BOLSONARO FEZ DESCASO COM PRECEITOS ÉTICOS DOS MILITARES, DIZ MINISTÉRIO PÚBLICO MILITAR (MPM)
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| (crédito: foto reprodução "IA" para ilustração do texto) |
Postagem publicada às 2h27 desta quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026.
O Ministério Público Militar (MPM) afirmou que o
ex-presidente Jair Bolsonaro fez descaso com a ética militar ao se envolver na
trama golpista que pretendia impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como
presidente da República. Segundo o órgão, o ex-presidente violou os princípios
éticos de fidelidade à pátria e de lealdade, entre outros.
A conclusão faz parte da representação na qual o órgão pediu,
nesta terça-feira (3), ao Superior Tribunal Militar (STM) a perda da patente do
ex-presidente, que é capitão da reserva do Exército, e a consequente expulsão
da força militar após a condenação a 27 anos e três meses de prisão pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
Para defender a expulsão de Bolsonaro do Exército, o MPM
citou as violações cometidas pelo ex-presidente.
“Sem muito esforço, portanto, nota-se o descaso do ora
representado Jair Messias Bolsonaro para com os preceitos éticos mais básicos
previstos no art. 28 da Lei 6.880/1980 [Estatuto dos Militares]".
Segundo o MPM, a decisão do Supremo que condenou Bolsonaro e
outros acusados pela tentativa de golpe de Estado demonstra a gravidade da
conduta de militares que juraram respeitar a bandeira nacional.
"São incontroversas, como se verá a seguir, a gravidade
dos delitos cometidos e a violação dos preceitos éticos militares que os
representados outrora juraram voluntariamente respeitar perante a bandeira do
Brasil, em intensidade que aponta para a declaração de indignidade e a
consequente perda do posto e da patente que ostentam e da qual fizeram
uso", sustentou o órgão.
Segundo o MPM,
Bolsonaro também violou as seguintes regras militares:
Dever de probidade e de proceder de maneira ilibada na vida pública ao “constituir e chefiar uma organização, com autoridades do Estado brasileiro, e valer-se da estrutura pública para alcançar objetivos inconstitucionais”;
Dignidade da pessoa humana ao “tentar conduzir o país a um
novo período de exceção democrática”;
Cumprimento das leis e das ordens das autoridades
competentes, já que “reiteradamente conchavava com os demais integrantes da
organização o descumprimento da Constituição, que solenemente jurou defender, e
dos comandos judiciais provindos da Suprema Corte e do Tribunal Superior
Eleitoral;
Zelo pelo preparo moral – “a conduta do ora representado
espelha um estado de imoralidade”;
Prática da camaradagem e do espírito de cooperação – “tendo
em vista que a organização que liderava ocupou-se também de promover ataques a
militares que não endossavam o movimento golpista”;
Discrição em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem
escrita e falada e observância das normas de boa educação – “tendo preferido
chamar membros de outro Poder de canalhas, enquanto esbravejava ameaças e
discursos de ódio ou mesmo insinuar, em reunião ministerial gravada, a prática
de corrupção por ministros da Suprema Corte”;
Acatamento das autoridades civis – “organização liderada pelo
ora representado buscava inverter a lógica constitucional da submissão do poder
militar ao poder civil”;
Cumprimento dos deveres de cidadão - “Dentre os quais se
destacam o de respeitar a Constituição, as leis e o resultado das eleições”.
Julgamento
Além de Bolsonaro, o MPM também pediu ao STM a perda da
patente dos generais da reserva Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga
Netto e o almirante Almir Garnier. Todos foram condenados na ação penal da
trama golpista.
Segundo a presidente do STM, ministra Maria Elisabeth Rocha (foto em destaque), o tribunal não tem prazo legal para julgar as ações.
Ontem, a presidente disse que vai pautar os processos para
julgamento imediatamente após os relatores liberarem os casos para julgamento.
De acordo com as regras internas do STM, ela só vota em caso de empate e sempre
a favor do réu nas ações de perda do oficialato.
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Com informações Agência Brasil.
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