VÍDEO: MORRE 3ª VÍTIMA DE ACIDENTE COM AERONAVE QUE BATEU EM PRÉDIO EM BELO HORIZONTE; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução para ilustração do texto) |
Postagem publicada à 0h57 desta terça-feira, 05 de maio de
2026.
Cinco pessoas estavam na aeronave, segundo o Corpo de
Bombeiros e a Polícia Civil de Minas Gerais
Um avião de pequeno porte bateu na parte lateral de um prédio
após decolar no início da tarde desta segunda-feira (4) do aeroporto da
Pampulha, em Belo Horizonte.
Cinco pessoas estavam na aeronave, segundo o Corpo de
Bombeiros e a Polícia Civil. O piloto Wellington Oliveira, 34, e o passageiro
Fernando Moreira Souto, 36, morreram no local. Souto é filho do prefeito de
Jequitinhonha (MG), Nilo Souto (PDT).
Leonardo Berganholi Martins, 50, chegou a ser socorrido com
vida, mas morreu após dar entrada no Hospital de Pronto-Socorro João 23. A
Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) confirmou a morte na
noite desta segunda.
Os sobreviventes são Arthur Schaper Berganholi, 25, filho de
Leonardo, que sofreu fratura no pé, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, 53. Eles
também foram levados para o João 23. Segundo a Fhemig, os dois permanecem
internados na unidade, com quadro estável.
O avião atingiu a caixa de escada do edifício. Todos os
moradores foram retirados em segurança.
Segundo os bombeiros, não há risco estrutural aparente. Houve
vazamento de combustível no estacionamento de um mercado, que funciona na
vizinhança do prédio atingido, mas o risco de explosão foi neutralizado com
aplicação de espuma mecânica.
Um vídeo do interior do local, a que a reportagem teve
acesso, mostrava um dos feridos com a perna aparentemente fraturada. Ele estava
consciente no momento do resgate e foi levado junto dos outros feridos ao
hospital.
A aeronave perdeu altitude após deixar o aeródromo, conforme
a polícia, e atingiu um edifício de três andares na rua Ilacir Pereira Lima, no
bairro Silveira. O piloto chegou a declarar emergência grave (mayday), segundo
a torre de controle.
O local da queda é 3,9 quilômetros distante da cabeceira 31,
a mais próxima da avenida Cristiano Machado. Imagens mostram que a aeronave
planou entre os prédios até atingir a lateral do edifício.
Segundo a polícia, a aeronave havia saído de Teófilo Otoni,
fez escala em Belo Horizonte, onde duas passageiras, mãe e filha,
desembarcaram, e seguiria para São Paulo.
“As informações que temos de uma testemunha são de que, no
próprio aeroporto da Pampulha, a decolagem já não foi correta, que já estava
perdendo altitude”, disse a delegada Andrea Pochman, da 1ª Delegacia da região
Leste.
A polícia informou também que o voo era de caráter particular
e não operava como táxi aéreo. A aeronave havia sido adquirida recentemente e
ainda passava por processo de transferência de propriedade.
O avião é de matrícula PT-EYT e tem situação normal de
aeronavegação, segundo o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro).
Segundo registro na Anac, a aeronave monomotor é do modelo
NEIVA EMB-721C, foi fabricada pela Embraer em 1979 e estava em situação
legalizada. É um avião comum na aviação privada e usado para deslocamentos
regionais. O operador atual do avião, conforme o registro mais recente, é uma
empresa de internet de Teófilo Otoni (MG).
A perícia da Polícia Civil foi ao local e iniciou os
trabalhos antes da retirada dos corpos do piloto e do copiloto.
A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que investigadores do
Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foram
acionados e já iniciaram a chamada “ação inicial” no local. Segundo a FAB, essa
etapa envolve a coleta e confirmação de dados, preservação de elementos,
verificação dos danos e levantamento de outras informações para a investigação.
Especialista em segurança de voo, Roberto Peterka diz que a
perda de potência notada pode ter conexão com uma eventual contaminação do
combustível, que pode afetar modelos de pequeno porte.
“Em princípio, pode-se imaginar que foi combustível
contaminado. Como a água fica por baixo do combustível, na hora em que o avião
acelera, o que entra no motor é água, ao invés de combustível”, diz Peterka.
Para James Rojas Waterhouse, especialista em aviação e
professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP, o avião estava “na
pior condição para se estar em aeroportos próximos de cidades”.
“Numa cidade densa, se você tem uma pane qualquer, não tem
lugar nenhum para pousar”, diz.
Pelo vídeo, James avalia que o piloto teria tentado manobrar
o avião, de maneira que, caso tivesse pousado sobre o telhado do prédio, o
acidente seria menor. Mas não havia altura e nem velocidade para isso. “Fato é
que o impacto foi muito forte. Pelo vídeo, ele tentou manter o controle até o
último momento, mas não conseguiu.”
Moradores relatam susto
A dona de casa Claudete Martins, que vive no prédio atingido
há quase 50 anos, estava em casa no momento da batida. Ela contou que foi
orientada pelos bombeiros a permanecer no apartamento enquanto as equipes
priorizavam o socorro aos feridos.
“Eles me pediram para eu ficar lá quieta, tomando água e
abrindo a janela, que iam me resgatar, mas tinham que socorrer os feridos
primeiro. Me perguntaram se eu estava bem, eu disse que sim, só estava inalando
muito querosene”, afirmou.
Segundo Martins, após o resgate das vítimas com vida, os
bombeiros montaram uma escada para retirá-la do imóvel. “Depois, o moço veio e
me pediu para colocar calça e tênis. Colocaram uma escada por onde desci e três
me seguraram lá embaixo.”
Ela relatou ainda a dimensão dos danos no prédio. “Eu moro no
302, acabou lá, não tem mais escada, só tem motor e peça de avião, acabou
tudo.”
Um policial militar que mora no prédio ajudou no primeiro
atendimento às vítimas, antes da chegada das equipes de resgate.
Moradora do segundo andar do prédio, Natalia Bicalho, 23,
disse que não estava em casa no momento do acidente. “Fiquei sabendo porque uma
amiga me mandou mensagem, e outras pessoas começaram a ligar querendo saber se
eu estava em casa, porque moro sozinha. Foi um livramento não estar lá”,
afirmou.
Ela disse ainda que não conseguiu retornar ao apartamento
para avaliar os danos e que soube de dificuldades enfrentadas por vizinhos.
“Ouvi que uma vizinha não conseguiu descer as escadas no terceiro andar”,
relatou.
Em entrevista à rádio Itatiaia, o tenente Raul Souza, do
Corpo de Bombeiros, afirmou que o impacto ocorreu entre o terceiro e o quarto
andares e que parte da aeronave ficou cravada no prédio.
Ele destacou a gravidade do resgate ao descrever uma das
vítimas encontradas na caixa de escada.
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