MORRE AFRIKA BAMBAATAA, PIONEIRO DO HIP-HOP E DA CULTURA NEGRA MUNDIAL
Por: Alvaro Neves;
Postagem publicada às 5h45 desta sábado, 11 de abril de 2026.
O rapper, DJ e produtor norte-americano Afrika Bambaataa
morreu aos 68 anos, na madrugada desta quinta-feira (9), em um hospital na
Pensilvânia, nos Estados Unidos, em decorrência de complicações de um câncer,
segundo informações divulgadas pelo site TMZ.
Considerado um dos fundadores do hip-hop, Bambaataa deixa um
legado que atravessa décadas e territórios, conectando a cultura negra
periférica em escala global.
A morte de Bambaataa provocou forte comoção entre artistas e
agentes culturais. Em publicação oficial no perfil @afrika_bambaataa_official,
a equipe do artista destacou sua dimensão humana e política:
“O que ele construiu — a Universal Zulu Nation, a cultura, o
movimento — nunca foi apenas música. Foi uma mensagem de paz, amor, união e
diversão.
Seu espírito vive em cada batida, em cada b-boy, em cada
grafite, em cada DJ que toca pela cultura.
O Hip-Hop é hoje uma linguagem global por causa dele”
A organização Universal Zulu Nation, criada por Bambaataa,
foi uma das bases estruturantes do hip-hop, difundindo valores como paz, união
e respeito entre jovens das periferias.
No Brasil, sua influência é profunda. O DJ Marlboro já
afirmou que “Planet Rock” foi uma das principais referências para o surgimento
do funk carioca.
O próprio Bambaataa reconhecia essa conexão. Em entrevista ao
jornal O Globo, em 2010, afirmou ver sua música refletida nos ritmos
brasileiros, especialmente pela proximidade com matrizes africanas.
O artista esteve diversas vezes no Brasil, incluindo uma
apresentação no Rock in Rio em 2011, ao lado de Paula Lima e do rapper
português Boss AC, e uma participação no programa Esquenta!, da TV Globo, em
2013, com Preta Gil.
Para o rapper GOG, um dos nomes centrais do hip-hop nacional,
a morte de Bambaataa representa uma perda histórica:
“É uma perda irreparável no nosso front. Bambaataa foi um
mestre de consciência dentro do movimento. Ele transformou a rua em escola e
traz a cultura como ferramenta de paz. Então ele deixa um legado que todos nós
do hip hop temos e devemos preservar e honrar.”
O jornalista e ativista Eduardo Nascimento também ressaltou o
papel transformador do artista.
“Afrika Bambaataa: Presente Do Cais do Valongo à pacificação
das gangues no Bronx.
Da criação da Universal Zulu Nation à fundação do movimento
Hip Hop. Mais que um nome, Bambaataa representa liderança, consciência e
transformação.
Um símbolo da virada : da rua para a cultura, do conflito
para a construção coletiva.”
Nascimento relembra ainda encontros com o artista no Brasil,
incluindo participação em debates ao lado de Mano Brown, destacando a dimensão
política e educativa.
Para o jornalista e antropólogo Spensy Pimentel, autor do
Livro Vermelho do Hip Hop, a importância de Bambaataa ultrapassa a música e se
insere em um campo mais amplo de pensamento e organização cultural:
“A influência de Afrika Bambaataa no Hip Hop global é algo
muito interessante porque não é somente artística, é também filosófica e
política. Ele não somente foi um dos principais DJs que iniciaram o Hip Hop por
volta de 1973, como foi também um dos primeiros artistas a criar hits na
indústria fonográfica, como Planet Rock, de 1982. Artisticamente, ele
influenciou não somente aquilo que nós chamamos de Hip Hop no Brasil, mas
também todo o movimento que nós chamamos de funk carioca, ou simplesmente funk."
Spensy Pimentel ressalta ainda que o artista criou a
Universal Zulu Nation, em 1973, que foi a primeira organização do Hip Hop.
Influenciado por organizações negras como o Black Panthers, ele mostrou que o
movimento podia ser muito mais do que apenas música e festa. "A
transformação do Hip Hop em um movimento cultural global foi muito impulsionada
pela ação dele. Nos últimos 10 anos, contudo, vieram à tona diversas acusações
de abuso sexual contra crianças, que mancharam esse legado, lamentavelmente.”
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Com informações Agência Brasil/Foto reprodução para ilustração do texto.

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