ELEIÇÃO 2026: O QUE OS PRÉ-CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA PROMETEM PARA AS FORÇAS ARMADAS; CONFIRA
![]() |
| (crédito: foto reprodução Sociedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 17h08 deste domingo, 17 de maio de
2026.
Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado apresentam visões distintas
sobre investimentos militares, despolitização das Forças Armadas e segurança
para eleições 2026. Com
as eleições presidenciais de 2026 se aproximando, o papel das Forças Armadas
forçosamente volta ao debate político brasileiro. Os principais pré‑candidatos já ensaiam
discursos sobre investimentos, modernização e limites à participação política dos militares, enquanto partidos finalizam programas de governo que
ainda serão oficializados nas convenções de agosto.
Entre os nomes mais bem posicionados nas pesquisas aparecem o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um novo mandato, o senador
Flávio Bolsonaro (PL) e o governador Ronaldo Caiado (PSD), além de outras
candidaturas menos estruturadas como Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão),
Aldo Rebelo (DC) e Augusto Cury (Avante).
Embora a maioria ainda não tenha apresentado planos completos
para a Defesa, declarações recentes e projetos em tramitação já permitem
identificar diferenças importantes na forma como cada campo enxerga as Forças
Armadas.
- Lula: mais investimentos e foco em soberania
No campo governista, Lula aposta na combinação de
distanciamento político dos quartéis com um robusto programa de investimentos
em defesa.
O governo sancionou lei complementar que destina cerca de 30
bilhões de reais, ao longo de seis anos. O montante, fora do arcabouço fiscal,
destina-se a projetos estratégicos das Forças Armadas.
A estratégia cria uma exceção específica para programas considerados sensíveis.
A ideia é acelerar a modernização de submarinos, caças,
blindados, sistemas de mísseis e de vigilância de fronteiras. Terão ênfase a
Amazônia e as áreas sob pressão de crimes transnacionais.
O Planalto também reforça o discurso de fortalecimento da
Base Industrial de Defesa, priorizando encomendas à indústria nacional.
Está em foco também a busca de maior autonomia tecnológica em
vez de depender apenas da aquisição de pacotes prontos no exterior.
No plano político‑institucional, a prioridade é aprovar a chamada PEC dos militares.
Essa medida obriga integrantes da ativa a irem para a reserva caso queiram
disputar eleições ou assumir cargos de primeiro
escalão, como ministérios.
A proposta, defendida por aliados de Lula e discutida com a
cúpula da Defesa, é apresentada como forma de reduzir a “contaminação política”
nos quartéis.
O governo também pretende encerrar a leitura de que as Forças
Armadas teriam qualquer tipo de “poder moderador” sobre os demais Poderes.
- Flávio Bolsonaro: menos militares no governo, mais
alinhamento ideológico
Na oposição ligada ao bolsonarismo, o senador Flávio
Bolsonaro tenta se diferenciar do modelo adotado pelo pai durante o mandato no
Planalto.
Em declarações recentes, o pré‑candidato
prometeu “menos militares e mais mulheres” em postos estratégicos da administração federal, indicando que pretende
reduzir de forma significativa a presença de oficiais em cargos civis caso vença a eleição.
O movimento é lido como tentativa de atrair o eleitorado
feminino, ao mesmo tempo em que sinaliza a generais e oficiais que o eventual
governo não repetiria, pelo menos na forma, o protagonismo da ala fardada
observado entre 2019 e 2022.
Embora Flávio mantenha o discurso duro em temas como
segurança pública e combate ao crime, ainda não apresentou um plano estruturado
de investimentos para a Defesa ou para a Base Industrial de Defesa.
- Ronaldo Caiado: integração com segurança pública e discurso
de “soberania estatal”
Ronaldo Caiado, governador de Goiás e pré‑candidato pelo PSD, enfatiza em seus discursos a relação entre Forças Armadas, fronteiras e combate ao
crime organizado.
Em falas recentes, defendeu que as tropas tenham papel mais
ativo na repressão ao narcotráfico, com integração a polícias estaduais e
federais e uso intensivo de inteligência para retomar áreas sob controle de
facções.
Caiado também menciona com frequência a importância de
parcerias internacionais envolvendo minerais estratégicos, como terras raras,
com potencial de impactar a indústria de defesa e a capacidade tecnológica do
país.
