VAMOS ENTENDER O CASO DOS MERGULHADORES ITALIANOS QUE MORRERAM NAS MALVINAS?
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 6h40 desta terça-feira, 19 de maio de 2026.
Cinco turistas italianos morreram enquanto exploravam o Atol de Vaavu na quinta-feira (14); um mergulhador militar sênior morreu no sábado (16) durante uma missão de recuperação dos corpos
O governo das Maldivas informou nesta segunda-feira (18) que
os corpos dos quatro mergulhadores italianos restantes, que estavam
desaparecidos no país e morreram na semana passada, foram localizados.
Ao todo cinco mergulhadores italianos morreram depois de
explorar o Atol de Vaavu na quinta-feira (14), o que motivou uma missão de
recuperação. Eles estavam em uma expedição de mergulho com outros 20 cidadãos
italianos, a bordo do navio Duke of York, segundo o Ministério das Relações
Exteriores da Itália.
O corpo do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti foi
encontrado na entrada da caverna, levando as autoridades a acreditar que os
outros quatro permaneciam lá dentro, disse o principal porta-voz do governo das
Maldivas, Mohamed Hussain Shareef.
Os quatro corpos encontrados nesta segunda-feira (18) são de
Monica Montefalcone, professora associada de ecologia da Universidade de
Gênova; a filha dela, Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; e
a pesquisadora Muriel Oddenino.
Shareef disse que os corpos foram localizados na parte mais
profunda da gruta marinha e que os socorristas planejam recuperar dois deles na
terça-feira (19) e os outros dois na quarta-feira (20).
Corpos de quatro mergulhadores são encontrados nas Maldivas, diz governo
Mergulhadores especializados buscam corpos de turistas no mar
das Maldivas
Mergulhador militar morre durante buscas por grupo que sumiu
nas Maldivas
A tentativa de recuperar os corpos evidenciou o perigo e a
complexidade da operação: o mergulhador militar sênior, sargento Mohamed
Mahudhee, de 43 anos, morreu no sábado (16) durante uma segunda missão de
recuperação na caverna, que em seu ponto mais profundo fica a 70 metros abaixo
da superfície, quase a profundidade de um prédio de 20 andares.
A operação foi retomada nesta segunda-feira (18), após uma
suspensão temporária devido à morte de Mahudhee.
Pelo menos três mergulhadores finlandeses da DAN (Divers
Alert Network), um grupo global de segurança de mergulho, pousaram nas Maldivas
no domingo (17) e iriam se encontrar com a equipe da guarda costeira local para
trabalhar em uma nova estratégia para completar a missão, informou Shareef.
“Eles foram recomendados pela Itália e realizaram mergulhos
profundos e em cavernas em todo o mundo”, disse o porta-voz à CNN.
Quem eram os mergulhadores?
Os corpos encontrados são do instrutor de mergulho Gianluca
Benedetti, da professora associada de ecologia da Universidade de Gênova,
Monica Montefalcone, da filha dela, Giorgia Sommacal, do biólogo marinho,
Federico Gualtieri, e da pesquisadora Muriel Oddenino.
O corpo de Benedetti foi encontrado primeiro, na entrada da
caverna, levando as autoridades a crer que os outros quatro italianos
estivessem no local, disse Shareef.
Um sexto mergulhador decidiu não entrar na água quando o
restante do grupo mergulhou, relataram as autoridades.
O grupo estava em uma expedição de mergulho a bordo do navio
Duke of York, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália.
A Cruz Vermelha ofereceu primeiros socorros psicológicos a um
total de 20 italianos que permaneceram a bordo e nenhuma lesão foi relatada
imediatamente, acrescentou o ministério.
Como foi a missão que encontrou os corpos?
Mergulhadores das Maldivas voltaram à água nesta
segunda-feira (18) – acompanhados por mergulhadores da DAN – para uma avaliação
de segurança da caverna.
Os fatores considerados na operação incluem a presença de uma
“corrente subaquática muito forte” ou “se a morfologia da caverna é segura o
suficiente para o planejamento”, disse Laura Moroney, CEO da DAN, à CNN
Newsroom.
