VÍDEO: PACTO NACIONAL CONTRA FEMINICÍDIO É LUTA DE TODA A SOCIEDADE, DIZ LULA, ‘PRINCIPALMENTE DOS HOMENS’; CONFIRA
![]() |
| (crédito: foto reprodução "IA" Canal Gov) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 2h48 desta quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026.
Em iniciativa inédita, líderes dos Três Poderes se uniram
nesta quarta (4/2) numa ação conjunta de combate ao feminicídio, crime
responsável por quatro mortes diárias no país
Pacto Nacional contra Feminicídio é luta de toda a sociedade,
diz Lula. 'Principalmente dos homens'Ricardo Stuckert/PR
Num evento que congregou os Três Poderes em uma ação inédita
de prevenção e combate ao feminicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
reforçou a mensagem de que o tema exige engajamento de todos, mas em especial
dos homens.
Lutar contra o feminicídio e todas as formas de violência
contra as mulheres deve ser responsabilidade de toda a sociedade. Mas
principalmente e especialmente dos homens”, afirmou Lula, em um salão lotado de
autoridades e representantes da sociedade civil no Palácio do Planalto.
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio tem como
objetivos acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer redes de
enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações
educativas e responsabilizar os agressores. Ele representa uma resposta dos
Três Poderes – Governo do Brasil, Congresso Nacional e Poder Judiciário – à
escalada da violência de gênero, traduzida em uma alarmante estatística de
quatro vítimas de feminicídio a cada 24 horas no país.
“É inadmissível que enquanto fortalecemos os instrumentos de
proteção, a exemplo da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, homens
continuem agredindo e assassinando mulheres. A segurança de meninas e mulheres
é condição necessária para a nossa evolução enquanto sociedade e para o
exercício pleno da democracia", disse Lula.
Hoje, começamos uma nova era na relação entre homens e
mulheres. O que queremos é ser parceiros para que a gente possa fazer a
sociedade brasileira, e possivelmente a humanidade, melhorar. Esse gesto
ultrapassa a fronteira do Brasil”, acrescentou.
Para garantir a efetividade das ações, o pacto institui uma
estrutura formal de governança, com a criação do Comitê Interinstitucional de
Gestão, coordenado pela Presidência da República. O decreto que cria o
colegiado foi assinado durante o evento. O colegiado reunirá representantes dos
três Poderes, com participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias
Públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e
transparência. Pelo Executivo, integram o comitê Casa Civil, Secretaria de
Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança
Pública.
Ao reforçar o chamado à ação, Lula alertou para o papel da
omissão social na perpetuação da violência. “É inaceitável que mulheres
continuem sendo espancadas e assassinadas todos os dias sob o olhar de uma
sociedade que peca por omissão. Que se cala diante de cenas cotidianas de abuso
e violência. É preciso deixar bem claro: qualquer sinal de maus tratos na rua,
gritos na vizinhança, abusos e intolerância no ambiente de trabalho, cada gesto
de violência, é um feminicídio anunciado. Não podemos nos calar.
Não podemos mais nos omitir e fingir que não temos nada a ver
com isso”.
» Discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
» Texto do Pacto entre os Três Poderes para enfrentamento ao
Feminicídio
RESPEITO – Uma das responsáveis pela mobilização em torno do
combate ao feminicídio que culminou no pacto assinado no Planalto, a
primeira-dama Janja Lula da Silva discursou representando as mulheres do país.
“O ciclo de violência contra as mulheres e o feminicídio viraram regra. A
banalização do corpo feminino, ensanguentado, mutilado, arrastado pelo asfalto,
queimado e jogado do alto de um prédio é inaceitável para um país que vive em
pleno desenvolvimento e é reconhecido internacionalmente por suas políticas
públicas”, afirmou Janja. “Estamos exaustas, mas não estamos desistindo e
jamais desistiremos da vida de nenhuma de nós. Por isso pedimos que vocês,
homens, estejam ao nosso lado. Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas,
queremos ser livres, queremos nos manter vivas e queremos vocês, homens, nessa
luta ao nosso lado. Todos por todas”, prosseguiu.
DIA PARA A HISTÓRIA – Para a ministra Gleisi Hoffmann
(Secretaria de Relações Institucionais), a assinatura do Pacto é um marco.
Hoje é um dia para entrar na história. A violência contra
meninas e mulheres não pode e não deve ser vista com naturalidade, embora
esteja enraizada na formação histórica machista, patriarcal e injusta da
sociedade. Usaremos de toda a nossa estrutura para atingir esse objetivo. Cabe
a cada um e a cada uma de nós trabalhar cada vez mais para transformar este
pacto em realidade pelos direitos, pela igualdade e pela vida das meninas e das
mulheres”.
AGILIDADE – Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o
ministro Edson Fachin declarou que a Justiça nos casos de feminicídio será cada
vez mais célere. “Não podemos normalizar esse estado de coisas. O feminicídio é
uma violação de direitos humanos que deve ser repudiada, punida e erradicada da
vida social”, frisou. “Não haverá igualdade e liberdade de fato para todas as
pessoas enquanto as meninas e mulheres brasileiras precisarem conviver todos os
dias com a perspectiva de serem vítimas dessa violência. É preciso prevenir,
