VÍDEO: SOBRE A DECISÃO DOS EUA DE TRATAR AS FACÇÕES CRIMINOSAS DO BRASIL COMO ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS, ’NÃO ACEITAMOS SER TRATADOS COMO MOLEQUE’, DIZ LULA
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| (crédito: foto Agência Brasil) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 16 horas desta sexta-feira, 29 de maio de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou respeito à
soberania brasileira e criticou as manifestações de autoridades dos Estados
Unidos, ao comentar a classificação de facções criminosas brasileiras como
terroristas pelo governo daquele país.
Segundo Lula, organizações como Comando Vermelho (CV) e
Primeiro Comando da Capital (PCC) são, de fato, terroristas, mas não para os
EUA, e sim para as comunidades brasileiras.
Nesse sentido, não há, segundo o presidente brasileiro,
qualquer justificativa para uma eventual intervenção estrangeira. A declaração
foi feita nesta sexta-feira (29) em Sergipe, onde o presidente visitou a Fábrica de Fertilizantes
Lula cobra respeito e rejeita interferência dos EUA
Lula se disse “muito triste” com a classificação feita pelo
secretário Marco Rubio, dos EUA.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as
comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da
periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e
vamos combatê-los aqui dentro. [Para isso,] aprovamos uma lei antifacção e a
lei de combate ao crime organizado”, argumentou Lula.
O presidente ressaltou que a facções brasileiras não têm o
perfil de terroristas que os EUA costumam procurar, e citou Osama Bin Ladem
como exemplo. Lula ainda apontou que boa parte do tráfico de armas no Brasil
tem origem nos Estados Unidos.
Na sequência, cobrou respeito das autoridades estadunidenses.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se
fôssemos uma republiqueta. Isso aqui [o Brasil] não é um país qualquer. É um
país muito grande”, afirmou.
Preocupação e respeito
Lula levantou suspeitas de que o interesse estadunidense
estaria, na verdade, relacionado à cobiça pelas riquezas minerais do Brasil.
“Tenho preocupação porque nós temos muitos minerais críticos,
terras raras, minérios. Ainda temos muito ouro e diamante, além da maior
floresta tropical do mundo e água doce. Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia
é deles. Não é”, enfatizou o presidente.
Lula lembrou que, na conversa que teve com Donald Trump,
disse que os dois precisam passar respeito à comunidade internacional e a
sociedade, valorizando a democracia, o multilateralismo e defendendo a
integridade territorial das nações
“Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que eu trato a
China, a Rússia e os EUA. Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os EUA.
Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito. Preciso ter respeito
para respeitar. Então não brinquem com a soberania desse país, nem com nossa
democracia”, disse.
Lula reiterou que o Brasil tem feito muito para o combate às
organizações criminosas, e que a aprovação da PEC da Segurança Pública
reforçará esse combate.
Colaboração
Segundo o presidente, caso os EUA realmente queiram colaborar
serão muito bem-vindos, mas que esse combate precisa ser feito também em
território estadunidense.
“Entreguei um documento para o Trump [dizendo que] o Brasil
está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Vamos começar pelo
seu estado de Delaware, onde há lavagem de dinheiro de brasileiros”, disse.
“Vamos começar por entregar o [Carlos] Ramagem, que está
condenado a 16 anos e está escondido por lá. Vamos começar entregando o maior
contrabandista de combustível desse país, que é o Ricardo Magro. Entreguei para
o Trump o nome e a foto da casa dele. Quer combater o crime organizado?
Entreguem os nossos [criminosos] que estão lá nos EUA”, complementou.
Confira no vídeo abaixo o pronunciamento do presidente Lula:

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