PARTIDOS DO CENTRÃO DARÃO ÚLTIMATOS A BOLSONARO SOBRE NOME PARA ELEIÇÃO DE 2026
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(crédito: foto reprodução "AI" /O Globo) |
Postagem publicada às 07 horas desta segunda-feira, 31 de março de 2025.
Em público, os partidos continuam elogiando todos os
movimentos de Jair Bolsonaro. No privado, porém, a história é outra. Tem muita
gente pensando em fixar um prazo, de preferência até o final deste ano, para
que o ex-presidente coloque um nome mais ao centro no papel de seu candidato a
presidente da República.
Se não o fizer, partidos como União Brasil, Progressistas e
Republicanos vão cuidar da própria vida. O recado é claro. Essas legendas não
querem apoiar um filho de Bolsonaro para o Planalto nem a ex-primeira-dama
Michelle.
Muitos políticos desses partidos consideram que é preciso se distanciar da extrema-direita e buscar um caminho para os conservadores que não tenha sombra de tentativa de golpe ou coisa que o valha. Não dá para flertar com o cenário que aparece no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), uma peça que ganhará, a cada dia, mais visibilidade. Por enquanto, porém, faltam votos aos candidatos de direita e de centro-direita para colocar esse plano em prática.
Prestes a enviar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da segurança pública ao Congresso, conforme antecipou esta coluna, o governo decidiu que o texto irá garantir a autonomia das unidades da Federação na gestão de suas forças nessa área. A União vai estabelecer as diretrizes. Em vários eventos nos últimos dias, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que “a União, de forma nenhuma, se intrometerá nos comandos dos estados”.…para avançar.
Entre as mudanças no texto, a PEC permitirá que a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mediante aprovação do ministro da Justiça, ajude os governos estaduais em calamidades públicas, desastres naturais ou quando houver solicitação dos governadores. Também está prevista a integração de dados policiais de quem tem passagem por delegacias. A ideia é evitar que criminosos com fichas em determinados estados sejam soltos em audiências de custódia em outras unidades da Federação.
A corrida para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, foi vista
nos partidos de centro-direita como o ensaio para a campanha presidencial, em
2026. É lançar um candidato e deixar que os bolsonaristas indiquem um vice. O
PL, hoje, não quer saber de vice. Na época em que o prefeito Ricardo Nunes
(MDB) começou sua pré-campanha de candidato à reeleição, o PL também não
queria. Foi uma novela até fechar o acordo.
Só a vitória interessa
O PL tem feito reuniões semanais para avaliar o que fazer com
o projeto de anistia aos enroscados no quebra-quebra de 8 de janeiro de 2023.
Enquanto houver risco de derrota no plenário, não vão exigir que o projeto seja
pautado. A reunião está marcada para a próxima terça-feira, acoplada a uma
conversa com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Clamor pela união
Pré-candidato à presidência do PT, Edinho Silva divulgou,
ontem, carta aberta na qual clama que o partido se mantenha “mobilizado” e
“capaz de derrotar o fascismo e de garantir a democracia no Brasil”. A
exortação tem razão de ser: ele enfrenta resistência das correntes mais à
esquerda da legenda. Edinho é favorável à manutenção da frente ampla, para as
eleições de 2026, que possibilitou que Lula derrotasse Bolsonaro, em 2022. Só
que nem mesmo o apoio do presidente da República faz com que os petistas se unam
em torno dele.
Barreira interna
Edinho tem como principal adversário o historiador Valter
Pomar, lançado em 15 de março à disputa do comando do PT. Integrante da
corrente Articulação de Esquerda, ele defende que a legenda se volte para a
esquerda, mantenha-se fiel às bandeiras petistas históricas e sustente conexões
apenas com partidos do mesmo campo ideológico. A eleição para a escolha do novo
presidente petista é em 6 de julho.
Veja bem/ Os partidos sequer conhecem o texto final da
proposta de anistia. E enquanto isso não for feito, não há o que decidir. O
PSD, por exemplo, só discutirá quando tiver o projeto em mãos.
Nariz torto/ Por mais popular que seja a proposta de isenção
do Imposto de Renda para até quem recebe salários de até R$ 5 mil de salário, a
oposição não engole a medida e ensaia um discurso de que os pequenos municípios
é que serão prejudicados com queda de arrecadação. “O governo só empurrou o
problema para os municípios. Isso aumenta a dependência do Fundo de
Participação dos Municípios (FPM) e sufoca os serviços públicos locais. O
próximo governo vai ter que fazer uma reforma tributária completa, não essas
gambiarras que geram caos fiscal e vendem ilusão”, afirmou o presidente da
Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, deputado Luiz Philippe de Orleans e
Bragança (PL-SP).
Santo de casa…/ Quando da reunião da ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, com os líderes partidários, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o mais à esquerda do grupo, brincou: “Quem poderia criar problema era eu, mas não sou doido de criar problema em casa!”. Para quem não sabe, ele é marido da ministra.
Isolada/ A deputada Carla Zambelli (SP) perde lastro no PL.
Integrantes do partido não gostaram da entrevista que concedeu à CNN, quando
disse que “jamais sacaria uma arma sem motivo extraordinário”. Até seus
correligionários duvidam da versão apresentada pela parlamentar.
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