SAIBA COMO FUNCIONA UNS DOS TREINAMENTOS MAIS DIFÍCEIS DA FORÇAS ARMADAS ONDE 70% DOS CANDIDATOS DESISTEM
![]() |
| (crédito: Agência Marinha de Notícias) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 17h52 desta quinta-feira, 25 de junho de 2026.
Formação combina resistência física, preparo psicológico e operações em ambientes extremos em um dos processos seletivos mais exigentes das Forças Armadas brasileiras.
Como funciona um dos treinamentos mais difíceis e extremos
das Forças Armadas Brasileiras que forma alguns dos militares mais
especializados do país e onde 70% dos candidatos desistem
Treinamento exige alta exigência física e psicológica dos
candidatos. Imagem: Agência Marinha de Notícias
Passar quase um ano enfrentando longas jornadas de
treinamento, deslocamentos com dezenas de quilos de equipamento, operações
aquáticas, exercícios em montanhas, atividades na selva e uma rotina de pressão
constante. Essa é apenas parte da realidade dos candidatos ao Curso de
Mergulhador de Combate da Marinha do Brasil, uma formação frequentemente citada
entre as mais exigentes das Forças Armadas brasileiras.
A especialização é a porta de entrada para o Grupamento de
Mergulhadores de Combate (GRUMEC), unidade de operações especiais da Marinha
responsável por missões que podem envolver infiltrações discretas pelo mar,
contraterrorismo, retomada de embarcações e proteção de estruturas
estratégicas.
Mas antes de chegar a esse estágio, os candidatos precisam
superar um longo processo de seleção e treinamento.
Uma tradição que nasceu durante a Guerra Fria
A origem da atividade remonta à década de 1960, quando
militares brasileiros foram enviados aos Estados Unidos para conhecer as
técnicas empregadas pelas equipes de Underwater Demolition Team (UDT), criadas
para reconhecer áreas de desembarque e remover obstáculos antes de operações
anfíbias.
Com o passar dos anos, a doutrina evoluiu e incorporou
conhecimentos adquiridos em intercâmbios internacionais, incluindo treinamentos
realizados na França.
O resultado foi a criação, em 1974, do primeiro Curso
Especial de Mergulhador de Combate realizado no Brasil.
Décadas depois, a especialidade se consolidou como uma das
mais complexas da Marinha, culminando na criação do atual Grupamento de
Mergulhadores de Combate, em 1997.
O treinamento começa antes do curso
O processo de formação não começa no primeiro dia de aula.
Antes mesmo de ingressarem no curso, os candidatos precisam
passar por avaliações físicas, exames médicos e testes psicotécnicos.
Os aprovados seguem para uma fase inicial de preparação
física, realizada no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes
(CEFAN).
Nessa etapa, condicionamento físico, alimentação e
recuperação passam a ser acompanhados de forma rigorosa para preparar os
militares para os desafios que virão nos meses seguintes.
Somente após essa fase os candidatos seguem para o Centro de
Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), onde começa
efetivamente a formação do Mergulhador de Combate.
Curso inclui formação de snipers e paraquedistas. Imagem:
Agência Marinha de Notícias
Mergulho, combate e resistência física
Ao longo de cerca de 40 semanas, os alunos são submetidos a
uma sequência de treinamentos que combinam capacidades normalmente associadas a
diferentes especialidades militares.
A formação inclui mergulho autônomo, operações especiais
terrestres, navegação, comunicações, armamento, demolição, defesa pessoal e
técnicas de combate.
Em uma das etapas, os candidatos realizam longos
deslocamentos carregando mochilas pesadas, armamento e equipamentos
operacionais.
Foi durante uma dessas atividades que o então aluno Cabo
Cabral viveu um dos momentos que considera mais difíceis do curso.
Segundo ele, durante uma missão de reconhecimento precisou
transportar uma metralhadora de aproximadamente sete quilos além de uma mochila
que pesava cerca de 28 quilos em uma trilha íngreme.
“Minhas pernas falharam ao chegar ao final da trilha. Foi
muito difícil, mas contei com a ajuda dos meus camaradas de turno, que
amarraram um cabo na minha cintura e me puxaram até eu chegar ao topo da
montanha”, relembrou o militar em entrevista à Agência Marinha de Notícias.
Treinamento envolve longas jornadas em ambientes extremos.
Imagem: Agência Marinha de Notícias
O mergulho sem bolhas
Uma das capacidades mais conhecidas dos Mergulhadores de
Combate é o emprego de equipamentos de circuito fechado.
Ao contrário dos sistemas convencionais utilizados por
mergulhadores recreativos, eles não liberam bolhas na água.
A tecnologia permite uma aproximação muito mais discreta e
reduz as chances de detecção durante operações especiais.
É nessa fase que os alunos entram em contato com algumas das
técnicas que tornaram os Mergulhadores de Combate uma referência dentro das
operações especiais navais.
O maior desafio não está no corpo
Embora o curso seja marcado pela elevada exigência física,
instrutores e ex-alunos costumam apontar outro fator como decisivo para a
aprovação: a resistência mental.
A rotina de desgaste contínuo, associada à necessidade de
manter o desempenho sob pressão, faz com que muitos candidatos desistam ainda
nas fases iniciais.
A taxa média de formação gira em torno de 30%, segundo
informações divulgadas pela Marinha.
Para o Cabo Cabral, a chave para chegar ao final não está
apenas na força física.
“O mental é mais importante que o corpo. Não adianta pensar
muito à frente. O foco deve estar sempre no presente: um dia de cada vez, uma
etapa de cada vez”, afirmou.
A formatura é apenas o começo
Receber o brevê não significa o fim da preparação.
Após a conclusão do curso, os militares seguem para o
Grupamento de Mergulhadores de Combate, onde continuam passando por
qualificações adicionais.
Entre elas estão cursos de paraquedismo militar, salto livre
operacional, tiro de precisão, desativação de explosivos e atendimento
pré-hospitalar em combate.
O objetivo é ampliar gradualmente as capacidades operacionais
desses militares, que poderão atuar em missões de elevado risco e alta
complexidade.
Seleção de perfil
Mais do que ensinar técnicas de combate, o curso funciona
como um processo contínuo de seleção.
Além do desempenho físico e técnico, são observadas
características como disciplina, capacidade de trabalhar em equipe, liderança,
autocontrole e tomada de decisão sob pressão.
Segundo o capitão-tenente Victor Hugo, encarregado da Escola
de Operações Especiais da Marinha, a formação busca identificar militares
capazes de manter o desempenho mesmo em situações extremas.
Esse perfil ajuda a explicar por que a especialização é
considerada uma das mais exigentes da Marinha e uma das formações militares
mais desafiadoras existentes atualmente no Brasil.
********
Com informações Revista Sociedade Militar.
.jpg)










Comentários