SENADO REJEITA MESSIAS AO STF E IMPÕE DERROTA HISTÓRICA AO GOVERNO LULA



Por: Alvaro Neves. 

Postagem publicada às 6h05 desta quinta-feira, 30 de abril de 2026.

Primeira rejeição desde a redemocratização expõe uso do Senado para interesses pessoais por Alcolumbre e disputa por controle da Corte

O Senado rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, em um placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis. A decisão rompe uma tradição consolidada desde 1988 e marca a primeira vez, na Nova República, em que um nome indicado ao STF é barrado pelo plenário da Casa.

O episódio é ainda mais excepcional quando observado em perspectiva histórica. A última rejeição de um indicado ao Supremo ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, quando o Senado barrou cinco indicações. Desde então, ao longo de mais de um século — e especialmente após a redemocratização —, todas as indicações presidenciais foram aprovadas, ainda que com resistências pontuais.

A derrota de Messias, no entanto, vai além de um revés político do governo. Nos bastidores, a articulação para barrar o nome teve comando direto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que atuou para esvaziar a indicação e consolidar uma maioria contrária no plenário.

Ao longo dos últimos meses, Alcolumbre retardou deliberadamente o avanço da indicação, ampliando o desgaste político do nome escolhido pelo Palácio do Planalto. A condução do processo foi marcada por sucessivos adiamentos e pela construção de um ambiente desfavorável ao indicado, que acabou se refletindo no resultado final.


Interesses próprios

Não se trata de um episódio isolado na atuação do presidente do Senado. Interlocutores no Congresso apontam que Alcolumbre tem recorrido de forma recorrente ao controle da pauta e do ritmo das votações para impor interesses políticos próprios, utilizando a estrutura institucional da Casa como instrumento de pressão.

No caso da indicação ao STF, o movimento foi além. Mais do que barrar um nome, a articulação teve como objetivo abrir espaço para que o Senado influenciasse diretamente na escolha do próximo ministro da Corte. Nos bastidores, Alcolumbre defendia a construção de uma alternativa ao nome de Messias, tendo como preferência o senador Rodrigo Pacheco.

A estratégia mostra  uma distorção no papel constitucional do Senado. Cabe ao presidente da República a prerrogativa de indicar ministros do STF, enquanto ao Senado compete avaliar e deliberar sobre o nome. Ao atuar para inviabilizar uma indicação e, simultaneamente, impulsionar um nome próprio, Alcolumbre desloca a Casa de sua função institucional para uma atuação ativa na definição da composição do Supremo.



Pressão sobre o caso Master

O episódio ocorre em meio à crescente pressão provocada pelo caso Banco Master, investigação que envolve suspeitas de irregularidades financeiras de grande escala e que já atingiu aliados políticos do presidente do Senado.

Alcolumbre tem atuado para conter o avanço institucional do caso. Mesmo com apoio suficiente para sua instalação, a comissão parlamentar de inquérito sobre o Banco Master segue travada sob sua condução. O controle sobre a pauta e a demora na instalação da CPI são apontados por parlamentares como sinais de tentativa de limitar o alcance das investigações.

Ao mesmo tempo, o avanço das apurações no Supremo Tribunal Federal amplia o nível de incerteza sobre os desdobramentos do caso. Nesse cenário, a disputa por influência na composição da Corte ganha peso adicional, sendo tratada nos bastidores como elemento estratégico diante de investigações sensíveis.

A rejeição de Jorge Messias, portanto, não se resume a um episódio pontual. Ela expõe uma atuação política que combina controle de agenda, articulação de bastidores e uso da estrutura institucional do Senado para atender a objetivos específicos de poder.

O resultado impõe uma derrota direta ao governo e inaugura um novo padrão para futuras indicações ao Supremo, agora sob um ambiente mais conflituoso, mais imprevisível e condicionado a disputas políticas explícitas dentro do Congresso.


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Com informações e fotos Site ICL Notícias.


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