VÍDEO: LULA DEFENDE GOVERNANÇA GLOBAL DA “IA”: SE POUCOS CONTROLAM ALGORITMOS, NÃO É INOVAÇÃO É DOMINAÇÃO; CONFIRA
| (crédito: Agência Brasil) |
Postagem publicada às 8h35 desta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026.
Nesta quinta-feira (19/2), em seu primeiro compromisso oficial da visita à Índia, presidente participou da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e ressaltou que conteúdos falsos manipulados por IA distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia
Ao discursar nesta quinta-feira (19/20), em Nova Délhi, na
Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da
inteligência artificial seja multilateral, inclusiva e orientada ao
desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá
ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o
multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global
da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a
inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende
uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta
que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a
soberania dos países”, afirmou Lula.
O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de
Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo
digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o
tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as
pessoas.
Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa
urgente. O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa,
quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”, afirmou Lula.
Confira o pronunciamento do presidente Lula no vídeo abaixo:
PERIGOS – Lula ainda alertou para os perigos do uso
indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm
enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos
eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e
nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por
inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a
democracia”, ressaltou.
“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida
espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar
coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital
e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”,
prosseguiu o presidente.
“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os
serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma
como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas
extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio,
desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e
meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de
códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa
estrutura de poder”, frisou Lula.
REGULAMENTAÇÃO – Outro ponto defendido pelo presidente
brasileiro foi a regulamentação das empresas responsáveis pelas principais
plataformas de inteligência artificial. “Capacidades computacionais,
infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos
países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos
públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida
equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios”, lembrou Lula.
“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas
digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação. A regulamentação
das chamadas Big Techs está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos
humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as
indústrias criativas de nossos países. O modelo atual de negócios dessas
empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à
privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização
política”, prosseguiu o presidente.
Lula também ressaltou que o Brasil tem fortalecido as
discussões em torno de uma política de atração de investimentos em centros de
dados, além de um marco regulatório de Inteligência Artificial. Ele lembrou
que, em 2025, o país lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que
expressa o compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas através
de serviços públicos mais ágeis e maior estímulo à geração de emprego e renda.
PROCESSO DE BLETCHLEY – A Cúpula em Nova Délhi é o quarto
encontro do chamado Processo de Bletchley, uma série de reuniões
intergovernamentais sobre segurança e governança de inteligência artificial
(IA), iniciada em Bletchley Park, Reino Unido, em novembro de 2023, e seguida
pelas Cúpulas em Seul (“Seul AI Summit”), em maio de 2024, e em Paris (“AI
Action Summit”), em fevereiro de 2025. Esta é a primeira vez que um presidente
brasileiro participa de um evento global de alto nível sobre inteligência artificial.
BRASIL E ÍNDIA – A viagem à Índia é a quinta de Lula ao país
asiático e a segunda no atual mandato. A visita reforça um momento sem
precedentes de dinamismo econômico e tecnológico nas relações bilaterais entre
as duas nações. Em setembro de 2023, Lula visitou a Índia acompanhado de mais
de 100 delegações empresariais brasileiras, que estiveram no país em busca de
oportunidades de comércio e de empreendimentos conjuntos.
A convite do presidente Lula, o primeiro-ministro Narendra
Modi foi recebido em visita de Estado ao Brasil em 8 de julho de 2025, na
sequência de sua participação na 17ª Cúpula do BRICS, realizada no Rio de
Janeiro. Na ocasião, os dois líderes emitiram Comunicado Conjunto em que se
identificam cinco pilares prioritários que deverão orientar o relacionamento
bilateral ao longo da próxima década: (I) paz, defesa e segurança; (II)
transição energética e justiça climática; (III) segurança alimentar/nutricional
e comércio agrícola; (IV) transformação digital e ciência & tecnologia; e
(V) parcerias industriais em setores estratégicos.
Além da troca de visitas oficiais, Lula e Narendra Modi
encontraram-se quatro vezes nos últimos três anos: em 21 de maio de 2023, à
margem da Cúpula do G7, em Hiroshima; em 10 de setembro de 2023, à margem da
Cúpula do G20, em Nova Délhi, quando emitiram Comunicado Conjunto; em 21 de
junho de 2024, na Cúpula do G7, na Itália; e em 19 de novembro de 2024, à
margem da Cúpula do G20, no Rio de Janeiro.
AGENDA BILATERAL – Após a Cúpula, o presidente Lula cumprirá
agenda bilateral em Nova Délhi. Ele e o primeiro-ministro Modi terão a
oportunidade de discutir as perspectivas de expansão das relações bilaterais
nos campos econômico e tecnológico, bem como trocar impressões sobre a
conjuntura mundial. Os líderes deverão abordar temas como os desafios ao
multilateralismo e ao comércio internacional, a necessidade de reformulação da
governança global, incluindo uma reforma abrangente das Nações Unidas e de seu
Conselho de Segurança, o compromisso com a paz em Gaza e o respeito à soberania
das nações e com a democracia.
COMÉRCIO – Em 2025, o comércio brasileiro com a Índia atingiu
US$ 15 bilhões, um acréscimo de 25,5% em relação a 2024 e o maior valor
registrado na série histórica. As exportações foram de US$ 6,9 bilhões e a
Índia é o 10º destino das exportações brasileiras. As importações foram de US$
8,4 bilhões, o que fez da Índia a 6ª maior origem de importações pelo Brasil. O
Brasil e a Índia estabeleceram meta de elevar o comércio bilateral para US$ 20
bilhões até 2030 e iniciaram negociações para a ampliação do Acordo de Comércio
Preferencial Mercosul-Índia.
A Índia é o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de
habitantes. É a quarta maior economia do planeta, com PIB de cerca de US$ 4,2
trilhões, e pode vir a se tornar a terceira até 2030. Segundo dados da
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Índia
é o segundo maior produtor agrícola do mundo em termos de valor da produção,
atrás apenas da China (por esse critério, o Brasil ocupa a quarta posição), e o
nono país em exportações agrícolas (o Brasil, o terceiro).
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Com informações, foto e vídeo Canal Gov.




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