A equipe utilizou scooters subaquáticas e cilindros de gás
especializados que podem reciclar o ar, permitindo maior tempo submerso.
Questionada sobre em que ponto a missão se tornaria muito
perigosa, Moroney explicou: “A equipe sabe que não precisa se colocar em
risco... se houver alguma condição que considerem muito perigosa, eles
interromperão o mergulho, retornarão à superfície, replanejarão e mergulharão
novamente no dia seguinte, ou sempre que possível.”
Mergulhador de resgate morre de doença descompressiva
As autoridades acreditam que o sargento Mohamed Mahudhee, de
43 anos, membro das forças de defesa nacionais das Maldivas, morreu de doença
descompressiva – causada por uma rápida diminuição da pressão ao redor, seja do
ar ou da água.
A doença da descompressão é mais comum em mergulhadores
autônomos ou em águas profundas, mas também pode ocorrer durante viagens aéreas
em grandes altitudes ou em aeronaves não pressurizadas, segundo a Harvard
Health.
Cada mergulho em missão de recuperação dos corpos teve
duração limitada a cerca de três horas devido às necessidades de oxigênio e
descompressão, informou o principal porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed
Hussain Shareef
No entanto, as condições eram extremamente desafiadoras, com
fortes correntes imprevisíveis, passagens estreitas que levam a uma vasta
câmara subterrânea e escuridão total por todo o local, acrescentou Shareef.
“É preciso ser um especialista para mergulhar nesse nível”,
continuou ele.
Durante a operação de resgate de sábado (16), dois
mergulhadores sinalizaram a entrada da caverna lançando um balão até a
superfície da água. Isso permitiu que outros membros da equipe nadassem
diretamente em direção à entrada e aproveitassem ao máximo o tempo dentro da
caverna.
Antes de retornar à superfície, os mergulhadores precisam
permanecer em águas rasas para descomprimir após subirem das profundezas da
caverna.
As autoridades acreditam que Mahudhee, membro das forças de
defesa nacionais, morreu devido a complicações durante esse processo.
“Ele estava mergulhando em dupla, conforme o protocolo, e
retornando à superfície quando seu parceiro percebeu que algo estava errado e o
restante da equipe pulou na água para tentar salvá-lo”, informou o porta-voz do
governo.
Mahudhee foi sepultado com todas as honras militares em uma
cerimônia na capital das Maldivas, Malé, onde milhares de pessoas prestaram
suas homenagens, incluindo o presidente Mohamed Muizzu, autoridades do turismo
e militares, além de embaixadores estrangeiros.
As Maldivas possuem protocolos de segurança aquática
abrangentes e mergulhadores experientes, afirmou Shareef, observando que o
território oceânico do arquipélago é cerca de três mil vezes maior que sua área
terrestre.
O que aconteceu com os mergulhadores da caverna?
A situação que levou à morte ainda não foi determinada.
John Volanthen, um oficial de mergulho do Conselho Britânico
de Resgate em Cavernas, que desempenhou um papel fundamental no resgate de um
time juvenil de futebol tailandês em 2018, afirmou que não se sabe se as
correntes marítimas contribuíram para o ocorrido, mas que a profundidade e o
lodo da caverna são os principais fatores que estão "indiscutivelmente
dificultando" os esforços de resgate.
"É um caminho muito longo para dentro da caverna e,
normalmente, os mergulhadores em cavernas estabelecem uma linha-guia para
encontrar o caminho de volta. E é isso que possivelmente aconteceu com o grupo
desaparecido", disse ele à CNN.
O pânico também pode afetar os mergulhadores, disse
Volanthen, com os riscos aumentando em mergulhos mais profundos devido à
narcose – um estado temporário de intoxicação causado pela respiração de ar
comprimido.
"Isso também aumenta a probabilidade de você estar
embriagado ou, essencialmente, incapaz de se controlar", acrescentou
Volanthen.“E assim, à medida que se aprofundam, esse efeito de narcose pode
potencialmente causar pânico, mas também tornaria menos provável que
encontrassem a saída.”
"Além disso, se a caverna ficar lamacenta, como é normal
nesse tipo de caverna ao tocar as paredes ou o chão, encontrar a saída torna-se
muito mais difícil.”
