MORRE JESSE JACKSON, LIDER DOS DIREITOS CIVIS NOS EUA, AOS 84 ANOS
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| (crédito: foto reprodução "IA" para ilustração do texto) |
Protegido de Martin Luther King Jr e ex-candidato à
presidência estava hospitalizado nos últimos meses devido à paralisia
supranuclear progressiva
O líder dos direitos civis, reverendo Jesse Jackson, posa em
um restaurante, em 2017. Atrás dele, um retrato de Martin Luther King Jr., do
fotógrafo Robert Abbott Sengstacke •
Paul Natkin/Getty Images)
O reverendo Jesse Louis Jackson, líder dos direitos civis
cuja visão moral e oratória remodelaram o Partido Democrata e os Estados
Unidos, faleceu aos 84 anos, nesta terça-feira (17), segundo confirmação à CNN
por um porta-voz da Coalizão Rainbow PUSH e pelo filho dele.
Jackson, que era protegido de Martin Luther King Jr., havia
sido hospitalizado nos últimos meses e estava sob observação devido à paralisia
supranuclear progressiva (PSP), segundo a Coalizão Rainbow PUSH.
O líder faleceu na manhã desta terça-feira, cercado pela
família, informou a Rainbow PUSH em um comunicado.
“Seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os
direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e
dignidade. Um incansável agente de mudança, ele deu voz aos que não tinham voz -
desde suas campanhas presidenciais na década de 1980 até a mobilização de
milhões para se registrarem para votar - deixando uma marca indelével na
história”, dizia o comunicado.
Jackson era o que um especialista chamou de "um
americano original". Ele nasceu na cidade de Greenville, no estado
americano Carolina do Sul, filho de uma mãe adolescente solteira, durante a era
Jim Crow, mas ascendeu para se tornar um ícone dos direitos civis e um político
inovador, lançando duas candidaturas à presidência na década de 1980.
As duas candidaturas de Jackson à nomeação presidencial
democrata inspiraram a comunidade negra americana e surpreenderam os
observadores políticos, que se maravilharam com sua capacidade de atrair
eleitores brancos. Ele era uma figura influente entre os negros muito antes de
Barack Obama chegar ao cenário nacional.
O reverendo ganhou destaque nacional na década de 1960 como
um dos principais assessores de Martin Luther King Jr. Após o assassinato dele
em 1968, Jackson se tornou um dos líderes dos direitos civis mais
transformadores dos EUA - para o desgosto de alguns dos assessores de King, que
o consideravam arrogante demais.
Mas sua Coalizão Arco-Íris, uma aliança ousada de negros,
brancos, latinos, asiático-americanos, nativos americanos e pessoas LGBTQ+,
ajudou a pavimentar o caminho para um Partido Democrata mais progressista.
“Nossa bandeira é vermelha, branca e azul, mas nossa nação é
um arco-íris — vermelho, amarelo, marrom, preto e branco — e todos nós somos
preciosos aos olhos de Deus”, declarou Jackson certa vez.
Uma das frases marcantes de Jackson era “Mantenham a
esperança viva”. Ele a repetia com tanta frequência que alguns começaram a
parodiá-la, mas ela nunca pareceu perder o significado para ele.
O líder foi uma força na luta por justiça social em três
eras: o período Jim Crow, a era dos direitos civis e a era pós-direitos civis,
que culminou com a eleição de Obama e o movimento Black Lives Matter.
Com sua eloquência e determinação singular, Jackson não
apenas manteve viva a esperança para si mesmo. Seu sonho de uma América
vibrante e multirracial ainda inspira milhões de americanos hoje.
A visão de Jackson remodelou o Partido Democrata. Ele foi o
primeiro candidato à presidência a fazer do apoio aos direitos dos homossexuais
uma parte fundamental de sua plataforma de campanha e fez um esforço
concentrado para desafiar a priorização, pelo Partido Democrata, dos eleitores
brancos, moderados e de classe média, afirma David Masciotra, autor de "Eu
Sou Alguém: Por Que Jesse Jackson Importa".
“Um Partido Democrata que hoje representa uma América
multicultural e tem alguém como Kamala Harris como (ex-)vice-presidente e Obama
como ex-presidente começou, em muitos aspectos, com as campanhas de Jackson”,
diz Masciotra.
Obama talvez nunca tivesse chegado à Casa Branca sem as
campanhas presidenciais pioneiras de Jackson.
Ele lutou com sucesso para mudar a distribuição de delegados
durante as primárias democratas, de um sistema de “vencedor leva tudo”, que
beneficiava os favoritos, para um sistema proporcional que ajudava outros
candidatos, mesmo que não vencessem em um estado.
Essas mudanças ajudaram Obama a conquistar uma vitória de
virada sobre a favorita Hillary Clinton durante as primárias democratas de
2008, afirma Masciotra.
Certa vez, perguntaram a Jackson se o magoava o fato de não
ter se tornado o primeiro presidente negro do país.
“Não, não faz sentido”, declarou ele a um colunista do
Guardian, “porque eu fui um pioneiro, um desbravador. Tive que lidar com
dúvidas, cinismo e medos sobre uma pessoa negra se candidatando. Havia
acadêmicos negros escrevendo artigos sobre por que eu estava perdendo meu
tempo. Até mesmo negros diziam que um negro não conseguiria vencer.”
Jackson quebrou a percepção de que uma pessoa negra não
poderia ser um candidato viável à presidência. Alguns especialistas previram
que ele seria superado por seus oponentes políticos mais experientes durante os
debates presidenciais.
Eles reconheciam, ainda que a contragosto, seu carisma, mas
muitos nunca lhe deram crédito por sua capacidade analítica e perspicácia
política.
“Acontece que ele não só se saiu bem, como muitas vezes
venceu esses debates”, analisa Masciotra.
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Com informações CNN Brasil.
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