(crédito: imagem reprodução 'Meta IA' para ilustração do texto)
Por: Alvaro Neves. Postagem publicada às 15h59 desta segunda-feira, 21 de setembro de 2026.
CNN, MS NOW e Politico foram banidos da sede do governo na
última sexta-feira (18)
As principais redes de televisão dos Estados Unidos decidiram
suspender a cobertura conjunta da agenda do presidente Donald Trump na Casa
Branca, em resposta à decisão de barrar a entrada de jornalistas da CNN, da MS
NOW e do Politico na sede do governo em Washington, na última sexta-feira (18).
A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (21) pela ABC,
CBS, NBC e Fox News, que se revezavam com a CNN na produção e distribuição de
imagens dos compromissos públicos do presidente. O sistema, conhecido como
“pool”, permite que uma emissora escalada registre os eventos e compartilhe o
material com os demais veículos.
Em comunicado conjunto, as emissoras afirmaram que o público
tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e
que nenhuma administração deveria restringir uma organização jornalística por
discordar de sua cobertura.
A Fox News é aliada do governo Trump. Em comunicado divulgado
pela CNN Internacional e pelo jornal “The New York Times”, o chefe da emissora
em Washington, Bryan Boughton, respaldou o boicote.
“Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV
não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do
Presidente”, escreveu Boughton.
Na última sexta, o presidente acusou os três veículos de
publicar o que chamou de “fake news” – sem nenhuma prova comprovada – e afirmou
que outras empresas de comunicação poderiam ser alvo de medidas semelhantes.
No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram as
credenciais apreendidas ao tentar entrar na Casa Branca. As organizações
afirmaram que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que
protege a liberdade de expressão e de imprensa.
Ação na Justiça
Nesta segunda, CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação
contra o governo Trump em um tribunal federal de Washington. Os veículos pedem
uma ordem judicial temporária para recuperar o acesso à Casa Branca enquanto o
processo é analisado.
Na ação, as empresas afirmam que o governo não pode
determinar quais veículos podem ou não cobrir o presidente com base em suas
reportagens. Os grupos também questionam a ausência de aviso prévio e de
oportunidade para contestar a decisão.
Trump negou que mire a liberdade de imprensa e afirmou que
sua intenção foi combater as “fake news”, que, segundo ele, são espalhadas
pelos veículos de imprensa banidos da Casa Branca.
“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa
livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo
que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são
corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente
fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser
detidas, AGORA!”, afirmou Trump, em sua rede social Truth Social.
A CNN estava escalada para realizar, nesta segunda-feira, a
cobertura televisiva conjunta da agenda de Trump. A emissora também
acompanharia o presidente durante uma viagem a Nova York para a Assembleia
Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Com o veto à CNN, a Casa Branca retirou a emissora do grupo
responsável pelo compartilhamento das imagens. Sendo assim, as demais redes
decidiram não assumir a função em substituição à CNN.
Ao longo do fim de semana, veículos de comunicação
criticaram, em editoriais, a decisão de Trump, acusando o presidente dos EUA de
cercear a liberdade de imprensa, prevista na Constituição dos Estados Unidos.
Histórico de censura
A decisão da última sexta-feira (18) não é inédita no governo
Trump. Em 2025, a Casa Branca restringiu o acesso da Associated Press (AP) a
eventos no Salão Oval e a voos no Air Force One, após a agência manter o uso do
nome “Golfo do México”, em vez da denominação “Golfo da América” adotada por
Trump.
A AP contestou a restrição na Justiça. O caso chegou a um
tribunal federal de apelações, que decidiu a favor do governo Trump e manteve a
possibilidade de a Casa Branca limitar o acesso da agência aos eventos
presidenciais. Apesar da decisão ser questionada, o tribunal de apelações
decidiu a favor de Trump.
Ainda no ano passado, o presidente chamou de ilegais e
corruptos os meios de comunicação que o criticam e atacou também dois dos
canais alvos da nova proibição.
“Acredito que a CNN e a MSNBC, que escrevem literalmente
97,6% de coisas ruins sobre mim, são braços políticos do Partido Democrata”,
afirmou à época diante de promotores e agentes de segurança, quando ele também
criticou o que chamou de perseguição.
Na ocasião, Trump classificou os veículos como “corruptos e
ilegais” e afirmou que as práticas adotadas por eles seriam contrárias à lei. O
presidente também acusou os veículos de exercer influência sobre juízes,
alegando que essa atuação estaria interferindo na legislação.
Segundo o republicano, os meios de comunicação “estão mudando
a lei, e simplesmente não pode ser legal. Não creio que seja legal. E o fazem
em total coordenação entre si”, declarou.
Trump mantém um histórico de confrontos com a imprensa desde
seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, o republicano atacou
repetidamente jornalistas e veículos de comunicação, chegando a classificá-los
como “inimigos do povo” e acusá-los de produzir “fake news”.
Após retornar à Casa Branca, em 2025, Trump passou a
interferir diretamente na definição dos jornalistas que têm acesso ao
presidente, rompendo com um modelo que, durante anos, ficou sob
responsabilidade de uma associação independente de correspondentes.
Tradicionalmente, a entidade organizava um sistema rotativo para garantir que
diferentes veículos pudessem acompanhar a agenda presidencial. A nova
administração modificou esse formato e reservou também um espaço na sala de
coletivas para as chamadas “novas mídias”, como podcasts, newsletters e
veículos digitais.
A mudança foi apresentada pela Casa Branca como uma forma de
atualizar a cobertura presidencial diante das novas tecnologias. Críticos,
porém, questionaram o novo modelo por considerar que ele poderia ampliar a
influência do governo sobre a escolha dos veículos autorizados a participar dos
eventos presidenciais, que naturalmente, são favoráveis ao seu governo.
******* Com informações Portal ICL Notícias.
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