O QUE SABEMOS SOBRE MENSAGENS QUE SERVIRAM DE BASE PARA LIBERAR POSTAGEM NO STF SOBRE APARECIDA APRESENTADOS PELA JORNALISTA DANI LIMA?

(crédito: foto reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto)

Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 5h30 desta terça-feira, 29 de setembro de 2026.

A disputa eleitoral de 2026 provocou um novo capítulo de forte instabilidade institucional no Judiciário brasileiro. No programa Pulso Político do UOL, apresentado pela jornalista Daniela Lima na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, foram revelados bastidores de um embate que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o uso de pautas religiosas nas campanhas.

O estopim da atual crise foi a derrubada em massa de conteúdos digitais supostamente determinada pelo vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça. Atendendo supostamente de forma célere a um pedido da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Mendonça ordenou a exclusão de 1.022 links e publicações sob a justificativa de combater desinformação eleitoral. O material associava o senador a um antigo e arquivado Projeto de Lei de 2007, de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli, que propunha alterar o feriado de 12 de outubro e o título de padroeira do país.

O monitoramento da repercussão do caso, destacado na análise jornalística, indicou que a decisão monocrática de Mendonça gerou um severo efeito colateral. A ordem atingiu não apenas críticas políticas, mas também perfis de devotos, influenciadores e páginas oficiais dedicadas ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida que sequer mencionavam o candidato.

A reação no STF foi imediata. No domingo anterior, 27 de setembro, o ministro Flávio Dino atendeu a um recurso do humorista Antonio Tabet e suspendeu parcialmente os efeitos da determinação de André Mendonça. Dino argumentou que a exclusão generalizada violava a liberdade de expressão, configurando censura prévia, e ordenou que as plataformas restabelecessem o post original e demais conteúdos derrubados sob o mesmo fundamento. O ministro encaminhou o caso para julgamento no plenário do STF.

De acordo com as informações de bastidores trazidas por Daniela Lima no UOL, os desdobramentos dessa decisão expuseram uma fratura na corte. Os ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o próprio André Mendonça, buscaram uma reunião com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. O grupo levou a Fachin o descontentamento com o que consideram uma tentativa da ala composta por Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes de transferir a crise interna do Supremo para o tribunal eleitoral.

Além do conflito jurídico, a jornalista detalhou que a movimentação em torno do tema religioso não é um fato isolado. Setores da Igreja Católica monitoram, há cerca de sete anos, ataques de grupos evangélicos alinhados ao bolsonarismo contra a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Documentos discutidos internamente pela Igreja desde 2019 apontam preocupações com a chamada "teologia do domínio" e com discursos que possam ameaçar a laicidade do Estado.

Dentro desse contexto de monitoramento, uma declaração recente de Flávio Bolsonaro — afirmando que, se eleito, seu primeiro ato será decretar o Brasil como do "Senhor Jesus Cristo" — foi interpretada por integrantes do clero católico como um "apito de cachorro", sinalizando uma potencial pressão institucional sobre a liberdade de outras crenças. O acirramento dos ânimos no tribunal e o cruzamento de liminares refletem o tamanho da pressão que a reta final da corrida presidencial exerce sobre as maiores instâncias do Judiciário.


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Com apuração e interpretação do Blog Eterno Aprendiz. 

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