BRASILEIROS VÃO ÀS URNAS SOB A MAIOR INGÊRENCIA ESTRANGEIRA DESDE 64; CONFIRA
![]() |
| (crédito: Portal Agência Brasil) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem Publicada às 9h02 deste sábado, 03 de outubro de 2026.
Ofensiva dos EUA que dura mais de um ano envolveu tarifas,
chantagens, declarações, sanções e difusão de desinformação
Não existem porta-aviões nas costas do Brasil. Mas, pela
primeira vez desde 1964, milhões de brasileiros irão às urnas neste domingo sob
a maior ofensiva estrangeira desde o golpe de estado que instaurou o regime
militar.
Estratégico para os interesses americanos de redesenhar o
mapa do Hemisfério Ocidental e sua própria posição de hegemonia global no
século 21, o Brasil passou a ser considerado como crítico para qualquer plano
dos EUA de enterrar a autonomia latina-americana.
Conter o avanço chinês e garantir o acesso à segunda maior reserva de terras raras do mundo estão entre os principais argumentos do interesse americano pelo país.
Asfixiar uma política externa independente por parte do
Brasil, portanto, passou a ser uma prioridade no Departamento de Estado. Para o
governo norte-americano, seu perímetro de segurança não termina em suas
fronteiras. A influência sobre todo o continente é considerada como parte
central da estratégia de defesa nacional.
Não por acaso, a operação para tentar moldar o destino da
eleição brasileira começou mais de um ano antes do momento do voto, em estreita
colaboração com a extrema direita brasileira. Os escolhidos para agir como
“força local” – os membros do clã Bolsonaro – foram instrumentalizados como
forma de garantir que, uma vez no poder, sucumbam aos interesses
norte-americanos e retribuam os serviços prestados pela CIA, Departamento de
Estado, Tesouro e Casa Branca.
Se o projeto vinha sendo germinado desde janeiro de 2025, foi
em 9 de julho daquele ano que ele seria colocado em marcha. Trump enviou uma
carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na qual anunciava tarifas de
50% contra os produtos brasileiros, uma das mais elevadas do mundo. Como
argumento, alega que seriam impostos cobrados como resposta aos ataques que
Jair Bolsonaro estaria sofrendo por parte da Justiça do país.
No final daquele mês, o ministro Alexandre de Moraes seria
alvo de sanções na Lei Magnitsky, uma vez mais numa tentativa de criar um
constrangimento nas instituições brasileiras que julgavam a tentativa de golpe
de estado por parte de Bolsonaro.
Um mês depois, autoridades brasileiras teriam seus vistos
revogados, supostamente por terem feito parte da estruturação do programa Mais
Médicos, com a presença de profissionais cubanos. Entre os atingidos estava
Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
Em setembro foi a vez da imposição de sanções contra a mulher
de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a empresa LEX – Instituto de Estudos
Jurídicos, que pertence à família do magistrado.
A barganha sobre a mesa
A barganha começava a ser desenhada. Em outubro daquele ano,
o governo Trump entregaria uma proposta de acordo comercial com o Brasil. Para
rever as tarifas de 50% contra os produtos nacionais, exigiam que “dissidentes
políticos” fossem libertados da prisão, uma forma de exigir o fim da condenação
contra Bolsonaro.
A esperança era de que, pressionados pela elite econômica do
Brasil, Lula, seu governo e as cortes cedessem. Isso não ocorreu.
Em 2026, a pressão continuou. Nas primeiras semanas do ano,
uma nova proposta foi apresentada pelo governo Trump ao Brasil. Desta vez, a
questão do ex-presidente não estava colocada. Mas os americanos exigiam, entre
tantos pontos, que o Brasil garantisse que não venderia terras raras para a
China.
Enquanto isso, a operação nos bastidores continuava. Em
março, Darren Beattie, assessor de Trump, tentou visitar Jair Bolsonaro na
prisão. Mas teve seu visto rejeitado pelas autoridades brasileiras, depois que
ele omitiu que esse seria um dos objetivos de sua viagem ao país.
Maio foi um momento decisivo. Com o escândalo do Banco Master
desembarcando na campanha de Flávio Bolsonaro, a Casa Branca abriu espaço para
que Trump recebesse o senador. O ato foi interpretado como uma operação para
salvar sua candidatura. Em troca, Flávio ofereceu acesso às terras raras
brasileiras e a adesão do país no Escudo das Américas.
Dias depois, ainda naquele mesmo mês, o governo Trump
anunciaria a classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos
terroristas, e colocando o tema da segurança pública no centro do debate
eleitoral. Mais uma vez, o objetivo era encurralar o governo Lula e abrir
espaço para que Flávio
Bolsonaro pudesse se apresentar como o interlocutor predileto
para supostamente “lutar contra o crime organizado”.
O Palácio do Planalto chegou a apresentar um projeto de
cooperação aos EUA para lutar contra as entidades do narcotráfico. Mas a Casa
Branca jamais respondeu. O objetivo, apontam negociadores, não era combater o
crime.
A operação ainda envolvia uma tentativa de desestabilizar a
confiança nas urnas e no processo eleitoral. Em julho, dois funcionários do
Departamento de Estado americano, Riley Bernes e Samuel Samson, tentaram viajar
ao Brasil para averiguar o sistema eleitoral brasileiro. Ambos tiveram seus
vistos rejeitados.
Um mês depois, o consulado dos EUA em São Paulo convocou influenciadores para uma reunião supostamente sobre liberdade de expressão, em mais um gesto considerado como uma operação para promover uma ingerência num momento político complicado no país.
O passo seguinte foi a adoção de tarifas contra produtos
brasileiros, em parte alegando que o sistema de pagamentos digitais do Brasil
seria injusto para a concorrência estrangeira. Uma vez mais, o foco era colocar
um preço elevado sobre o governo por sua audácia de manter uma autonomia em
relação aos interesses dos EUA.
O processo de ingerência foi permeado por críticas de
assessores de Trump e autoridades como Marco Rubio contra Lula e contra o
Brasil.
Em setembro, faltando poucas horas para encerrar o prazo para
aprovação de orçamentos no Senado americano, o governo Trump ainda aprovaria o
envio de US$ 1 milhão a grupos no Brasil que se oponham ao Supremo Tribunal
Federal. O pacote tinha como finalidade financiar uma ofensiva contra o Poder
Judiciário.
O governo Lula, porém, sempre temeu que uma operação poderia
ocorrer nos últimos dias da campanha, causando turbulência para o processo
eleitoral. O que era apenas uma análise de risco deu demonstrações de poder ser
uma realidade.
Nesta sexta-feira, dois dias antes do primeiro turno, o
governo dos EUA anunciou o fechamento de seus postos diplomáticos no Brasil
supostamente por conta de uma ameaça de bomba.
A Polícia Federal esclareceu que não encontrou qualquer
indício de um possível crime sendo preparado e que a ameaça era apenas uma
mensagem numa conta de uma rede sociais. Mas, enquanto as investigações eram
realizadas, o submundo da internet já propagava a desinformação de que o PCC
estaria disposto a atacar a embaixada dos EUA diante do risco de uma vitória de
Flávio Bolsonaro.
A disseminação de um clima de tensão era tudo o que a Casa
Branca pedia.
*******
Com informações Portal ICL Notícias.





.jpg)


.jpg)
.jpeg)
Comentários