EUA precisa remunerar lobbies, pagar dividendos astronômicos em Wall Street e financiar campanhas de congressistas, 13% do Congresso americano é composto por ex-militares.

Isso cria um fenômeno de sobrepreço que compromete a eficácia. Enquanto o Irã desenvolve drones e mísseis que cumprem sua missão com custos reduzidos, os EUA produzem equipamentos bilionários que muitas vezes falham em ambientes de guerra assimétrica.

“O porta-aviões, que antes bastava para tomar conta de um país, hoje está em maus lençóis“, observa o comandante, sinalizando que a era da supremacia tecnológica absoluta do Ocidente chegou ao fim.

A morte da ordem jurídica internacional pós-Gaza

Para o oficial da reserva, o mundo entrou em uma fase de “vale-tudo” jurídico. Ele argumenta que a seletividade da mídia mainstream e das organizações internacionais em relação às vítimas de conflitos destruiu a credibilidade das leis globais. O que aconteceu em Gaza, segundo sua visão, criou um precedente onde a responsabilização deixou de existir, abrindo caminho para que grandes potências, como o Estados Unidos, ignorem tratados sempre que seus interesses hegemônicos estiverem em jogo.

Nesse contexto, Farinazzo faz uma revelação sombria sobre o uso de armas nucleares. Ele teme que, diante de uma derrota convencional, que para ele é iminente, ou do colapso da defesa aérea de Israel, Trump possa apelar para o arsenal atômico. Se o Irã for forçado a desenvolver sua própria bomba para garantir a sobrevivência, o efeito cascata será imediato: Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes seguirão o mesmo caminho, mergulhando o planeta em uma instabilidade que não se via desde a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

“o Irã sem bomba atômica está em uma situação difícil.. .Acho difícil uma solução militar para o panorama defensivo do Irã. Eu tenho muito recio dos Estados Unidos ou Israel apelarem pra armas nucleares, eles estão encastelados ali… “

O Brasil e a “gendarmerização” das Forças Armadas

Ao olhar para o Brasil, Farinazzo é implacável no diagnóstico da perda de soberania. Ele utiliza o termo “gendarmerização” para descrever o processo de transformar as Forças Armadas latino-americanas em meras polícias internas (gendarmes), focadas em segurança pública e combate ao crime organizado, enquanto a capacidade de defesa externa é sistematicamente sabotada por potências estrangeiras.

Ele recorda o desmantelamento de projetos vitais, como o programa nuclear brasileiro, o míssil Condor da Argentina e as suspeitas mortes de cientistas e oficiais dedicados à tecnologia de ponta, como o Coronel José Albano do Amarante. Para o comandante, o Brasil negligencia sua defesa por uma mistura de pressão externa e desinteresse interno, o que nos torna vulneráveis a chantagens diplomáticas e ingerências políticas em anos eleitorais.

A necessidade do diálogo entre a caserna e a política

Um dos momentos mais significativos da fala de Farinazzo é sua autocrítica direcionada tanto aos militares quanto à classe política brasileira. Ele argumenta que a falta de uma visão estratégica nacional é fruto de um isolamento mútuo. Os militares muitas vezes não percebem as manobras de soberania em curso, enquanto setores da sociedade civil, especialmente a esquerda, abdicaram de debater a defesa nacional, deixando esse vácuo ser preenchido por ideologias radicais.

Ao ser questionado sobre a polarização e a influência do “Olavismo” nas tropas, Farinazzo entregou uma análise literal que define sua posição sobre a atual crise de identidade militar:

“Por que que o Olavismo teve tanta força junto aos militares? Exatamente por omissão da esquerda. É uma verdade, o pessoal não conversa. E se não conversar, não vai adiantar nada.”

Petróleo, inflação e o destino de 2026

O especialista também conecta a guerra ao bolso do cidadão. Ele prevê uma “hecatombe econômica” caso o Estreito de Ormuz seja fechado, elevando o barril de petróleo a níveis insustentáveis. Isso afetaria diretamente a produção de fertilizantes e o transporte de mercadorias no Brasil. Ele critica o fato de um país com a nossa riqueza não possuir autossuficiência em refino e fertilizantes, ficando à mercê de decisões tomadas em Moscou ou Washington.

” … você lembra quando começou a guerra na Ucrânia, o Brasil precisou apelar pra Rússia para manter os fertilizantes, o que também é um absurdo um país que nem o nosso não ter a quantidade de refinarias necessárias e fábrica de fertilizante e a guerra já dura 4 anos.”

Farinazzo encerra alertando que os Estados Unidos, perdendo influência no Oriente Médio e na Europa Oriental, voltarão seus olhos com força total para a América Latina em busca de recursos e alinhamento automático. Com governos “fantoches” cercando o Brasil, o comandante vê um cenário de pressão crescente sobre a governabilidade brasileira, onde a inteligência e a defesa nacional serão os únicos escudos contra a desestabilização programada.


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Com informações e foto Revista Sociedade Militar 






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