LULA CONFIRMA VIAGEM A WASHINGTON PARA ENCONTRO COM TRUMP
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| (crédito foto reprodução "IA" Agência Brasil) |
Por: Alvaro Neves.
Postagem publicada às 7h06 desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026.
Em conversa com o americano, presidente brasileiro pede que
Palestina tenha assento no Conselho da Paz, mas não anuncia participação do
Brasil no colegiado. Chefe do Executivo fará visita ao republicano em data a
ser definida pelas equipes diplomáticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por
telefone, na manhã dessa segunda-feira, com o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, sobre temas da agenda internacional. O chefe de Estado brasileiro
sugeriu que a Palestina passe a ter um assento no chamado Conselho da Paz,
criado pelo norte-americano. Ele argumentou que a inclusão da Palestina dará
maior legitimidade às discussões e defendeu que o grupo tenha um escopo mais
restrito, concentrando-se exclusivamente nas questões relacionadas à Faixa de
Gaza.
O teor da conversa dessa segunda-feira foi divulgado pelo
Palácio do Planalto. Segundo o governo brasileiro, Lula aproveitou a ocasião
para reforçar sua posição histórica em favor de uma reforma ampla da
Organização das Nações Unidas (ONU). Ele voltou a defender a ampliação do
número de países com assento permanente no Conselho de Segurança, como forma de
tornar o órgão mais representativo da atual configuração geopolítica global.
O chefe do Executivo está entre os líderes internacionais
convidados a integrar o Conselho da Paz, mas ainda não deu uma resposta ao
convite. Na semana passada, durante um evento realizado em Salvador, ele
manifestou publicamente reservas em relação à proposta. Na avaliação do
presidente, a iniciativa de Trump pode resultar na criação de uma estrutura
paralela à ONU, com o objetivo de concentrar maior poder político sob a
liderança do governo norte-americano.
A ligação com Trump durou cerca de 50 minutos e tratou,
também, de relações bilaterais e economia. A conversa foi descrita por ambos
como produtiva, com trocas de informações sobre indicadores econômicos que
apontam perspectivas positivas para as duas maiores economias das Américas.
Trump ressaltou que o crescimento econômico do Brasil e dos Estados Unidos traz
benefícios para toda a região.
Os presidentes saudaram o bom relacionamento diplomático
construído nos últimos meses, que já resultou na eliminação de parte
significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros no mercado
norte-americano - um ponto de encontro após meses de tensões no comércio
bilateral.
Durante a ligação, Lula comentou uma proposta já encaminhada
ao Departamento de Estado, que visa fortalecer a cooperação com os Estados
Unidos no combate ao crime organizado, com foco em áreas como lavagem de
dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e
intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A ideia foi bem recebida por
Trump, abrindo espaço para futuros acordos operacionais entre as equipes dos
dois países.
No diálogo, Lula e Trump também trocaram impressões sobre a
situação na Venezuela, com o líder brasileiro enfatizando a importância da paz
e da estabilidade regional, além do compromisso com o bem-estar do povo
venezuelano. A questão tem sido debatida em diversos fóruns internacionais e
continua a ser um dos desafios políticos na diplomacia do hemisfério.
Pragmatismo
Segundo o cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa
Política, ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal, a conversa foi marcada
pelo pragmatismo em um contexto de Realpolitik por parte dos Estados Unidos.
"O que vimos hoje (essa segunda-feira) não foi um alinhamento ideológico,
mas um pragmatismo econômico monumental, no qual Lula compreendeu que, no
universo de Trump, a balança comercial precede qualquer valor
democrático", explicou.
"O levantamento das tarifas sobre produtos brasileiros é
a maior prova dessa 'vitória técnica' do Planalto, sinalizando que o Brasil
aceitou jogar sob as regras do 'America First' para blindar seu agronegócio e
sua indústria em um cenário global hostil e protecionista", afirmou
Coimbra.
Na avaliação do cientista político, no campo da influência
global, a proposta de Trump para um Conselho da Paz em Gaza, operando fora dos
ritos da ONU, coloca o Brasil em uma encruzilhada histórica. "Ao sugerir a
inclusão da Palestina e focar na ajuda humanitária, Lula tenta 'civilizar' uma
iniciativa unilateralista, buscando garantir ao Brasil um assento de relevância
em um novo órgão que privilegia a eficácia sobre a legitimidade
internacional", disse.
Coimbra pontuou, porém, que o risco inerente a esse movimento
é o esvaziamento definitivo do Conselho de Segurança da ONU, trocando o sonho
histórico brasileiro de um assento permanente por uma cadeira temporária em uma
estrutura controlada diretamente por Washington.
"A questão venezuelana serve como o maior termômetro
dessa mudança de postura brasileira. Apesar da indignação formal com a captura
de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas, o fato de Lula ter focado o
diálogo em comércio e segurança interna revela que o governo brasileiro
reconhece a nova hierarquia de poder na região", frisou. "A retórica
da soberania ferida deu lugar ao cálculo frio: o Brasil não pode se dar ao luxo
de confrontar Trump por um regime vizinho em colapso enquanto precisa garantir
exportações de aço e celulose. Há uma aceitação tácita de que Trump promoverá
uma 'limpeza' regional, e o Brasil prefere ser o interlocutor racional desse
processo a ser um alvo colateral", completou.
Ele ressaltou ainda que o Brasil se posiciona agora como um
Estado-pivô entre o bloco do Brics e a Casa Branca. "A série de viagens
programadas por Lula para a Ásia e depois para Washington sugere uma tentativa
ambiciosa de atuar como o tradutor dos interesses do Sul Global para o
temperamento volátil de Trump. O resultado dessa aproximação não é uma amizade,
mas um gerenciamento de danos sofisticado", analisou. "Lula aceitou
que a diplomacia em 2026 se faz com planilhas e balanças comerciais,
consolidando o Brasil como o parceiro de conveniência necessário para manter a
estabilidade econômica no continente, enquanto o mundo observa o desmonte do
multilateralismo tradicional", acrescentou.
Lula também confirmou que viajará a Washington para se encontrar com o republicano. A visita deve ocorrer após a ida do chefe do Executivo brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro. A data exata ainda será definida em breve pelas equipes diplomáticas.
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Com informações Correio Braziliense.



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