EM MENSAGEM AOS EUA, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA NEGA FALHA NO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO; CONFIRA

(crédito: imagem reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto)


Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 4h18 desta quinta-feira, 17 de setembro de 2026.

Ministério da Justiça disse que a Casa Branca não considera os esforços do governo brasileiro no enfrentamento ao crime organizado e a própria cooperação entre Brasil e EUA na área da segurança

O Ministério da Justiça disse ontem, quarta-feira (16), em nota, que o governo brasileiro "refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional".

O posicionamento do ministério é uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, mais cedo, afirmou que o governo brasileiro falhou ao confrontar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) e declarou que o país precisa tomar medidas agressivas para confrontar e derrotar os grupos antes que se espalhem e cresçam.

No texto, o Ministério da Justiça afirmou que o Brasil não integra a lista feita pela Casa Branca com os países que identifica como maiores produtores e de trânsito de drogas, mas que, mesmo assim, foi alvo de críticas "laterais" no documento.

Ainda de acordo com o governo brasileiro, a partir dessa medida, Washington não considera os "esforços do governo no enfrentamento ao crime organizado" e cita a aprovação da Lei Antifacção, que prevê uma punição mais dura contra líderes de facções.

"Também não levaria em consideração as dezenas de milhares de operações de combate ao crime, por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos, bem como as múltiplas ações implementadas em 2026 no âmbito do Programa Brasil contra o Crime Organizado, que sufoca economicamente as facções, fortalece o sistema prisional, qualifica a investigação de homicídios e enfrenta o tráfico de armas", diz o texto.

Segundo o documento publicado pelos EUA, a inclusão dos países nessa lista se dá a partir do Ato de Emergência Estrangeira de 1961, que leva em conta uma combinação de fatores geográficos, comerciais e econômicos que permitam que drogas ou componentes químicos de drogas sejam produzidos ou transitem pelo território, mesmo que o governo venha tentando combater os narcóticos.

A declaração é uma determinação presidencial para o ano fiscal de 2027; trata-se de um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso para prestar contas e conseguir a liberação de fundos para assuntos específicos – no caso, o combate ao tráfico de drogas.

À CNN, o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, disse que a operação Força Integrada, realizada ontem, quarta-feira (16) e considerada pelo governo brasileiro como uma das maiores ações integradas de combate ao crime organizado já realizadas no país, rebate e contraria a fala de Trump.

A operação ocorreu em vários estados, resultando em mais de 170 mandados de busca e apreensão; 137 prisões e 44 flagrantes; mais de R$ 508 milhões em bens e ativos bloqueados judicialmente, entre outras apreensões.

“A operação contraria totalmente que o Estado brasileiro não está combatendo com eficiência o crime organizado. Só hoje foram bloqueados mais de meio bilhão de reais com participação de 19 estados da Federação envolvendo todo aparato policial dessas unidades”, detalhou.

Classificações de PCC e CV

Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que classificou o Comando Vermelho e o PCC como "Terroristas Globais Especialmente Designados".

Naquele momento, o governo Trump afirmou que usaria todas as ferramentas disponíveis para manter drogas ilícitas fora do território norte-americano e interromper o fluxo de recursos que financiam "narcoterroristas violentos".

A decisão veio na esteira de uma pressão feita por congressistas da direita, que buscaram, durante a votação da Lei Antfacção, classificar grupos criminosos brasileiros ligados ao tráfico de drogas como grupos terroristas.

O governo Lula se posicionou contra, afirmando que isso abriria margem para intervenções estadunidenses em território brasileiro. O Planalto usava como argumento a operação feita no começo do ano por Washington na Venezuela. Em 3 de janeiro, os Estados Unidos invadiram o país vizinho e prenderam o presidente Nicolás Maduro sob a justificativa de que o mandatário venezuelano comandaria um suposto grupo criminoso de tráfico de drogas, o Cartel de Los Soles. Esse grupo havia sido classificado como terrorista, o que abriu espaço para a aprovação de uma operação militar no exército dos EUA.


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Com informações CNN Brasil.

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