responsabilizar e proteger. Com este
pacto de hoje vamos avançar. A Justiça será cada vez mais rápida no julgamento.
A verdadeira paz não nasce do medo e do silêncio, mas floresce quando há proteção,
liberdade e dignidade”, disse Fachin.
URGÊNCIA – Os dados do sistema de Justiça evidenciam a
dimensão e a urgência do enfrentamento ao feminicídio. Em 2025, a Justiça
brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando
15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo
período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 por
hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Já o Ligue 180, Central de
Atendimento à Mulher, coordenado pelo Ministério das Mulheres, registrou, em
média, 425 denúncias por dia em 2025.
INADMISSÍVEIS - Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta classificou essas estatísticas como inadmissíveis. “Infelizmente, nosso
Brasil fechou o ano de 2025 com uma média de quatro mulheres assassinadas por
dia. É inconcebível que permitamos que esses números continuem a acontecer.
Mais do que assinar um documento, temos que ter a capacidade de agir e de
enfrentar uma agenda que passa pelo endurecimento das leis, pela ação do
Estado. Governo Federal, estados e municípios coibindo, através das nossas forças
de segurança e respondendo de forma imediata a quem agir dessa forma, seja na
violência contra a mulher, seja cometendo qualquer outro tipo de crime”,
ressaltou.
PRIORIDADE – Ao unir os Três Poderes em uma ação coordenada e
permanente, o pacto reforça a prioridade do tema na agenda nacional e convoca
estados, municípios e a sociedade a atuarem de forma conjunta no enfrentamento
à violência contra mulheres e meninas. A iniciativa estabelece uma atuação
inédita, coordenada e permanente entre os três Poderes para prevenir a
violência letal contra meninas e mulheres no país. O Pacto parte do
reconhecimento de que a violência contra as mulheres e meninas no país é uma crise
estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
RESPOSTA FIRME – Presidente do Congresso Nacional e do Senado
Federal, Davi Alcolumbre classificou o feminicídio como uma ferida do país e
disse que o Estado não se omitirá. “O feminicídio não é uma estatística. É o
lado mais cruel de uma violência que atravessa todos os dias a vida de milhares
de mulheres brasileiras. É uma chaga aberta na sociedade brasileira e, como
tal, deve ser tratado como problema de Estado e não de governo. Esse é um aviso
claro de que o Estado brasileiro não está omisso. Enquanto houver violência
contra as mulheres, haverá resposta firme das instituições”
O que muda com o Pacto Nacional - Brasil contra o Feminicídio
Medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade
Menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher.
A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de
acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem “empurra-empurra”.
Executivo, Legislativo e Judiciário e órgãos de controle
compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, do pedido de
ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco.
Mais prevenção antes da violência virar morte
Campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de
agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência — inclusive
envolvendo homens como parte da solução.
Agressores responsabilizados com mais rapidez
Processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais
firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência.
Atenção especial a quem corre mais risco
Foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas,
do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em
maior vulnerabilidade.
Resposta a novas formas de violência
Enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças
e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas.
Cobrança pública de resultados
Relatórios periódicos, metas e prestação de contas: o pacto
não fica só no anúncio — ele cria obrigação de mostrar o que está funcionando e
o que precisa mudar.
TODOS POR TODAS – O lançamento do Pacto Nacional Brasil
contra o Feminicídio foi acompanhado pelo início de uma estratégia de
comunicação de alcance nacional, orientada pelo conceito “Todos juntos por
todas”. O objetivo é ampliar o combate ao feminicídio para além de mulheres e
meninas e convocar toda a sociedade, especialmente os homens, a assumir um
papel ativo como aliado no enfrentamento à violência.
ILUMINAÇÃO – Como ação simbólica, os edifícios do Palácio do
Planalto e do Supremo Tribunal Federal receberão iluminação com as cores do
pacto. O Congresso Nacional realizará uma projeção mapeada com dados sobre o
feminicídio no Brasil, evidenciando a união dos três Poderes no enfrentamento à
violência contra as mulheres.
SITE – A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que
reunirá informações sobre o pacto, divulgará as ações previstas, apresentará
canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de
estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da
sociedade civil. A plataforma disponibilizará também um guia para download, com
informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento
e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao
compromisso de salvar vidas.
Confira no vídeo abaixo o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
********
Com informações Canal Gov.

.jpg)

.png)
%20(1).png)



.png)
.jpeg)

Comentários