TSE NÃO DEVE TIRAR FLÁVIO DA DISPUTA ELEITORAL MESMO APÓS REPETIR ATO QUE TORNOU O SEU PAI INELEGÍVEL; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 7h25 desta quinta-feira, 23 de julho de 2026.
PT prepara ação para tentar enquadrar senador no precedente
que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade
A estratégia do PT de levar ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) a reunião de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com embaixadores estrangeiros deve
enfrentar resistência dentro da própria Corte. Segundo apurou a reportagem,
integrantes do tribunal avaliam que, embora o episódio seja grave e remeta ao
encontro promovido por Jair Bolsonaro em 2022, as diferenças jurídicas entre os
dois casos tornam improvável, neste momento, uma punição semelhante à que
deixou o ex-presidente inelegível.
A avaliação ocorre enquanto o partido prepara uma
representação na Justiça Eleitoral para sustentar que Flávio repetiu justamente
a conduta que levou o pai à condenação por abuso de poder político e uso
indevido dos meios de comunicação. A legenda também estuda ampliar o alcance da
ação para incluir outros parlamentares bolsonaristas que divulgaram conteúdos
sobre o sistema eleitoral e as eleições na Venezuela, na tentativa de
demonstrar uma atuação coordenada.
Nos bastidores do TSE, porém, a percepção é que a comparação
entre os dois episódios não pode ser feita de forma automática.
Integrantes da Corte lembram que a inelegibilidade de Jair
Bolsonaro não decorreu apenas da reunião com embaixadores realizada em julho de
2022. O julgamento levou em consideração um conjunto de fatores, entre eles o
uso da estrutura da Presidência da República para organizar o encontro no
Palácio da Alvorada, a transmissão pelos canais oficiais do governo e a
utilização do cargo para disseminar ataques ao sistema eleitoral brasileiro.
Na avaliação desses integrantes, Flávio ainda não reúne esse
mesmo conjunto de elementos.
Embora o senador tenha levantado dúvidas sobre o sistema
eleitoral durante encontro com representantes diplomáticos e citado a
Smartmatic — empresa que não fornece urnas nem softwares utilizados nas
eleições brasileiras —, integrantes do tribunal entendem que o contexto
jurídico é distinto daquele analisado no julgamento do ex-presidente.
Entre as diferenças apontadas está o fato de Flávio não
ocupar a Presidência da República nem, até onde se sabe, ter utilizado a
estrutura do Estado para organizar ou divulgar o evento. Também pesa a
avaliação de que o senador não afirmou expressamente que houve fraude nas
eleições brasileiras, embora tenha reproduzido informações posteriormente
contestadas pela Justiça Eleitoral.
Outro aspecto citado por integrantes do TSE é que a reunião,
isoladamente, dificilmente seria suficiente para caracterizar abuso de poder
político nos mesmos moldes reconhecidos pela Corte em 2023. O entendimento é
que o precedente envolvendo Jair Bolsonaro foi construído a partir de um
conjunto amplo de condutas e circunstâncias, e não exclusivamente pela
realização do encontro com embaixadores.
Isso não significa, contudo, que o episódio seja visto como
irrelevante.
A escolha de reunir representantes estrangeiros para discutir
o sistema eleitoral brasileiro imediatamente remeteu ao caso que resultou na
inelegibilidade de Jair Bolsonaro. A avaliação entre integrantes da Corte é que
a semelhança política entre os episódios é evidente, mas isso, por si só, não
basta para equipará-los juridicamente.
É justamente nessa semelhança que o PT pretende sustentar sua
ofensiva.
A legenda argumenta que Flávio reproduziu um método já
condenado pela Justiça Eleitoral ao apresentar a diplomatas questionamentos
sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. O partido pretende defender que o
episódio não deve ser analisado isoladamente, mas como parte de uma estratégia
mais ampla de disseminação de desinformação envolvendo aliados do senador.
Nos bastidores do TSE, porém, a avaliação predominante é que
uma eventual ação dependerá da capacidade de demonstrar elementos que aproximem
efetivamente o caso do precedente envolvendo Jair Bolsonaro. Entre os pontos
que deverão ser analisados estão a existência de atuação coordenada, eventual
uso de estruturas públicas, a repercussão eleitoral da conduta e o conjunto de
provas que vier a ser produzido durante o processo.
Por enquanto, o entendimento predominante entre integrantes
da Corte é que, apesar da gravidade política do episódio e da evidente
semelhança com o caso que tornou Jair Bolsonaro inelegível, a repetição do
gesto, isoladamente, não deve levar Flávio Bolsonaro à mesma punição eleitoral.
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Com informações ICL Notícias/Foto reprodução.
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