RECÓRDE OU RÉCORDE? COMO SE PRONUNCIA PALAVRA QUE PÔS A GLOBO NA MIRA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
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| (crédito: arquivo Blog Eterno Aprendiz) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 4h46 deste sábado, 21 de fevereiro de 2025.
MPF aciona a TV Globo por jornalistas pronunciarem 'récorde'
e transforma sílaba tônica em caso de Justiça
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil
pública contra a Globo para exigir que a emissora oriente seus profissionais a pronunciarem
a palavra “recorde” como paroxítona (com força na sílaba “cor”: recórde) e
pague indenização por danos morais coletivos.
O MPF moveu a ação após receber uma representação de cidadão
sobre a pronúncia da palavra “recorde”. O órgão afirma que a Globo usa,
sistematicamente, a pronúncia proparoxítona (récorde), considerada incorreta
segundo a norma culta.
A ação cita o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa), referência oficial da ABL (Academia Brasileira de Letras), que diz
que recorde deve ser pronunciada como paroxítona. Isso significa que a sílaba
tônica é “cor”, e não o “re”. O MPF cita ainda que dicionários como Aurélio,
Houaiss e Michaelis apoiam esse entendimento.
A ação, obtida pelo UOL, pede que a Globo seja obrigada a
orientar repórteres e apresentadores sobre a pronúncia correta de recorde. O
MPF solicita ainda multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento e
indenização mínima de R$ 10 milhões por danos ao patrimônio cultural da Língua
Portuguesa.
Para ilustrar a situação, o MPF selecionou três vídeos. Um
deles inclui a fala de Cesar Tralli, âncora do Jornal Nacional, que falou
“récorde” ao citar o número de representantes brasileiros nos Jogos Olímpicos
de Inverno. O documento diz que “a utilização da norma culta da Língua
Portuguesa não é uma opção estética, mas um modelo de qualidade e eficiência
administrativa”.
A Globo foi procurada pela reportagem para falar sobre a ação
e a alegação de uso sistemático da pronúncia “récorde”, mas não retornou o
contato.
Tem jeito certo de falar?
“Recorde” é, de fato, uma palavra paroxítona, conforme o
VOLP, explica a letróloga Carol Jesper, autora do livro “Não foi isso que eu
quis dizer”. “Nenhum brasileiro tem dificuldade para pronunciar da forma
esperada quando se trata de uma conjugação do verbo recordar, como na frase
‘talvez eu não me recorde bem'”.
No entanto, a pronúncia “récorde” é comum e já se cristalizou
na fala dos brasileiros em certos contextos. “Há uma tendência a usarmos a
pronúncia ‘récorde’ em contextos de resultados notáveis, como na frase ‘bater
um récorde’.”
“Trata-se de um uso consagrado, ou seja, uma forma que já se
cristalizou na fala dos brasileiros e que não deve ser considerada incorreta”,
disse Carol Jesper.
A linguista considera irreal tentar uniformizar a pronúncia.
“É comum a variação quando duas formas coexistem, então a expectativa de
uniformizar a pronúncia é irreal e desnecessária”, avalia.
O que determina a entonação das palavras
A posição do acento tônico em palavras como “recorde” pode
ser determinada por regra, uso, origem ou analogia. Jesper explica que há
razões etimológicas e fonéticas que influenciam a fala. “No Brasil, a pronúncia
tende a ser mantida em função do uso consagrado.”
Quando uma palavra é aportuguesada, pode mudar sua estrutura
e entonação. “A forma aportuguesada muda a estrutura da palavra, que passa a
ter três sílabas em vez de duas, e isso interfere na pronúncia”, afirma a
especialista.
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Com informações Folhapress.




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