CPI DO CRIME ORGANIZADO REJEITA RELATÓRIO QUE PEDIA INDICIAMENTO DE MINISTROS DO STF
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| (crédito: ICL Notícias) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 20h15 desta terça-feira, 14 de abril de
2026.
Texto foi derrotado por 6 a 4 após articulação envolvendo
governo, STF e Senado
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado
rejeitou, nesta terça-feira (14), por 6 votos a 4, o indiciamento dos ministros
do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar
Mendes.
O relatório de Alessandro Vieira (MDB-SE) havia proposto
indiciamentos com base no caso do Banco Master, mas o texto acabou derrotado
após uma articulação que envolveu o STF, o governo Lula (PT) e o presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A data limite para a votação do relatório era esta terça,
dado que Alcolumbre negou o pedido de prorrogação da CPI. A operação envolveu a
troca de três membros da CPI momentos antes da votação.
Nomes de oposição e adversários do STF foram substituídos por
nomes governistas saíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val
(Avante-ES) e entraram Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA). Além disso,
Soraya Thronicke (PSB-MS) se tornou titular no lugar de Jorge Kajuru (PSB-GO).
Votaram contra o texto Leitão, Faro, Soraya, Humberto Costa
(PT-CE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Otto Alencar (PSD-BA). A favor, além de
Vieira, votaram Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Esperidião Amin
(PP-SC). O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), não votou.
Entre as críticas de senadores alinhados ao governo, estava o
fato de Vieira ter deixado de fora do relatório o indiciamento de outros
implicados no caso Master e de facções criminosas.
Vieira atribuiu aos três magistrados crimes de
responsabilidade, que poderiam fundamentar pedidos de impeachment. No
documento, o relator diz que Moraes e Toffoli agiram “de modo incompatível” com
a honra, a dignidade e o decoro de suas funções devido à relação mantida com o
Master.
No caso de Gilmar, ele apontou que o ministro teria
suspendido quebras de sigilo da CPI para proteger os colegas.
O relatório provocou reações de governistas e de ministros.
Gilmar Mendes, por exemplo, disse causar “espécie que o relator tenha se
esquecido de indiciar seus colegas de milícia”. Vieira afirmou que as falas dos
magistrados representam ameaças e tentativas de constrangimento.
Relator não incluiu
nomes ligados ao MasterAs únicas pessoas com indiciamento proposto por
Vieira foram os três ministros e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O senador afirma que o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República) deixou de
investigar autoridades envolvidas no caso Master. O indiciamento é a atribuição
da prática de crimes a determinadas pessoas.
As trocas de Moro e Do Val na CPI foram feitas pelo líder do
MDB, Eduardo Braga (AM), que é governista e próximo de Alcolumbre. As vagas das
CPIs no Senado são divididas proporcionalmente entre blocos parlamentares, que
são blocos formados por partidos.
Quem determina quais senadores vão compor as vagas de um
determinado bloco é o líder desse bloco, mas em um momento em que o bloco
formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil passa por uma mudança de
liderança, as trocas foram determinadas por Braga, que é vice-líder do bloco e
líder do MDB, maior partido do grupo.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo e suplente
na comissão, afirmou que as trocas foram feitas pela liderança partidária e que
não havia relação com o governo.
Girão, também suplente, disse que a troca era uma “manobra
difícil de digerir” e tinha as digitais do Planalto. Ele defendeu a aprovação
do texto e acusou “a tropa de choque de Lula” de agir para derrubá-lo. “O
relatório vai ao encontro da população brasileira que quer a verdade. […] Essa
CPI foi forçada a acabar prematuramente em outra manobra da presidência desta
Casa”, disse.
Wagner, ao discursar, disse que votaria contra para “não
colaborar com a sanha de atacar a instituição STF como muitos têm feito”. O
líder do governo fez uma série de elogios a Vieira, mas questionou a falta de
indiciamento de outros envolvidos no Master, como o ex-presidente do Banco
Central Roberto Campos Neto.
O senador disse ainda que as CPIs são criadas, às vezes, para
fazer “o palco da disputa política” e não para buscar a verdade. Wagner disse
concordar com Vieira que ninguém é intocável, em referência aos ministros do
STF, mas disse que o relator fez um desvio para um lugar, na sua opinião,
impróprio.
Wagner disse ainda estar tranquilo em relação a ter sido
citado no relatório, já que uma empresa de sua nora recebeu R$ 14 milhões do
Master entre 2021 e 2025. A BN Financeira diz que prestou serviços ao banco de
prospectar operações e convênios.
No governo Lula e entre ministros do STF, a avaliação foi de
que Vieira agiu com motivação eleitoral, o senador deve disputar a reeleição em
outubro. Integrantes do Executivo também criticaram o fato de o relator não ter
incluído em seu relatório o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e políticos ligados a
ele.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Vieira deixou de fora o
indiciamento de facções, congressistas, empresários e crimes comuns. Ele
afirmou se tratar de uma escolha técnica.
Durante a sessão, Rogério Carvalho afirmou que Vieira passava
a ideia de vingança ao focar apenas nos ministros, enquanto Humberto Costa
disse que o relatório falha em omissões. Ambos votaram contra.
Se fosse aprovado, o indiciamento seria enviado à presidência
do Senado, que poderia determinar ou não a abertura de um processo de
afastamento por crime de responsabilidade contra os ministros e o
procurador-geral. Alcolumbre, porém, sempre deu sinais de que é contra abrir o
processo de impeachment.
A CPI foi criada originalmente para investigar o crime
organizado e a atuação de facções no país, especialmente ligadas ao
narcotráfico. Vieira propôs no relatório final a recriação do Ministério da
Segurança Pública e uma intervenção no Rio de Janeiro.
No entanto, os senadores passaram a usar a comissão para
driblar as resistências à criação de uma CPI para investigar o Master e suas
relações com autoridades, em especial ministros do STF.
O relator afirma que o caso do Banco Master “constitui,
possivelmente, o maior escândalo financeiro da história recente do Brasil” e
mostra a convergência entre a criminalidade financeira sofisticada e o crime
organizado violento de base territorial.
Para Vieira, além do esquema de alavancagem por meio de CDBs
(certificados de depósitos bancários) com taxas acima do normal para o mercado
e a venda de carteiras de crédito para o BRB (Banco de Brasília), o Master
também se sustentou em empréstimos fictícios a empresas, que direcionavam os
recursos para fundos administrados pela Reag, gestora investigada na
Operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com o
Primeiro Comando da Capital (PCC).
“O caso Master, contudo, não se esgota na fraude financeira.
Sua dimensão mais grave, do ponto de vista do escopo desta CPI, reside na
comprovação de que estruturas financeiras sofisticadas foram instrumentalizadas
para a lavagem de dinheiro de facções criminosas, notadamente o PCC, e para a
corrupção”, diz o relatório, que lista pagamentos ligados a políticos,
escritórios de advocacia e ministros do STF.
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Com informações Folhapress/Via ICL Notícias.


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