O OUTRO LADO DO FIM DA ESCALA 6X1: "ENTIDADES DO SETOR PRODUTIVO CRITICAM APROVAÇÃO"; CONFIRA

(crédito: imagem reprodução 'Meta' para ilustração do texto)

Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 4h27 desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026.

O Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. Embora a medida tenha sido celebrada por centenas de sindicatos e trabalhadores, a reação das entidades que representam o setor produtivo brasileiro foi de forte oposição e profunda preocupação. Líderes industriais, do comércio, de serviços e do agronegócio alertam que o enrijecimento da jornada trará impactos severos sobre a inflação, o emprego formal e a competitividade do país.

A maior queixa unânime entre as entidades gira em torno do encarecimento direto da mão de obra. De acordo com um levantamento técnico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a transição para a jornada de 40 horas mantendo os salários inalterados pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões.

A CNI projeta que essa pressão resultará em uma alta média de 6,2% nos preços gerais ao consumidor. As compras em supermercados podem subir 5,7%, enquanto roupas e calçados correm o risco de encarecer até 6,6%.

A perda de eficiência e o choque de custos poderiam contrair o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em até 0,7% (o equivalente a R$ 76,9 bilhões).

Para especialistas e representantes comerciais, a conta do dia extra de folga não será facilmente absorvida por empresas de menor porte. O economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, aponta que grandes corporações possuem margem para reorganizar turnos, mas as micro e pequenas empresas serão as mais penalizadas. Para sobreviver ao aumento estimado de 9,1% na folha de pagamento básica, muitos pequenos negócios tendem a recuar em novas contratações ou recorrer à informalidade para fechar as escalas de fins de semana.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) expressou que fixar um modelo único de escala diretamente na Constituição ignora as realidades de setores que operam de maneira ininterrupta ou sazonal.

Segmentos como bares, restaurantes, hotéis e o varejo tradicional dependem crucialmente do funcionamento aos sábados e domingos. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que seriam necessários 3 milhões de novos trabalhadores para cobrir os dias de folga gerados pela PEC — uma mão de obra especializada que atualmente não está disponível no mercado.

A Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg) reforça que o campo lida com ciclos biológicos e climáticos imprevisíveis que exigem ampla flexibilidade de horários. Setores de manejo contínuo, como a avicultura e a suinocultura, preveem prejuízos bilionários devido à necessidade de plantas frigoríficas operarem 24 horas por dia.

Outro ponto central de insatisfação foi a velocidade e o momento em que a proposta avançou no Congresso. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou publicamente o que classificou como votação sob forte apelo político. Segundo as entidades patronais, a discussão foi convertida em um palanque a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, impedindo um debate técnico aprofundado que desenhasse contrapartidas fiscais ou desonerações robustas para os empregadores compensarem as novas despesas.

Com o texto avançando para a promulgação, o foco do setor produtivo agora se volta à articulação de decretos de regulamentação e leis complementares. O objetivo urgente das confederações empresariais é flexibilizar regras para microempresas e assegurar maior autonomia às convenções e acordos coletivos, mitigando o que chamam de iminente "choque de custos" na economia nacional.


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Com apuração do Blog Eterno Aprendiz. 


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