ELEIÇÃO DA HUNGRIA: ÍCONE DA EXTREMA DIREITA É DERROTADO APÓS 16 ANOS DE ULTRACONSERVADORISMO; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução /AFP/-Via Correio Braziliense) |
Por: Alvaro Neves
Postagem publicada às 20h15 deste domingo, 12 de abril de 2026.
Depois de 16 anos no poder e desmontando a democracia e liberdades fundamentais na Hungria, Viktor Orbán foi derrotado nas urnas. O resultado representa um abalo para a extrema direita mundial, para a credibilidade de Donald Trump e o fim político de um aliado para a família Bolsonaro.
No governo Lula, a eleição era ainda vista como um teste da ingerência da Casa Branca no apoio a um aliado e uma espécie de “piloto” do que poderia ocorrer no Brasil.
Neste domingo, com mais de 60% das urnas apuradas, os
resultados indicavam uma vitória ampla da oposição. O Tisza, partido de Peter
Magyar, teria 136 dos 199 assentos do parlamento, enquanto o Fidesz, legenda de
Orbán, ficaria com 56 cadeiras. Já o Mi Hazánk ocuparia os 7 assentos
restantes.
A eleição registrou uma taxa de participação de quase 78%, um
recorde absoluto em sua história democrática. Aliados de Orbán chegaram a
sugerir nas redes sociais que poderiam questionar os resultados das urnas, com
uma narrativa de supostas suspeitas de fraude eleitoral teriam sido
registradas. Mas, já perto da meia noite do horário local da Hungria, o próprio
Orbán admitiu sua derrota.
Se na sexta-feira mais de 100 mil pessoas foram às ruas de
Budapeste para pedir o fim da Era Orbán, o resultado levou uma multidão para
festejar no centro da capital, com bandeiras do movimento LGBTQI+ e da União
Europeia.
Dias antes, o país havia sido tomado por uma ofensiva do
governo de Donald Trump para tentar resgatar seu aliado. A Casa Branca
despachou para o país europeu o vice-presidente JD Vance para fazer campanha
por Orbán.
Mas não foi suficiente e a derrota é também um revés para o
próprio Trump, incapaz de garantir com sua influência a vitória da extrema
direita na Europa.
Magyar ainda caminha para conseguir somar dois terços dos
votos para garantir uma maioria absoluta no Parlamento que permita que ele
possa desmontar as leis criadas na Era Orban. Ao longo de mais de uma década, o
húngaro implementou uma reforma ultraconservadora e antidemocrática,
transformando a Hungria numa espécie de campo de testes para políticas da
extrema direita e um controle absoluto da imprensa e Judiciário.
Ainda que diminuto e sem peso político, a Hungria passou a
ditar experimentos legislativos para frear a imigração, para abalar os direitos
dos movimentos LGBTQI+ e das mulheres. Aliados de Orbán ainda passaram a
controlar a imprensa e uma reforma nas cortes aprovada pelo seu partido
garantiu uma imunidade na prática contra dezenas de escândalos de corrupção.
Em sua primeira declaração, o novo primeiro-ministro afirmou:
“Olá, meus compatriotas húngaros, nós conseguimos! O Tisza e
a Hungria venceram as eleições. Não por uma pequena margem, mas por uma margem
muito grande. Juntos, libertamos a Hungria. Teremos dois terços da maioria no
parlamento.”
Sua avaliação é de que a queda de Orbán é tão relevante
quanto a revolução húngara de 1858 e a revolta de 1956 contra a União
Soviética.
“Irmão” e fuga para embaixada
Orbán também passou a ser uma referência para o governo de
Jair Bolsonaro. A partir de 2019, ministros brasileiros colocaram Budapeste na
rota de suas viagens internacionais. Em 2022, o próprio Bolsonaro fez uma
visita oficial ao país e afirmou:
“Prezado Orbán, é uma satisfação muito grande estar na
Hungria. Considero o seu país o nosso pequeno grande irmão. Pequeno se levarmos
em conta as nossas diferenças nas respectivas extensões territoriais, e grande
pelos valores que nós representamos, que podem ser resumidos em quatro
palavras: Deus, pátria, família e liberdade”.
A referência ao integralismo brasileiro soou um alerta entre
ativistas de direitos humanos, mas foi comemorado pela base mais radical dos
europeus.
Meses depois, Bolsonaro foi descoberto na embaixada da
Hungria em Brasília, depois que uma reportagem do jornal The New York revelou
que ele havia pernoitado no local. O gesto abriu especulações sobre o risco de
uma eventual fuga do ex-presidente, naquele momento apenas investigado.
Democracia
Líderes europeus ainda comemoraram a vitória de Magyar. “O coração da Europa bate mais forte na
Hungria esta noite”, escreveu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der
Leyen, nas redes sociais. “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre
escolheu a Hungria”.
“A Hungria falou”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz,
que se mostrou ansioso para trabalhar com Péter Magyar “em direção a uma Europa
forte, segura e, acima de tudo, unida”.
Pedro Sánchez, da Espanha, afirmou que “hoje a Europa vence e
os valores europeus vencem”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron,
saudou o que chamou de “vitória da participação democrática húngara, o
compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da
Hungria com a Europa”.
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Com informações ICL Notícias.





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