ELEIÇÃO 2026: 'LULA PROCURA PARTIDO DO CENTRO E QUER VICE DO MDB COM OBJETIVO DE ISOLAR FLÁVIO BOLSONARO'; CONFIRA
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| (crédito: foto ICL Nótícias) |
Por: Alvaro Neves.
Presidente avalia que a única possibilidade de ampliar sua
chapa é atraindo MDB
O presidente Lula desencadeou uma operação política em duas
frentes para tentar fortalecer sua candidatura à reeleição e isolar seu
provável adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O petista tenta afastar os principais partidos do centrão da
candidatura de Flávio. Além disso, em um movimento considerado mais delicado,
foi receptivo à ideia de mudar o vice de sua chapa para tentar agregar o MDB à
sua aliança formal — o que daria mais tempo de campanha na TV e reforçaria a
mensagem de frente ampla propagada por ele na eleição de 2022.
A ordem de Lula, já assimilada pelo PT, é ampliar o máximo
possível seu arco de alianças para a eleição. Articuladores petistas acreditam
que a maioria do eleitorado já decidiu de qual lado ficará, e que apenas algo
em torno de 10% dos votos está em disputa. Por isso, qualquer ajuda para atrair
mais eleitores é valiosa.
“Temos que trabalhar, fazer alianças para ganhar as eleições.
Não estamos com essa bola toda em todos os estados, tem estados que precisamos
compor. A gente precisa decidir se quer ganhar ou se quer perder. Como eu quero
ganhar, Edinho [Silva, presidente do PT], você vai ter que fazer as alianças”,
declarou o presidente no evento de aniversário do PT neste sábado (7).
A tentativa de atrair o MDB é sensível porque envolveria
tirar da chapa o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Ele é próximo do
chefe do governo e quer continuar no cargo no caso de reeleição. Além disso,
diretórios poderosos do MDB, como os de São Paulo e do Rio Grande do Sul, devem
resistir a uma aliança.
Como mostrou a coluna Painel, da Folha, a cúpula emedebista
está se aproximando do PSD, que tem três pré-candidatos a presidente. Dos 27
diretórios estaduais do partido, 17 estariam afastados de Lula e 10, próximos
ao governo petista.
Há o risco de Lula magoar e perder seu atual vice e a aliança
ser derrotada na convenção emedebista, inviabilizando a coligação. Alckmin já
disse à cúpula do PT que, se não estiver na chapa presidencial, apoiará a
reeleição de Lula sem se candidatar a nada.
O presidente discutiu o assunto em dezembro com os senadores
lulistas Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Ficou de marcar
nova reunião, mas não o fez até agora.
Na quinta (5), porém, Lula disse publicamente que Alckmin tem
“um papel a cumprir” na eleição em São Paulo. A frase foi entendida como um
sinal de que ele quer o vice concorrendo a algum cargo e reforçando seu
palanque no estado com maior eleitorado.
Emedebistas a par da articulação avaliam que a declaração foi
uma espécie de “ok” para avançarem na tentativa de formar uma maioria no
partido em favor da aliança. Esse grupo, porém, ainda quer que o presidente
faça gestos mais fortes.
Dois dias depois, durante celebração dos 46 anos do PT neste
sábado (7), em Salvador, o presidente afagou Alckmin dizendo que teve sorte com
seus vices: “O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na
minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro”. O vice esteve
presente no evento.
Na reunião com os dois emedebistas, Lula disse que via no MDB
a única chance de agregar um novo partido à sua aliança — que deve contar com
as siglas de esquerda.
Renan disse ao petista que a única maneira de tentar levar o
MDB para a coligação seria oferecendo a vice, porque isso daria um argumento
forte na convenção que decidirá o caminho da sigla na eleição. As convenções
partidárias serão de 20 de julho a 5 de agosto.
Há três emedebistas cotados para a vice de Lula, caso a
articulação dê certo: o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do
Pará, Helder Barbalho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
O principal destino especulado para Tebet, porém, é uma
candidatura a senadora por São Paulo. Existe a possibilidade de ela mudar de
partido, uma vez que o MDB paulista apoia o governador bolsonarista Tarcísio de
Freitas (Republicanos).
Aliados de Lula no PT e no MDB, porém, ainda tentam uma
solução que permita a Tebet ser candidata e apoiar a reeleição de Lula sem
mudar de legenda. Tanto o presidente do PT, Edinho Silva, quanto Eduardo Braga
querem conversar com o presidente do MDB, Baleia Rossi, sobre o tema.
O principal obstáculo a uma aliança entre Lula e o MDB
paulista é a proximidade do prefeito de São Paulo, o emedebista Ricardo Nunes,
com Tarcísio. O governador foi fundamental para a reeleição de Nunes, em 2024.
Ajuda Lula o fato de Tarcísio ter decidido ser candidato à
reeleição em São Paulo. Forças políticas de direita e de centro queriam que ele
disputasse o Palácio do Planalto e ficaram sem um candidato preferido.
Além da tentativa de atrair o MDB, Lula busca obter a
neutralidade dos principais partidos do centrão na disputa nacional. O objetivo
do petista é que essas legendas não deem apoio formal a Flávio Bolsonaro e que
suas direções nacionais não dificultem sua busca por alianças com líderes
locais.
Um dos principais movimentos nesse sentido, revelado pela
Folha, foi reunião de Lula com o presidente do PP, Ciro Nogueira, na qual ouviu
dele uma proposta de neutralidade nacional do partido. A contrapartida seria
facilitar a reeleição de Nogueira como senador no Piauí.
Deputados e senadores filiados ao PP e originários de regiões
onde Lula é mais popular, como o Nordeste, dão como certo que a legenda
liberará seus filiados para se associar ao candidato a presidente que
preferirem.
O presidente também mira líderes locais do União Brasil. Um
dos estados onde esse esforço deve ser maior é o Ceará. Principal líder do PT
cearense, o ministro da Educação, Camilo Santana, tenta impedir que o União
Brasil apoie Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo local. Lula julga ser
fundamental derrotar Ciro e reeleger o governador Elmano de Freitas (PT).
O PP anunciou a formação de uma federação partidária com o
União Brasil, chamada União Progressista. As duas legendas, juntas,
constituiriam a maior bancada da Câmara e seriam obrigadas a agir em conjunto
na eleição nacional. Ciro Nogueira é um dos líderes dessa associação, que ainda
não foi definitivamente reconhecida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Esse grupo queria apoiar Tarcísio para presidente. Sem uma
candidatura de Tarcísio, a prioridade passou a ser eleger o maior número
possível de congressistas, o que aumenta a possibilidade de alianças entre Lula
e diretórios estaduais dessas siglas.
O presidente da República também se aproximou do presidente
da Câmara, Hugo Motta. O partido de Motta, o Republicanos, também tem setores
que querem disputar a eleição associados a Lula. O deputado tem participado das
articulações do presidente da República inclusive fora de seu partido. Ele
intermediou a reunião entre o petista e Ciro Nogueira.
Lula, Motta e diversos outros deputados jantaram juntos na quarta-feira (4). O chefe do governo minimizou os possíveis atritos por partidos que têm ministérios lançarem candidatos a presidente da República. O recado foi direcionado principalmente ao PSD, que tem três ministros e três pré-candidatos ao Planalto (Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Jr.).
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Com informações Folhapress.

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