TRADIÇÃO MILITAR: “VAMOS SABER PORQUE OS BRASILEIROS COMEM LARVAS DE TAPURU QUE PODE SALVAR VIDAS NA SELVA?”

(crédito: foto reprodução "IA" Sociedade Militar)

Postagem publicada às 10h09 desta sexta-feira, 03 de outubro de 2025.

Asco, repulsa e nojo, são algumas das palavras que refletem as reações de militares estrangeiros ao serem submetidos a treinamentos de sobrevivência onde têm que se alimentar de larvas de besouro, o tapuru

Militar do Exército se alimentando de tapuru - larva encontrada na floresta amazônica

Em meio à mata fechada da Amazônia ou dos cerrados brasileiros, onde o alimento pode ser escasso ou o movimento logístico difícil em caso de combate real, os soldados do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil ou da Força Aérea que realizam cursos de sobrevivência, adaptações ao ambiente amazônico ou de operações em selva, aprendem a recorrer a fontes exóticas de nutrição e entre elas, as lagartas ou larvas que podem se esconder nas árvores ou em frutos, chamadas de tapurus pelos soldados.

A prática, longe de ser mera brincadeira ou curiosidade, é um elemento tradicional de treinamento e adaptação ao ambiente extremo e é herdada de costumes dos povos da Amazônia.

Tradição nos cursos de selva

No Brasil, um dos centros mais emblemáticos desse tipo de adestramento é o CIGS – Centro de Instrução de Guerra na Selva, sediado em Manaus. Nos cursos ministrados ali, os militares aprendem técnicas de sobrevivência integral: como se proteger, se deslocar e, entre elas, como obter alimento do ecossistema ao redor, mesmo se for algo inesperado para o paladar urbano.

Em vídeos e relatos de instrução com frequência divulgados pelo Exército Brasileiro, instrutores orientam os alunos a reconhecer insetos comestíveis, especialmente larvas ou lagartas grandes e a aproveitá-los em momentos de privação alimentar. No repertório militar, fala-se em larvas de babaçu ou “tapuru” como exemplos consumidos em treinamentos.

É tradicional que militares de outras nações em operação na selva amazônica sejam confrontados de forma bem humorada com a prática.

Mas, tais experiências, além de ser de fato uma espécie de teste e aprendizado sobre superar costumes e até sobre vencer o nojo em nome de permanecer vivo em caso de real necessidade, fazem parte de ritos de passagem para quem busca se tornar “guerreiro de selva”, título simbólico e prático para os militares que completam os cursos mais severos.

Ao submeter os alunos a condições extremas — fome, calor, umidade intensa, noites com pouco sono — o curso testa sua resistência física e psicológica. Nesse contexto, aprender a conviver com a mata e extrair dela recursos pouco convencionais, como lagartas, tem valor prático e simbólico.

O que exatamente são essas larvas?

As larvas vivem no interior de troncos ou de cocos de palmeiras como o babaçu, sendo encontradas cavando galerias. Quando expostas, podem alcançar o tamanho de um dedo ou mais, apresentando corpo gorduroso e textura que varia de macia a firme. A coloração pode variar — tons claros, acinzentados, esbranquiçados ou amarelados — dependendo da espécie e da alimentação.

Antes de consumir, os militares são instruídos a remover a cabeça e retirar o trato digestivo, evitando ingestão de partes tóxicas ou contaminadas. Em alguns casos, as larvas são torradas ou assadas, o que reduz riscos microbiológicos e facilita o consumo.

Por que comer o tapuru

Fonte de proteína e gordura em ambiente hostil – Em meio à selva, rações ou mantimentos tradicionais podem ser escassos. Insetos e larvas oferecem proteínas e lipídios em quantidade suficiente para manter o corpo em esforço prolongado.

Adaptação e resiliência – Para os cursos militares, é fundamental que o soldado saiba se adaptar a qualquer condição. Saber extrair alimento diretamente do ambiente é habilidade estratégica de sobrevivência.

Economia logística – Em operações prolongadas, não é possível carregar grandes quantidades de suprimentos. O uso de recursos locais diminui a dependência logística.

Símbolo de mística militar – A prática reforça o ethos do “guerreiro de selva”, que se alimenta e sobrevive com o que a floresta oferece. Trata-se também de um marco simbólico de resistência e integração ao ambiente amazônico.

As larvas podem suprir parte da necessidade diária de minerais em seres humanos

As informações oficiais sobre a prática são discretas, em geral limitadas a registros em vídeos de treinamento ou relatos informais.

A larva do besouro (Pachymerus nucleorum ) chamada de tapuru ou gongo, pode ser recolhida no fruto de várias palmeiras, entre elas o babaçu e a carnaúba. Segundo apurado pela Revista Sociedade Militar junto à EMBRAPA: ” O gongo é um besouro de aproximadamente 15 mm de comprimento por 7 mm de largura com o corpo castanho escuro coberto por pequenos pêlos amarelo-dourados, cabeça castanho-escura, é triangular“. O Estudo publicado pela instituição indica que 30 g de larvas atendem 31% da necessidade diária de minerais para seres humanos, indicando uma fonte muito eficaz de proteína.

Gongo, vulgo tapuri – larva de besouro usada como alimento por militares brasileiros – Imagem da EMBRAPA, estudo: Entomofagia e segurança alimentar com Pachymerus nucleorum (gongo) em áreas de ocorrência de babaçu.



O manual do Guerreiro de Selva do Exército Brasileiro

O manual de Sobrevivência na Selva do Exército Brasileiro lista alguns vegetais onde pode-se encontrar as larvas tapuru, se limitando a dizer sobre a mesma que se trata de larva de um besouro vivo com grande valor calórico e proteico.

Manual de sobrevivência na selva – Exército Brasileiro


“Jaci – Palmeira de caule e folha espinhentas. Seu fruto é um “coco” pequeno de formato redondo-achatado e de cor marrom-clara. Na sua polpa pode ser encontrado o “tapuru” (larva de um besouro vivo com grande valor calórico e protéico) “Babaçu (Fig 6-10) – Planta da família das palmeiras cujo fruto pode ser consumido e a casca (que é muito dura) pode ser utilizada como carvão. No fruto pode ser encontrado o “tapuru” (larva de besouro vivo com grande valor calórico e proteico).


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Com informações Revista Sociedade Militar. 

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