PAPO DE QUERREIROS: DUAS MILITARES CONCLUEM PALA 1ª VEZ CURSOS DE FORMAÇÃO EM SELVA MAIS EXIGENTES DO BRASIL; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução Siciedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 10h15 desta segunda-feira, 1º de junho
de 2026.
Curso conhecido pelo alto índice de evasão forma militares
mulheres pela primeira vez em 27 anos e simboliza uma transformação cultural
dentro da Marinha do Brasil e nas operações de elite das Forças Armadas
Duas militares concluem pela primeira vez um dos cursos de
formação em selva mais exigentes do Brasil na Amazônia e simbolizam
transformação cultural nas Forças Armadas
O Curso Expedito de Operações Ribeirinhas é um dos mais
exigentes do país. Foto: Marinha do Brasil
A presença feminina em cursos operacionais de alta exigência
da Marinha do Brasil e nas Forças Armadas alcançou mais um marco histórico com
a formação de militares mulheres que concluíram pela primeira vez um dos
treinamentos mais rigorosos da Força e um dos mais desafiadores do país.
Tradicionalmente voltado à preparação de combatentes para atuar nos complexos
ambientes fluviais da Amazônia, o Curso Expedito de Operações Ribeirinhas exige
dos participantes elevado condicionamento físico, resistência psicológica e
domínio de técnicas especializadas de combate e navegação.
Realizado pelo 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas
(2ºBtlOpRib) em Belém (PA), o curso é reconhecido por seu alto índice de
evasão. Em edições recentes, dezenas de candidatos iniciaram o treinamento, mas
apenas uma parcela conseguiu concluir todas as etapas. Em 2023, por exemplo,
dos 125 militares apresentados, apenas 31 chegaram ao final da formação.
Neste ano, pela primeira vez, em 27 anos desde a sua criação,
o curso formou duas militares mulheres que, agora, estão capacitadas, junto a
seus colegas de farda, para atuarem como “Guardiãs do Portal da Amazônia”.
A edição de 2026 teve início com 128 voluntários apresentados
ao processo seletivo. Ao final do curso, concluíram a formação 22 militares do
2ºBtlOpRib, um militar do Esquadrão de Helicópteros HU-41 e cinco policiais
militares do Estado do Pará, conforme informou a Agência Marinha de Notícias.
Criado em 1999, o curso já formou mais de 1.150 militares especializados em técnicas, táticas e procedimentos voltados às operações no ambiente amazônico. O preparo tem foco no planejamento, na coordenação e na execução de operações em rios e áreas de selva nessa região, onde as hidrovias são rotas de integração nacional e de desenvolvimento econômico.
Entre as atividades do curso, estão:Atividades de
sobrevivência em selva
Atividades de navegação
Técnicas especiais em área de mata
Operações com helicópteros e emprego de pequenas frações de
combate
Outras instruções voltadas ao ambiente ribeirinho amazônico
“A importância estratégica das hidrovias amazônicas, do Arco
Norte e da Margem Equatorial exige militares preparados para proteger a
soberania nacional, combater ilícitos transfronteiriços e garantir a presença
do Estado nas áreas mais distantes do País”, destacou o comandante do
2ºBtlOpRib, Capitão de Fragata (Fuzileiro Naval) Luciano Ferreira dos Santos.
Militares durante o Curso Expedito de Operações Ribeirinhas
Mais do que um feito individual, a presença de mulheres em
cursos operacionais desse nível simboliza uma transformação cultural dentro da
Marinha do Brasil. Além de ampliar a diversidade nas tropas, a participação
feminina demonstra que os critérios para integrar unidades especializadas
permanecem baseados na capacidade técnica, na preparação física e na
resistência exigidas pela atividade militar, independentemente do gênero.
A Segundo-Sargento Musicista Valéria Duarte concluiu o curso
após três tentativas e ressaltou a superação exigida ao longo das instruções. A
militar disse que o sentimento é de superação pessoal e de dever cumprido. Aos
38 anos, a Sargento Valéria viu essa chance como a última para realizar o sonho
de ser uma “Guardiã do Portal da Amazônia”.
“O curso foi muito intenso, desde os testes iniciais até o
último dia. A todo tempo eu pedia ajuda a Deus para conseguir carregar minha
mochila e para que em cada instrução me desse a capacidade para assimilar e
superar as adversidades. O que me fazia continuar era lembrar que essa seria
minha última oportunidade de conseguir concluir, pois a minha idade está
avançada para aguentar um curso que é tão intenso. Eu também pensava em todas
as pessoas que estavam acreditando em mim, eu não queria decepcioná-las. Eu
descobri que sou mais forte do que imaginava”, contou, emocionada, a militar.
A Soldado (Fuzileiro Naval) Raissa Fernandes de Medeiros foi
a outra miltiar a concluir o Curso Expedito de Operações Ribeirinhas, e
destacou que a experiência foi mais intensa do que imaginava.
“Essa foi minha primeira vez tentando o curso. Eu confesso
que no início não tinha muita noção do que era, de fato, um curso operacional
como esse. Mas hoje vejo que tive muita coragem pra tentar e para conhecer meus
limites, foram muitas dificuldades”, concluiu a Soldado Medeiros.
Durante a formação, Aoao longo de várias semanas, os alunos
são submetidos a instruções intensas que incluem vida na selva, patrulhas
ribeirinhas, navegação, topografia, natação utilitária, primeiros socorros,
comunicações, operações com aeronaves, embarcações e motores, além do
planejamento e execução de missões em ambientes fluviais.
O objetivo é preparar operadores capazes de atuar em uma das
regiões mais desafiadoras do país, marcada por extensas redes de rios, áreas de
mata fechada e dificuldades logísticas características da Amazônia.
O 2º Batalhão de Operações Ribeirinhas é uma das unidades mais especializadas do Corpo de Fuzileiros Navais para atuação em ambientes fluviais e de selva. Sediado em Belém, o batalhão é considerado a principal força de combate ribeirinha da Marinha na Amazônia Oriental, região estratégica que concentra milhares de quilômetros de rios navegáveis e áreas de fronteira.
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Com informações Revista Sociedade Militar.


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