TRUMP EXIGE ESCOLHER NOVO LÍDER DO IRÃ E ACENA COM REVOLTA CURDA

(crédito: foto divulgação da internet)


Por: Alvaro Neves.

Postagem publicada às 9h42 desta sexta-feira, 06 de março de 2026.

Presidente dos EUA avisa que terá poder de decisão sobre indicação do sucessor do aiatolá Ali Khamenei. Republicano acena com a mobilização de minoria no país persa para levante contrarregime.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acenou com o aval às forças do Curdistão iraniano para atacarem o regime teocrático islâmico. "É ótimo que queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor", respondeu o republicano, ao ser questionado pela agência internacional de notícias Reuters. Sob bombardeio intenso dos EUA e de Israel e o espalhamento da guerra para além do Oriente Médio, o Irã tem atacado curdos iranianos na região autônoma do Curdistão no Iraque, com a justificativa de atender aos interesses ocidentais e israelenses. Trump exige poder de decisão sobre o nome do próximo líder supremo iraniano. Ontem, quinta-feira (5/3), o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, prometeu responder a um ataque com drones em Nakhichevan, exclave azeri entre Armênia, Turquia e Irã. Teerã nega envolvimento com o ataque, o qual deixou quatro feridos em uma escola e em um aeroporto.

Trump sinalizou que não aceitará o nome de Mojtab Khamenei, filho de Ali Khamenei, para suceder o pai, morto em um bombardeio no sábado (28/2). "O filho de Khamenei é peso leve. Eu tenho que participar da nomeação, como com a Delcy (Rodríguez)", declarou ao site Axios, ao fazer uma comparação entre Irã e Venezuela. Depois de capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro, os EUA criaram laços de cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez.

A Guarda Revolucionária Iraniana - força ideológica do regime dos aiatolás - anunciou que usou drones para atingir o porta-aviões norte-americano "USS Abraham Lincoln". Até o fechamento desta edição, não havia confirmação independente sobre o ataque. Em entrevista à rede NBC News, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, desmentiu a intenção de Teerã de aceitar um cessar-fogo ou de abrir negociações com EUA e Israel.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, alertou que os combates "apenas começaram". "O Irã espera que não consigamos sustentar essa situação, o que é um cálculo muito ruim. Nós apenas começamos a lutar, e de forma decisiva', anunciou. O Comando Central dos Estados Unidos informou que conseguiu degradar em 90% os ataques com mísseis balísticos iranianos e em 83% as ofensivas com drones.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os bombardeios israelo-americanos deixaram 1.230 mortos, segundo a agência oficial de notícias iraniana Irna. O chefe de Estado-Maior israelense avisou que seu país iniciou uma "nova fase da guerra" e prometeu "outras surpresas" para o Irã. Israel defendeu o assassinato de Khamenei como uma ação dentro do escopo do "direito internacional". "Segundo o direito internacional dos conflitos armados, os comandantes militares que dirigem forças armadas durante uma guerra podem constituir alvos militares legítimos", declarou Nadav Shoshani, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), na rede social X. No Líbano, outro front, as IDF exigiram que toda a população do subúrbio de Beirute abandonem a região às pressas e passaram a bombardear a área, considerada bastião do movimento fundamentalista xiita Hezbollah.

Uma moradora de Teerã que não quis ter o nome revelado relatou ao Correio que cidadãos trocaram o medo pelo alívio com a possível mudança de regime. "Os bombardeios têm destruído instalações da Guarda Revolucionária e prédios do governo. Durante os protestos de janeiro passado, muitos manifestantes foram presos e torturados em prédios específicos. A maioria desses edifícios foi destruída", contou. Ela acusou a Guarda Revolucionária de usar crianças em escolas e jardins-de-infância como escudos humanos. A iraniana disse que o regime impôs um bloqueio total à internet para impedir o contato da população com o mundo exterior e para prevenir manifestações de rua. "A ideia é impossibilitar que as pessoas falem umas com as outras e se ajudem", opinou.

Cristina Pecequilo, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), admitiu ao Correio que existe grande preocupação com a transição no Irã. Um dos fatores para isso, segundo ela, está associado à diversidade de grupos internos, incluindo os curdos — que apoiam mais autonomia dentro do Irã. "O apoio da Casa Branca aos curdos pode elevar a importância deste grupo político, mas traz efeitos sobre a região, haja visto a relação sempre sensível de populações curdas com outros Estados, como Iraque e Turquia", observou. A estudiosa vê uma tentativa de Trump de tentar unir a oposição iraniana para mudar o regime.

Pecequilo entende que, ao anunciar que participará da escolha do próximo líder, Trump busca pressionar a transição e inflamar a oposição multifacetada. "O presidente americano subestima o desejo de soberania e o sentido de nacionalidade iraniana, ao supor que um líder estrangeiro poderia ter voz em processos internos", disse.

 

Analista do Centro de Estudos Políticos-Estratégicos da Marinha, Mauricio Santoro (foto) afirmou à reportagem que a entrada dos curdos na guerra aponta para um cenário no qual o Irã pode perder o controle de partes expressivas de seu território para minorias étnicas. Ele não descarta uma guerra civil no país persa. "O risco existe, sobretudo pela questão curda e, em menor grau, por outras minorias étnico-religiosas, como árabes e azeris", advertiu.

"A Casa Branca está apelando para os curdos, pois começa a perceber que o regime iraniano não cairá, como ela imaginava. Por isso, os americanos tentarão desestabilizá-lo por dentro, não apenas com os curdos, mas também com outras minorias étnicas, como do Baluchistão, no leste do Irã", avalia Gunther Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM.

*Significado revolta curda: A revolta curda refere-se ao conjunto de movimentos de resistência, insurgências e lutas políticas do povo curdo - a maior nação do mundo sem um Estado próprio - em busca de autonomia, direitos culturais ou a criação de um Estado independente, o Curdistão.

 

*******

 

Com informações Correia Braziliense

 

 

 

 

Comentários

Veja os dez post mais visitados nos últimos sete dias