FORÇAS ARMADAS REPASSARAM R$ 137 MILHÕES AO BANCO MASTER COM VALORES DESCONTADOS DOS CONTRACHEQUES EM EMPRÉSTIMOS CONSIGNADOS
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(crédito: Imagem reprodução/Sociedade Militar) |
Por: Alvaro Neves.
Poatagem publicada às 4h40 desta quinta-feira, 23 de abril de
2026
Dados oficiais mostram como descontos em folha ligados a
empréstimos consignados colocaram o Banco Master entre os maiores recebedores
de repasses operacionais das Forças Armadas, em um contexto que ganhou atenção
após a liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central.
Em meio à repercussão sobre a situação do Banco Master, dados
de repasses feitos por órgãos públicos voltaram a chamar atenção.
Entre os registros, aparecem transferências realizadas pelas
Forças Armadas em operações ligadas a empréstimos consignados contratados por
militares.
As Forças Armadas brasileiras repassaram R$ 137,3 milhões ao
Banco Master entre 2020 e 2026 em operações relacionadas a empréstimos pessoais
consignados.
Segundo os dados divulgados pelo jornal “Folha de São Paulo”
e confirmada pelo g1, os valores não saíram do orçamento do Exército, da
Aeronáutica ou da Marinha.
Os repasses correspondiam a descontos autorizados em folha de
pagamento de militares e pensionistas, posteriormente transferidos ao banco.
De acordo com os números publicados, o Exército concentrou a
maior parte dos repasses, com R$ 115.651.172,06.
A Aeronáutica aparece com R$ 17.687.801,07.
A Marinha, por sua vez, soma R$ 3.967.810,71.
Como funcionam os repasses
No modelo de crédito consignado, a parcela do empréstimo é
descontada diretamente do contracheque do contratante.
Depois do desconto, o órgão responsável pela folha de
pagamento faz o repasse à instituição financeira credenciada.
Nesse tipo de operação, o órgão público atua como
intermediário administrativo do desconto em folha.
Segundo as informações divulgadas, foi esse o procedimento
adotado no caso das operações envolvendo militares e o Banco Master.
Por essa razão, as Forças Armadas sustentam que não houve
transferência de recursos orçamentários próprios ao banco, mas apenas o repasse
de valores descontados dos rendimentos dos beneficiários que contrataram os
empréstimos.
Crescimento das operações
Os dados publicados também indicam crescimento das operações
ao longo do período.
Em 2020, os repasses ainda estavam em patamar reduzido.
Em 2021, o volume avançou de forma expressiva e continuou
crescendo nos anos seguintes, até chegar ao total de R$ 404,8 milhões em
repasses federais ao banco em 2025.
Segundo a cobertura da imprensa, esse movimento ocorreu após
a mudança de controle da instituição financeira.
Daniel Vorcaro comprou o antigo banco Máxima em 2018 e
assumiu o controle da instituição em 2019.
Liquidação extrajudicial do Banco Master
O caso também ganhou repercussão porque o Banco Central
decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. em 18 de novembro de
2025.
A medida foi formalizada em ato oficial e também consta na
página do Banco Central dedicada ao processo de liquidação.
Com a liquidação, contratos e operações vinculadas à
instituição passaram a ser observados com mais atenção.
Ainda assim, os dados divulgados sobre os repasses das Forças
Armadas se referem, segundo os órgãos citados, a operações de consignado já
contratadas anteriormente pelos beneficiários.
O que disseram Exército, FAB e Marinha
O Exército afirmou, em nota reproduzida pela imprensa, que
não houve transferência de dinheiro da Força ao Banco Master.
Segundo o órgão, os valores envolvidos eram oriundos dos
rendimentos particulares dos militares e o Centro de Pagamento do Exército
atuava apenas na realização do desconto autorizado em contracheque e no repasse
mensal à entidade consignatária.
O Exército também informou que o credenciamento do banco
ocorreu por edital público e que, após a liquidação extrajudicial decretada
pelo Banco Central, o contrato para novos empréstimos consignados foi
rescindido unilateralmente.
A Força Aérea Brasileira declarou que repassou ao Master, em
2024 e 2025, apenas valores referentes a crédito consignado.
A FAB afirmou ainda que, após a decretação da liquidação
extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados bancários da
entidade liquidante, não realizou novas transferências.
A Marinha informou que não houve repasse de recursos públicos
ao Banco Master.
Segundo a nota mencionada nas reportagens, os valores
registrados são oriundos de consignações em folha relativas a empréstimos
privados contratados facultativamente por servidores civis e não se confundem
com verbas orçamentárias da Administração Naval.
Diferença em relação a outros casos
As reportagens que divulgaram os dados destacam que a
situação das Forças Armadas é diferente de casos investigados envolvendo
aplicações diretas de dinheiro público em instituições financeiras.
No caso dos militares, as operações mencionadas dizem
respeito a empréstimos consignados contratados individualmente, com desconto em
folha e responsabilidade de pagamento atribuída aos próprios contratantes.
Assim, os valores registrados no Portal da Transparência,
segundo as informações publicadas, correspondem ao fluxo financeiro de
consignações, e não a aportes orçamentários feitos pelas Forças Armadas ao
banco.
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Com informações Revista Sociedade Militar.



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