BOLSONARO EXIBE MEDALHA DO EXÉRCITO EM JUGAMENTO NO STF SOBRE TENTATIVA DE GOLPE

(foto reprodução para ilustração do texto)


Postagem publicada às 07h50 desta quinta-feira, 27 de março de 2025.


Jair Bolsonaro faz uma visita surpreendente ao STF, exibindo a medalha de Pacificador da Palma, a maior honraria do Exército Brasileiro. O ex-presidente está no centro das atenções durante o julgamento de uma denúncia sobre uma tentativa de golpe.

A visita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou repercussões nos bastidores políticos e jurídicos do país.

O ex-mandatário, que acompanhou a sessão da Primeira Turma da Corte nesta terça-feira (25), foi visto com um distintivo em seu terno que atraiu atenção: o bottom com a representação da medalha de Pacificador da Palma, a mais alta condecoração do Exército Brasileiro.

O gesto gerou especulação sobre o simbolismo da escolha e o contexto da visita de Bolsonaro ao tribunal, que está sendo palco de uma análise crucial sobre acusações de tentativa de golpe de Estado.

A visita ao STF não foi apenas um momento de curiosidade pelo uso do distintivo, mas também porque o ex-presidente foi um dos sete envolvidos no julgamento de uma denúncia realizada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que envolve uma tentativa de subverter o regime democrático do país.

O ex-chefe do Executivo se encontra em meio a investigações sobre atos relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, dia dos ataques aos prédios dos Três Poderes em Brasília.

 O que é a medalha de Pacificador da Palma?

A medalha de Pacificador da Palma, um dos maiores símbolos de reconhecimento de bravura no Brasil, foi conferida a Jair Bolsonaro em 2018, ainda durante seu mandato presidencial.

A honraria foi entregue ao ex-presidente como um reconhecimento de sua coragem e atitude heroica durante um exercício militar realizado em 1978, quando ele, enquanto capitão do Exército, salvou a vida de um soldado que estava se afogando durante uma atividade no rio.

De acordo com a explicação oficial fornecida pelo Exército Brasileiro, a medalha de Pacificador da Palma é concedida a civis e militares brasileiros que, em sua atuação, se destacaram por atos pessoais de coragem e bravura, especialmente em situações de risco extremo.

O ato de salvar a vida do soldado, no entanto, não foi apenas uma ação heróica, mas também um momento que contribuiu para consolidar a imagem de Bolsonaro como uma figura ligada ao militarismo e à defesa da pátria.

 O contexto da visita ao STF

Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a um dos momentos mais críticos de sua democracia recente: invasões, depredações e ataques aos prédios dos Três Poderes em Brasília.

Os responsáveis por esses ataques foram acusados de tentarem destituir o governo eleito e subverter o regime democrático.

Entre os envolvidos nesse caso, encontra-se Jair Bolsonaro, cuja relação com o episódio é objeto de investigação.

A visita ao STF para acompanhar o julgamento da Primeira Turma é significativa, pois marca um momento de tensão no cenário político, com o ex-presidente sendo alvo de ações judiciais que questionam sua conduta no período pós-eleitoral e durante o período de transição de poder.

Embora o uso da medalha de Pacificador não tenha sido um assunto oficial durante a visita, ele certamente adicionou um toque simbólico à sua presença no STF.

O gesto de ostentar uma medalha que carrega a ideia de coragem, bravura e risco de morte pode ser interpretado como uma tentativa de reforçar uma imagem de heroísmo e compromisso com a defesa da pátria, algo que Bolsonaro sempre procurou associar à sua trajetória política e militar.

A relação de Bolsonaro com os militares

A relação de Jair Bolsonaro com os militares e com as forças armadas é um ponto fundamental para entender sua postura política ao longo dos anos.

Desde o início de sua carreira, o ex-presidente sempre se posicionou como defensor das instituições militares e da ordem hierárquica, o que lhe garantiu grande apoio entre membros do Exército e outras forças armadas.

Durante seu governo, Bolsonaro fez questão de nomear oficiais para cargos estratégicos no Executivo, além de promover uma maior aproximação entre a política e o setor militar.

Em seus discursos, Bolsonaro frequentemente fez referências a sua carreira militar e aos valores de disciplina e respeito que aprendeu nas forças armadas.

 Ao longo de sua presidência, ele também procurou fortalecer os laços entre a política e os militares, considerando-os uma base importante para a sustentação de sua liderança, especialmente em momentos de crise política.

A própria postura do ex-presidente em relação ao uso de símbolos militares, como a medalha de Pacificador, é uma forma de manter essa imagem de defensor das forças armadas e, por extensão, de uma ordem que ele considera essencial para a estabilidade do país.

O simbolismo da medalha no contexto atual

O uso da medalha de Pacificador da Palma, em meio ao julgamento no STF, também pode ser visto como uma forma de Bolsonaro tentar afirmar sua identidade como um líder que, apesar das investigações e acusações, ainda se apresenta como alguém que se comprometeu com a defesa da pátria.

Ao vestir o distintivo, ele pode estar buscando reforçar a ideia de que, mesmo em tempos de adversidade política e jurídica, continua sendo um símbolo de coragem e compromisso com o Brasil.

De acordo com especialistas em comportamento político e simbologia, o uso de condecorações e símbolos como esse é uma forma de comunicar mensagens indiretas ao público e aos aliados.

Bolsonaro, ao escolher essa medalha, não apenas sinaliza sua trajetória militar, mas também faz uma afirmação sobre sua posição frente ao processo judicial que enfrenta.

É um sinal de que ele continua se apresentando como uma figura central na política brasileira, ainda que sua imagem tenha sido profundamente afetada pelas investigações sobre o 8 de janeiro.

 

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Com inforamações Revista Sociedade Militar.

 

 

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