MAIS UM IMBRÓGLIO À VISTA: ‘PF INVESTIGA MALAS EM VOO COM MOTTA E CIRO NOGUEIRA EM AVIÃO DE EMPRESÁRIO DE BETS QUE NÃO FORAM INSPECIONADAS’; CONFIRA
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Foto: momento em que Jose Jorge de Oliveira Junior passa pelo
ponto de fiscalização com as bagagens não inspecionadas/Crédito: reprodução
Polícia Federal. |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 22h05 desta terça-feira, 28 de abril de 2026.
A Polícia Federal investiga a entrada no Brasil de cinco malas levadas em um voo em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em abril de 2024. As bagagens não passaram pelo raio-X ao chegar a São Paulo, quando um auditor fiscal autorizou que fossem liberadas sem inspeção. O caso está no STF (Supremo Tribunal Federal).
O episódio ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha
de São Martinho em um avião particular que pertence ao empresário piauiense
Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de
apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger – popularmente
conhecido como “jogo do tigrinho”.
Além de Motta e Ciro, estavam na aeronave os deputados Dr.
Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ambos líderes de seus partidos na
Câmara.
O caso foi enviado pela Justiça Federal de São Paulo ao
Supremo, onde está sob sigilo. A petição ao tribunal foi protocolada em 13 de
abril. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator. Em despacho de
sexta-feira (24), o magistrado determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da
República) se manifeste sobre o processo em até cinco dias.
Procurado pela Folha, Motta confirmou que esteve no voo, mas
disse que, ao desembarcar no aeroporto, “cumpriu todos os protocolos e
determinações estabelecidas na legislação aduaneira”.
A assessoria de imprensa também afirmou que o deputado
aguardará a manifestação da Procuradoria.
A reportagem também entrou em contato com as assessorias de
Ciro Nogueira, de Dr. Luizinho e de Isnaldo Bulhões e com Fernandin OIG no
início da noite de segunda (27) para obter o posicionamento deles sobre o
episódio.
O pedido foi reforçado nesta terça (28) às 9h para Ciro, às
9h45 para Dr. Luizinho e às 9h30 e 9h50 para Isnaldo. Não houve resposta até a
publicação desta reportagem.
Questionada sobre a existência de um processo interno para
apurar a conduta do auditor investigado pela PF, a Receita Federal afirmou que
as investigações da corregedoria transcorrem em sigilo e que não poderia
confirmar se há procedimentos abertos no caso específico.
“Quando notificada sobre possíveis desvios funcionais, a
Receita Federal instaura, através de sua corregedoria, procedimentos
administrativos disciplinares para a apuração dos fatos. Para garantir os
direitos constitucionais de ampla defesa e contraditório aos envolvidos, as
investigações transcorrem em sigilo até sua conclusão”, disse.
A Folha também procurou o piloto Jorge Oliveira por mensagem
via Instagram e WhatsApp nos últimos dois dias, além de ligação às 10h10 desta
terça. Não houve resposta.
PF apura facilitação de contrabando
O inquérito instaurado pela Polícia Federal apura os
possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação.
As informações apontam que o auditor fiscal Marco Antônio
Canella permitiu que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior “passasse com cinco
volumes por fora do equipamento de raio-X” no Aeroporto Executivo Internacional
Catarina, em São Roque (SP), na região metropolitana de Sorocaba, por volta das
21h de 20 de abril de 2024.
Durante a investigação, a PF obteve a lista de passageiros do
voo, na qual constam os nomes de Motta, Ciro, Isnaldo e Dr. Luizinho. Por
envolver autoridades com foro privilegiado, o caso foi enviado ao MPF
(Ministério Público Federal) -que pediu que o processo tramitasse no STF.
“Diante do que a autoridade policial, considerando a
possibilidade de a continuidade das investigações revelar o envolvimento dos
passageiros que possuem foro privilegiado no delito sob apuração ou em outras
práticas delitivas, remeteu os autos ao Parquet Federal [o MPF] para que
verifique se é caso de declínio de atribuição”, diz trecho da manifestação do
órgão.
Os políticos retornavam de São Martinho, ilha no Caribe
considerada paraíso fiscal pela Receita Federal, em lista divulgada em 2017. O
local também é conhecido como a Las Vegas do Caribe devido a atrações noturnas,
como cassinos.
Antes de chegar ao Supremo, o processo estava na 1ª Vara
Federal de Sorocaba. A primeira movimentação no sistema naquela instância
indica que ele foi distribuído em outubro de 2025. Em 18 de março, a juíza
Carolina Castro Costa determinou o envio ao STF.
“Destarte, diante da natureza dos fatos apurados e da
eventual existência de prerrogativa de foro, a deliberação acerca da
competência para o processamento e julgamento incumbe ao Supremo Tribunal
Federal”, afirmou a magistrada em sua decisão.
Como mostrou a Folha, Ciro Nogueira já viajou em outra
ocasião em um jatinho particular de Fernandin OIG. Em maio de 2025, o
presidente do PP foi até a Europa em um dos aviões, enquanto o empresário era
alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Bets.
O colegiado foi instalado no Senado no fim de 2024 para
apurar irregularidades em casas de apostas e possíveis esquemas de manipulação
de resultados em eventos esportivos.
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Com informações Folhapress/Via ICL Notícias.




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