IMPORTANTE: ‘MESMO DIANTE DE CORTE BILIONÁRIO NA DEFESA, MARINHA DÁ PASSO OUSADO COM 1ª UNIDADE DE VIGILÂNCIA COSTEIRA’; CONFIRA

(crédito: foto eprodução Sociedade Miilitar)


Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada 9h10 desta quarta-feira, 08 de julho de 2026.

Driblando um cenário orçamentário complexo, com verbas consideradas insuficientes, a Marinha do Brasil deu um passo importante na ampliação da defesa nacional no mar. A primeira unidade de vigilância costeira do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o SisGAAz, entrou em operação no Farol de Castelhanos, em Ilha Grande, no município de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

A estrutura permite que a Força Naval acompanhe com mais precisão o tráfego marítimo em uma área estratégica do litoral brasileiro. Mais do que receber dados de embarcações e de outros sistemas, a Marinha passa agora a produzir informações próprias por meio de sensores instalados na costa.

O avanço tecnológico ocorre em meio a uma forte restrição orçamentária. Segundo dados do Ministério do Planejamento, o Ministério da Defesa teve bloqueio de R$ 4,363 bilhões em despesas discricionárias no segundo bimestre de 2026.

Um novo olhar sobre a Amazônia Azul

A chamada Amazônia Azul é uma das áreas mais importantes para o Brasil. É por ela que passam rotas comerciais, atividades pesqueiras, operações portuárias, plataformas, cabos submarinos, embarcações civis e militares, além de serviços essenciais para a economia e para a segurança do país.

Por isso, ampliar a vigilância sobre essa área não é apenas uma ação militar. É também uma medida de proteção de infraestrutura, de apoio à navegação, de combate a ilícitos e de preservação ambiental.

Com a unidade de Castelhanos, a Marinha passa a operar, pela primeira vez no âmbito do SisGAAz, um recurso próprio de sensoramento ativo. Isso significa que a Força não depende apenas de informações enviadas por navios ou por sistemas externos. Ela também passa a detectar, identificar e acompanhar alvos diretamente.

Como funciona a nova vigilância costeira

A unidade instalada em Ilha Grande combina diferentes tecnologias. O radar detecta contatos no mar e gera informações sobre as embarcações que passam pela região. Em seguida, esses dados são comparados com o Sistema de Identificação Automática de Embarcações, conhecido como AIS.

O AIS transmite informações como identificação, posição, velocidade e direção de determinados navios. Quando os dados do radar e do AIS são cruzados, os operadores conseguem verificar se a embarcação detectada corresponde ao que foi informado pelo próprio navio.

Depois dessa primeira identificação, uma câmera eletro-óptica pode ser direcionada ao alvo por meio do sistema CITRA. Com isso, os operadores visualizam imagens em tempo real, confirmam características da embarcação e acompanham seu deslocamento.

Essa combinação aumenta a precisão do monitoramento. O radar pode detectar uma embarcação mesmo quando não há identificação automática disponível. A câmera, por sua vez, ajuda a confirmar visualmente o alvo.

Defesa, segurança e combate a ilícitos

O ganho operacional vai além da simples observação do tráfego marítimo. Segundo a Marinha, o conhecimento mais preciso sobre a movimentação de embarcações pode apoiar ações de busca e salvamento, respostas a emergências, fiscalização ambiental e enfrentamento de atividades ilícitas.

Entre os exemplos citados estão tráfico de drogas, contrabando e pesca ilegal. O monitoramento também contribui para a proteção de portos, plataformas, cabos submarinos, instalações costeiras e outras infraestruturas críticas.

Dados sobre a unidade de vigilância de Castelhanos

Essas estruturas, embora muitas vezes invisíveis para a população, sustentam serviços fundamentais. Energia, telecomunicações, transporte de mercadorias e acesso à internet dependem diretamente de equipamentos, rotas e sistemas localizados no ambiente marítimo ou conectados a ele.

Por isso, a ampliação da vigilância costeira tem impacto direto na defesa nacional e na segurança pública. Um incidente no mar pode afetar abastecimento, comunicações, comércio exterior e resposta do Estado a emergências.

Modelo para outras áreas estratégicas

O Comandante de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul, Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, avaliou que a unidade de Castelhanos representa um avanço significativo na implementação do SisGAAz.

Segundo ele, o sistema foi concebido como uma capacidade de Estado, voltada à produção e ao compartilhamento da consciência situacional marítima entre diferentes setores e órgãos federais e estaduais.

Monitoramento também alcança aeronaves

A nova unidade não se limita ao tráfego marítimo. A estrutura também possui capacidade de acompanhar aeronaves que sobrevoam a região por meio do sensor ADS-B.

Essa tecnologia recebe informações transmitidas pelas próprias aeronaves, como posição, altitude, velocidade e identificação. Com isso, a Marinha passa a compor um quadro mais completo das atividades no mar e no espaço aéreo próximo ao litoral.

A instalação também pode receber dados de sensores compatíveis com a tecnologia LoRa, solução de comunicação de longo alcance e baixo consumo de energia. Essa possibilidade abre caminho para a futura integração de diferentes equipamentos distribuídos pela região.

Um passo concreto na defesa do mar brasileiro

O SisGAAz tem como objetivo reunir dados de diferentes fontes para ampliar a consciência situacional marítima. Em termos simples, trata-se de saber o que acontece no mar e como esses acontecimentos podem afetar a defesa, a economia, a segurança e o meio ambiente.

Com a unidade de vigilância costeira do Farol de Castelhanos, a Marinha avança de uma etapa de integração de informações para uma fase de produção direta de dados por sensores próprios.

A inauguração não encerra o desafio de monitorar a imensa costa brasileira, mas representa um passo concreto na ampliação da defesa nacional no mar. Em um país dependente de portos, rotas marítimas, energia, cabos submarinos e recursos naturais, enxergar melhor a Amazônia Azul é também proteger melhor o Brasil.


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Com informações Revista Sociedade Militar. 

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