Ao mesmo tempo, o governador tem defendido anistia ampla como
instrumento de “pacificação”, especialmente em relação a apoiadores do ex‑presidente Jair Bolsonaro investigados por atos antidemocráticos, o que tende a ressoar em
setores da reserva das Forças Armadas.
- Outros nomes: pouca clareza sobre Defesa
Outros pré‑candidatos que se colocam como
alternativas ao lulismo e ao bolsonarismo ainda não detalharam, até o momento, uma
agenda consistente para as Forças Armadas.
Aldo Rebelo, Renan Santos, Augusto Cury, Cabo Daciolo e
representantes da esquerda radical aparecem em pesquisas e listas de
candidaturas, mas suas propostas para Defesa, orçamento militar e papel
político dos quartéis são difusas ou pouco exploradas em documentos públicos.
Em geral, quando o tema surge, esses candidatos oscilam entre
a defesa de uma “despolitização” das Forças e a crítica ao aumento de gastos em
Defesa num cenário de forte pressão social por investimentos em saúde, educação
e programas de transferência de renda.
A ausência de planos detalhados abre espaço para que o debate
seja dominado pelos campos que já dispõem de estrutura partidária robusta e
diálogo consolidado com a alta oficialidade.
- Pautas transversais: orçamento, previdência e participação
política
Alguns temas permeiam praticamente todos os campos políticos,
com maior ou menor ênfase. Há relativo consenso sobre a necessidade de manter
ou ampliar investimentos em Defesa, mas há divergência sobre a prioridade.
Parte dos atores defende concentrar recursos na indústria
nacional e em programas de longo prazo, enquanto outros preferem aquisições
rápidas de tecnologia estrangeira, mesmo com menor impacto na base industrial.
A questão da previdência militar permanece sensível; a
maioria dos pré‑candidatos evita propor mudanças profundas para não tensionar a relação com as bases dentro das Forças.
Já no campo da participação política, a divisão é mais clara:
setores de esquerda e centro‑esquerda defendem proibir de forma
mais rígida a atuação de militares da ativa em eleições e em cargos políticos.
Por outro lado, parte da direita sustenta que o militar, como
cidadão, não deveria ter seus direitos restringidos além do estritamente
necessário.
GLO, escolas cívico‑militares e ensino de Defesa
A utilização das operações de Garantia da Lei e da Ordem
(GLO) também divide os blocos políticos.
O governo Lula tenta restringir o emprego das tropas em
situações de segurança pública interna. O argumento é que isso desvia a missão
principal das Forças Armadas e aumenta a exposição a conflitos com civis.
Por outro lado, a oposição costuma ver com bons olhos o uso
da GLO como instrumento para apoiar Estados em crises de violência urbana.
Outro tema sensível é o futuro das escolas cívico‑militares. O governo federal encerrou o programa em nível nacional.
Apesar disso, modelos semelhantes seguem em vigor em Estados
administrados por governadores de oposição.
Estes defendem a manutenção do formato em nome da disciplina
e de supostos ganhos de desempenho escolar.
Em paralelo, o debate sobre a reforma do ensino militar e o
conteúdo ministrado em academias e escolas de formação tende a crescer durante
a campanha, especialmente após os episódios de 8 de janeiro de 2023 e a atuação
de militares da reserva em movimentos golpistas.
Tabulação de propostas – A visão de cada pré‑candidato
Eleições 2026 definirão modelo de relação civil-militar para os próximos anos
Para as Forças Armadas a eleição de 2026 tende a ser menos
sobre nomes específicos e mais sobre qual modelo de relação civil‑militar prevalecerá nos próximos anos.
De um lado, ganha força a ideia de uma Defesa robusta em
orçamento, mas rigidamente separada da política partidária.
De outro, seguem presentes projetos que buscam manter os
militares como atores centrais em temas de segurança pública e em debates de
“lei e ordem”.
Independentemente do resultado das urnas, o debate sobre o
Artigo 142, a PEC dos Militares, a reforma do ensino e a recomposição da Base
Industrial de Defesa deve acompanhar o próximo governo desde o primeiro dia de
mandato.
******
Com informações Revista Sociedade Militar.
.png)










.png)
Comentários