LULA MOSTRA IRRITAÇÃO COM TOFFOLI E CHEGA A DIZER A ALIADOS QUE MINISTRO DEVERIA DEIXAR STF
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| (crédito: foto reprodução "IA" para ilustração do texto) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 7h28 desta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026.
O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões
sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende
defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.
Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula
fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em
desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se
aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.
Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para
uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito –eles já discutiram o assunto
no fim do ano passado.
Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente
vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do
caso.
O presidente está incomodado com o desgaste institucional ao
Supremo causado por notícias que expuseram laços de parentes do ministro com
fundos ligados à teia do banco. De acordo com aliados, o petista também
reclamou do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja
abafada.
A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado
que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos,
evitando críticas por eventuais interferências. "Não é possível que a
gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco
Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na
sexta-feira (23).
Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar
políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com
políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O
empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui
Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.
Desde o fim do ano passado, o presidente monitora a evolução
do inquérito. Ele teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de colocar
sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as
investigações ao STF.A medida aconteceu uma semana antes de o jornal O Globo
revelar que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro
Alexandre de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais para defender
os interesses do Master.
Nas palavras de um aliado, o presidente passou a desconfiar
que o caso terminaria em uma "grande pizza". Em dezembro, Lula
convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a participação do
ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na conversa, descrita como amistosa pelo próprio Lula, o
presidente teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às
últimas consequências. Ainda segundo relatos, ele queria entender se essa era a
disposição no tribunal, mesmo após a decretação do sigilo.
Em resposta, segundo relatos, o ministro disse que nada seria
abafado e que o sigilo era uma medida justificável. Lula, então, afirmou que
Toffoli faria a coisa certa. O presidente disse ainda, segundo informação do
colunista Lauro Jardim, confirmada pela Folha, que a relatoria seria uma
oportunidade para que Toffoli reescrevesse sua biografia.
Essa conversa aconteceu antes de revelações que põem em xeque
a atuação do ministro. Toffoli está sob pressão devido à sua postura na
supervisão do inquérito. As críticas vão desde o severo regime de sigilo
imposto ao caso, seguido pela viagem de jatinho com um dos advogados da causa e
por negócios que associam seus familiares a um fundo de investimentos ligado ao
Master, como revelou a Folha.
A interlocutores Toffoli disse que, neste momento, descarta
abdicar do processo por não ver elementos que comprometam a sua imparcialidade.
O ministro indicou a interlocutores que nem a viagem de
jatinho na companhia do advogado nem a sociedade entre seus irmãos e o fundo de
investimentos comprometem sua imparcialidade. E, como mostrou a Folha, em sua
história, o STF só reconheceu o impedimento ou a suspeição de ministros em
casos de autodeclaração.
Responsável pela indicação de Toffoli para o tribunal, Lula
coleciona decepções com o ex-advogado do PT. Toffoli, por exemplo, impediu que
Lula assistisse ao velório do irmão, tendo pedido desculpas ao presidente anos
depois.
O pedido de perdão ocorreu em dezembro de 2022, após a
eleição de Lula. O ministro do Supremo Tribunal se desculpou por não ter
autorizado o petista a comparecer ao velório de seu irmão, Genival Inácio da
Silva, o Vavá, quando estava preso em Curitiba. Vavá morreu em janeiro de 2019.
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Com informações Folhapress.
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