AGÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS CONFIRMA INÍCIO DO FENÔMENO EL NIÑO; CONFIRA
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| (crédito: foto reprodução Agência Brasil) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada à 0h09 desta sexta-feira, 12 de junho de
2026.
A Agência Nacional para Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla
em inglês), do governo dos Estados Unidos, declarou ter observado condições
condizentes com o fenômeno El Niño ao longo da primeira semana de junho.
Segundo a agência, a previsão é que o fenômeno continue até o final do inverno
no hemisfério norte, em fevereiro de 2027.
O órgão afirmou que o início do período de aquecimento é
percebido em medições ao longo de toda a faixa tropical do Oceano Pacífico.
Em geral o período é classificado como de El Niño quando a
média das temperaturas medidas ao longo da faixa equatorial do oceano, entre a
Indonésia e a América Central, é de 0,5 grau Celsius acima da média histórica.
Na primeira semana de julho as medições apontaram 0,7 grau acima.
A análise dos cientistas do NOAA apontou, ainda, que a
probabilidade de um aquecimento com mais de dois graus celsius acima da média é
de 63%. Isso configura um El Niño bastante intenso, concentrado entre novembro
de 2026 e fevereiro de 2027.
No Brasil, isso determina um período de chuvas mais curto e
menos intenso nas regiões Norte e Nordeste, ampliando a possibilidade de secas,
além de uma concentração considerável de chuvas na região Sul, afetando
principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As duas condições foram
observadas em 2024, última incidência do fenômeno, quando o Rio Grande do Sul
enfrentou enchentes históricas.
Aquecimento dos oceanos
O professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia,
Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explicou que é difícil fazer
afirmações sobre o aumento da frequência ou a redução do intervalo entre
fenômenos relacionados ao aquecimento dos oceanos, bem como estabelecer uma
relação direta de que esses eventos estejam mais intensos.
“É importante considerar que a região monitorada é bastante
extensa e ela ficando mais quente que o normal é de se esperar que as médias
globais de temperatura aumentem, o que aconteceu nesses últimos anos. Também
precisamos considerar que os oceanos estão acumulando boa parte desse calor. A
gente precisa tomar cuidado para não confundir mudança climática com
variabilidade climática. Fenômenos como o El Niño fazem parte da variabilidade
natural do planeta”, explica
Para o professor, os critérios de avaliação do NOAA são
consolidados e refletem pesquisas acadêmicas atuais e dados de uma rede ampla
de coleta, com dados coletados na atmosfera, na superfície e através de uma
rede de boias de profundidade.
"No entanto, a gente sabe que os pesquisadores desses
órgãos federais americanos estão enfrentando restrições do uso de certos
termos, que foram meio que banidos pela administração Federal nos Estados
Unidos, negacionista quanto à importância das mudanças climáticas”, pondera o
pesquisador, que destaca a existência de outros centros importantes, como os
europeus, o japonês e o australiano.
Segundo Camargo, as telemetrias e os modelos adotados por
esses centros são confiáveis, porém a rede de bóias de profundidade é mantida
basicamente pelos Estados Unidos, e sua perda pode afetar consideravelmente a
qualidade dos dados.
O governo Trump já sinalizou o interesse em desligar tanto a
rede de bóias do Pacífico e seu equivalente, no Atlântico.
A próxima avaliação do NOAA para o El Niño deve ser publicada
em 9 de julho.
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Com informações Agência Brasil.
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