Carlo Sommacal, marido de Montefalcone e pai de Giorgia, não
tinha certeza do que poderia ter causado o acidente, dizendo que “algo deve ter
acontecido lá embaixo”, dada a vasta experiência de sua esposa e da filha.
Em entrevista à TV italiana, ele descreveu Montefalcone como
uma mergulhadora cuidadosa e disciplinada que jamais colocaria sua filha ou
outros colegas em risco, segundo a agência Associated Press.
Ele lembrou que ela lhe dizia às vezes: "Essa eu consigo
fazer, você não" e de como sua esposa sobreviveu ao tsunami de 2004
enquanto mergulhava no Quênia, informou a emissora.
Questionamentos sobre a legalidade do mergulho
Uma investigação está em andamento para apurar o que
aconteceu com os mergulhadores – e se e como eles chegaram a tais
profundidades.
“Para mergulho recreativo e comercial, por lei, ninguém tem
permissão para ir além de 30 metros e, infelizmente, parece que isso aconteceu
muito mais fundo, porque até a entrada da caverna fica a quase 50 metros de
profundidade”, afirmou Shareef, principal porta-voz do governo das Maldivas.
A licença da embarcação foi suspensa até a conclusão da
investigação, continuou ele, que afirmou: “Tudo será apurado”.
A operadora turística italiana responsável pela viagem de
mergulho nas Maldivas negou ter autorizado ou sequer ter conhecimento do
mergulho em profundidade que violou os limites locais, declarou sua advogada ao
jornal italiano Corriere della Sera no sábado (18), segundo reportagem da AP.
Orietta Stella, representante da Albatros Top Boat, afirmou que a operadora “não sabia” que o grupo planejava descer além dos 30 metros. Ultrapassar essa profundidade exige autorização especial das autoridades marítimas das Maldivas e a operadora “jamais teria permitido”, informou ela.
Ligação italiana
As Maldivas dependem muito do turismo, recebendo mais de dois
milhões de visitantes em 2025, conforme o Ministério do Turismo, em comparação
com uma população residente de 500 mil pessoas.
A operadora de turismo de mergulho italiana George Corbin é
reconhecida por ter introduzido o turismo na antiga colônia britânica em 1972.
Desde então, a Itália tem figurado consistentemente entre os maiores mercados turísticos das Maldivas.
“A Itália tem uma relação muito especial conosco no que diz
respeito ao turismo, e temos sido grandes amigos na área da hotelaria há muitos
anos”, declarou Shareef. “A população local está devastada não apenas porque
este é o maior acidente de mergulho já registrado no país, mas também porque
são italianos.”
Os governos das Maldivas e da Itália têm mantido comunicação
"no mais alto nível", e Muizzu enviou suas "mais profundas
condolências" ao presidente italiano Sergio Mattarella e às famílias dos
falecidos e desaparecidos, afirmou Shareef.
O enviado de Roma ao país juntou-se às equipes de resgate a
bordo de um navio da guarda costeira na sexta-feira, informou o Ministério das
Relações Exteriores da Itália.
- Maldivas retomam operações de resgate de mergulhadores hoje
As Maldivas retomam nesta terça-feira (19) as operações de
resgate para recuperar os quatro corpos dos mergulhadores italianos,
localizados na segunda-feira (18) em uma caverna.
Mohamed Hussain Shareef, porta-voz principal do gabinete do
presidente das Maldivas, afirmou que o plano das equipes de resgate é recuperar
dois dos corpos nesta terça-feira e os outros dois na quarta-feira (20).
A operação envolve pelo menos três mergulhadores experientes enviados pelo governo italiano.
A tentativa de recuperar os corpos evidenciou o perigo e a complexidade da operação: o mergulhador militar sênior, sargento Mohamed Mahudhee, de 43 anos, morreu no sábado (16) durante uma segunda missão de recuperação na caverna, que em seu ponto mais profundo fica a 70 metros abaixo da superfície, quase a profundidade de um prédio de 20 andares.
O governo das Maldivas classificou o caso como o maior
acidente de mergulho que já ocorreu no país e destacou que está em contato com
a Itália.
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Con informações e fotomontagem CNN Brasil.
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